BARBARA

Nossa Sophia Loren troca a timidez pela sensualidade

 

Fotos Manuel Nogueira

 

 

AOS 23 ANOS, BARBARA FIALHO diz que chegou à maturidade. Até resolveu voltar a morar naquela cidade que ela, aos 15, mineirinha assustada recém-chegada de Montes Claros, saudosa dos fins de semana no sítio, das cavalgadas e dos mergulhos na cachoeira, achou tão cinzenta, estressada e estressante: Nova York. Na época, preferiu Paris, com seu estilo clássico e seu horizonte profissional mais amigável.

Maturidade aos 23 anos. De corpo e alma. Este ensaio não deixa dúvida. Não por acaso, 2011 é o ano dela. “O melhor corpo do Fashion Rio”, escreveu a fashionista Gloria Kalil. Barbara está na campanha da Blue Man, clicada pelo americano Terry Richardson. Desfilou (e arrebatou) pela grife no São Paulo Fashion Week.

A verdade é que o mundo todo se curva a esta new face que rala há oito anos nas passarelas e nos editoriais. De janeiro para cá: 1– foi fotografada na Grécia para a Marie Claire australiana reproduzindo, com sua boca de sedução rasgada e com sua allure que respira sensualidade, cenas de velhos filmes de Sophia Loren; 2 – com o mesmo fotógrafo, o inglês David Goubert, ela invadiu aquela atmosfera de ragtime e old jazz do antológico Preservation Hall de New Orleans para rememorar o sorriso imenso e a nudez atrevida de Josephine Baker, a gringa que ensandeceu Paris nos Anos Loucos.

Esse é o tipo da coisa que encanta a encantadora Barbara: a nostalgia por coisas, cenas e pessoas que ela nem sequer viveu (ou conviveu). “Sophia (Loren) foi um desafio gostoso, tive de ver e rever filmes clássicos dela.” Os mais antigos, exalando libido, como Ouro de Nápoles, Tentação morena, Duas mulheres. O mesmo vale para Josephine Baker. “Tive de estudar o personagem, folhear as fotos dela, aquelas em que ela usa aquele saiote minúsculo de bananas…”
Teve também seu momento celebrity ao posar, com uns óculos de diamante de US$ 100 mil, para o último clipe do cantor americano Cee Lo Green. Mas taí coisa que não seduz Barbara nem um pouco: a celebridade. “Aprendi a conviver com a superexposição, a administrar a curiosidade dos outros, a lidar com as críticas, inclusive as mais maldosas”, afirma. “Mas continuo falando o linguajar da minha terra, cultivando os valores de minha família, obedecendo, no trabalho e na vida, aquele jeito mineiro de ser, respeitoso, discreto, delicado.”

Conversar com ela, é como ler o conterrâneo Carlos Drummond de Andrade, só que às avessas. Drummond era do tipo que sentia falta da província quando na metrópole e sentia falta da metrópole quando na província. Aquela coisa do primeiro poema dele (que Barbara sabe de cor): ser gauche na vida. Barbara gosta de Nova York quando está em NY – “pelo que ela é”; de São Paulo, quando está em SP – “pelo que ela é”; de Minas, quando está em Minas – “onde estão as pessoas que eu amo”. Pai, mãe, avós, tios, amigos (a irmã, ela importou para o loft dela em Nova York).

“Fama pela fama não é comigo”, reafirma Barbara – e dá para acreditar que não é mera mineirice. Pela convicção com que ela fala e também pela aguda perspicácia que ela professa. “Sei que moda são ondas que vão e voltam. Este é meu momento, amanhã vai ser de outra.” Momento que ela desfruta na plenitude de sua beleza única, solar, esplendorosa, a ponto de ter substituído Liv Tyler na última campanha da Givenchy. “Alguém também vai me substituir”, ela relativiza. “E, no caso da Liv Tyler, posso dizer, com tranquilidade: ela é insubstituível.”
Barbara Fialho está aí para mostrar que beleza e sensualidade podem conviver com modéstia e com inteligência.

Nirlando Beirão

 

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Créditos:

Edição Ariani Carneiro
Stylist Higor Vaz Alexandre
Hair/make Bruno Miranda (Capa MGT)
Produção executiva Michelle Kimura
Assistente de foto Sarah Dalila
Assistente de make/hair Fernando Vieira
Assistente de produção André Soares