EDITORIAL

A STATUS NO SEU INÍCIO

Quando lançamos STATUS em agosto de 1974, o mercado de publicações masculinas estava apenas começando. STATUS era na verdade a primeira revista de circulação nacional com uma proposta clara para atender a esse público. Surgia em um ambiente complicado. O País vivia uma ditadura militar, de perseguição política, e era presidido pelo general Ernesto Geisel, que acabava de assumir o poder. Na economia, até que íamos bem. Era a época do “milagre”, com crescimentos recorde do PIB, mas a sociedade brasileira enfrentava grande repressão ao seu comportamento.

Status nascia rompendo tabus, com uma linha editorial inovadora. Empunhava, desde o início, a bandeira da liberdade de expressão em um cenário conturbado, em que tais valores eram combatidos pelos que dirigiam o País. Ousada no conteúdo, nas fotos e nos textos, STATUS trazia um material de primeira qualidade, com reportagens de fundo realizadas por um grande time de colaboradores. O nome STATUS surgiu em meio a debates desse grupo, depois de várias reuniões. STATUS já naquela época significava um cartão de entrada para um clube exclusivo, socialmente privilegiado, marcado pelo bom gosto e sofisticação.

Logo no primeiro número a revista esgotou nas bancas. Seus 60 mil exemplares de tiragem foram vendidos em apenas dois dias. Talvez, e essa é uma impressão que acalentamos desde os primeiros momentos, tamanho sucesso se deva ao fato de que Status atendeu aos anseios de um público carente de um conteúdo mais ousado, inteligente, que refletisse o espírito de liberdade já dominante no resto do mundo.

Era de fato um grande exercício diário driblar os agentes da censura para fazer valer as matérias e o espírito arrojado de STATUS. No seu DNA, a marca da irreverência já estava presente. STATUS naturalmente não trazia apenas ensaios de mulheres em suas páginas. Foi uma revista que deu voz a uma elite pensante – dos empresários aos políticos, esportistas e mesmo a celebridades internacionais – em um tempo em que não existia internet nem a comunicação globalizada e tão rápida como a de hoje.

STATUS está de volta e nesta nova fase mantém vivos e firmes os princípios que pautaram a sua criação e fizeram dela um ícone do mercado editorial. A Editora Três, agora sob a batuta de meu filho, Carlos Alzugaray, se sente revigorada com este lançamento e tem a absoluta crença da boa aceitação de STATUS pelos leitores. Vocês poderão comprovar: ela mantém a essência de sua criação e incorpora a linguagem, o estilo de vida e os anseios das novas gerações. É uma revista para um público amplo e de bom gosto. Boa leitura!


Domingo Alzugaray
Editor e Diretor Responsável

 

A STATUS HOJE

Muita coisa aconteceu entre julho de 1987 e maio de 2011. A linha da história que une a última edição da primeira fase de Status a esta que chega a suas mãos, a de relançamento, passou por muitos momentos importantes e marcantes, no mundo, no Brasil, no mercado editorial e aqui na Editora Três.

No mundo, acabou a Guerra Fria, caiu o muro de Berlim e nasceu a internet. Ao mesmo tempo, foi praticado o maior ato terrorista da história, matando quase três mil pessoas nas Torres Gêmeas; no Brasil, tivemos nossa primeira eleição direta, controlamos a inflação, elegemos (e reelegemos) para a Presidência um ex-metalúrgico, que surpreendeu como o maior líder político de sua geração. Infelizmente, desgraças como a da região serrana do Rio insistem em nos lembrar que ainda estamos longe de ser integralmente um país de Primeiro Mundo.

No mercado brasileiro, editoras nasceram e outras (algumas grandes) sucumbiram, mas o leque de produtos à disposição do leitor, este sim hoje é de Primeiro Mundo. Aqui na Três, depois de todos estes anos lutando a boa luta, achamo-nos prontíssimos para os próximos embates, tanto os que se prenunciam estrondosamente, como a era da mídia digital (será mesmo? não custa perguntar…), quanto nosso empolgante desafio do momento‚ o de relançar a revista que já foi a maior e mais importante mensal masculina do País. Proeza do meu pai, Domingo Alzugaray, que segue como nosso editor responsável.

Entendemos que, ao longo desses anos, o próprio conceito de status mudou. Status, que já significou reconhecimento social pelo que “se tem”, evoluiu para (sim, também ter reconhecimento social, mas…) o que “se é”! Os líderes de status de hoje são Bono Vox, Lula, Wagner Moura, Brad Pitt, entre
outros que não se contentam só com bens materiais. Estamos produzindo uma revista para um homem contemporâneo e antenado, mas que, ao mesmo tempo, mantinha as principais características do leitor da Status dos anos 80: um cara nada óbvio, que não se satisfaz com jargões fáceis, que tenha o sangue quente, mas ao mesmo tempo não se contente com mulheres-frutas (ou suecas sem nome) – e espera que o jornalismo da Três lhe entregue imagens e textos elaborados, com olhar de quem conhece o mundo por dentro, e não apenas sabe que ele existe: mundo onde as coisas importantes estão de acordo com nossas mais profundas expectativas e não tem a ver, necessariamente, com os luxos envolvidos.

Você, nosso novo leitor de Status, pode contar com o “jornalismo de autor” que está no DNA da Editora Três, neste caso comandado por Nirlando Beirão, que dispensa apresentações para leitores
exigentes. O Nirla montou uma equipe editorial composta pelo primeiro time da jovem guarda de jornalistas revisteiros do País, com Cacá Sambrana como seu braço-direito, os editores Piti Vieira e Bruno Weis liderando a reportagem, a celebrada editora de fotografia Ariani Carneiro e a reconhecida e premiada diretora de arte Renata Zincone. Isso sob o experientíssimo olhar da direção editorial da Três, sob as batutas de Carlos José Marques e Luiz Fernando Sá.

Nós da Editora Três estamos colocando tudo o que temos de melhor para entregar mais do que uma boa revista: um choque de bem-estar derramado mensalmente nos seus olhos. Bem-vindos ao mundo de Status.


Caco Alzugaray
Presidente Executivo