CONFIDENCIAL

“EM ST. BARTS, TIRO TODA A ROUPA, NÃO ESTOU NEM AÍ”

Por Vivi Mascaro

 

Renata Kuerten tem um jeito molecade ser, aquela coisa de não se levar muito a sério que disfarça uma inteligência afiada e um humor hilário. Ela, de fato, é uma menina e é difícil imaginar que tudo o que já fez, na sua vida de modelo e de mulher, possa caber em meros 22 anos. Ela é espontânea, divertida. Tão divertida que, depois de muita conversa e muita gargalhada, num almoço no restaurante Magari, em São Paulo, enquanto eu ia de peixinho com risoto e ela, de nhoque, decidi quebrar o paradigma destas páginas e publicar, com alguns cortes (afinal, foram duas horas de entrevista), a conversa assim como aconteceu:

– Todos devem perguntar: esse Kuerten aí tem a ver com o Gustavo Kuerten?
– Anota aí (com falsa solenidade): sim, sou parente do Guga. Prima em terceiro grau. A família dele também é de Braço do Norte, onde nasci. Lá é tudo alemão. Meus bisavós vieram da Alemanha e se instalaram num vale entre montanhas, em Santa Catarina. Um deles se casou com uma índia. Por isso tenho a pele meio moreninha.

– Família grande?
– A família do meu pai são dez irmãos; da minha mãe, 16. Tenho 56 primos.

– Se um deles entrasse aqui agora, você nem reconheceria?
– Conheço todos. Minha família é assim: onde vai um, os outros vão atrás.

– O que sua família faz?
– Gente da roça. Eu sou da roça. Quando ganhei um concurso em Santa Catarina e ganhei uma passagem para São Paulo, eu nunca tinha andado de avião. Tinha 15 anos. Aos 16, já estava em Paris. Logo comecei a bombar. Fiz Madame Figaro. Fiz fitting para a Louis Vuitton, para a Chloë, para a Celini. Minha mãe dizia: se a carroça passar e você não entrar nela, vai a pé. Foi ela quem me deu um empurrãozinho.

– Família é importante principalmente quando a gente está em crise.
– Crise? Eu não tenho crise. Minha vida é perfeita. Só tenho de agradecer.

– Não é difícil para um homem namorar uma modelo?
– É nada. Sou facinha.

– Mas não rola ciúme?
– Meu namorado, o Beto, é um pouco ciumento, sim. Ele diz que eu também sou.

– Você já teve um namorado do tipo pegador?
– Tive um namorado, falavam que ele era pegador. Mas ele não bebe, não fuma, não sai, dorme cedo. Convivi com o cara quatro anos e ele não fazia nada sem mim. Claro que tinha época em que eu estava trabalhando muito e ele ia para Saint Barts passear.

– Sozinho?
– Sozinho. Quase todo fim de semana ele ia. Passamos o réveillon em Nikki Beach, a Beyoncé cantando, metade das mesas era do filho do Khadafi. O Júnior levava a família toda. Me chamava de Nikita. Nikita é uma rebelde.

– Mulheres jovens namorando homens maduros. Muitas de minhas amigas estão nessa.
– Eu gosto. Mas meu namorado atual tem 30 anos. Eu muitas vezes esqueço que tenho 22. Sabe o que é? É que comecei a trabalhar muito cedo e adquiri independência financeira. Tenho de ajudar minha família.

– Qual foi o maior cachê que você já ganhou?
– Não acho legal falar.

– Um milhão de reais?
– Por aí.

– Qual é seu tipo de homem?
– Sendo homem, está ótimo (gargalhada).

– O brasileiro é muito complicado, você não acha?
– Por quê?

– Europeu é muito mais fácil.
– Por que você acha isso?

– As relações lá fora são mais abertas, aqui tem muita ciumeira, muito controle.
– Então eu tenho dado muita sorte (ri). Sério: depende do lugar onde você mora. Na minha cidadezinha, as relações são para sempre, é aquele mundinho. Aqui em São Paulo, você está com alguém, passa um gatinho e você, oba! Muita malícia, muita sacanagem.

– Você não quer, mas é como se fosse arrastada…
– (Rindo) É praticamente uma obrigação. Você está quieta, de repente, ferrou.

– O que os homens de sua cidade acham de você ?
– Não sei, talvez me achem magrela demais. Os que já peguei me veem na tevê, na revista e têm orgulho em dizer: “Essa aí eu já peguei”. Poxa, já tive tanto não na minha vida. Ohhhhh, muito.

– Por quê?
– Porque eu era feia.

– Conta outra.
– Sério. Eu era bichinho de goiaba, como minha mãe falava. Tinha os dentes encavalados. Hoje lá na colônia, vou nadar de biquíni, passam uns quatro cochichando e olhando. Em St. Barts, tiro toda a roupa, não estou nem aí.

– A gente gosta de ser olhada.
– Morei em Milão. Adoro andar de roupa curtinha. Os caras paravam o carro: “Ma che bella!”

– Italiano é o pior homem para relacionamento.
– Você acha?

– São vaidosos, cafajestes. Eu adoro, mas são assim. A Naomi (Campbell) me disse: “Vivi, italiano não é para a gente. Não tem uma relação que dá certo”.
– Os italianos têm um jeito de seduzir só deles. Botam a mulher lá no alto. Aqui no Brasil, os carinhas dizem: “Olha lá, já peguei aquela bisca…”

– Mas é mais fácil a mulher acabar com um homem do que o homem acabar com uma mulher.
– Como?

– Só falar que o negócio é ruim.
– Não sei, eu não posso reclamar (risada).

– A famosa história do tamanho.
– Não acho fundamental.

– Não pode ser exagerado, nem minúsculo.
– O que vale é a pegada. Pegada engloba tudo. E adoro homem inteligente.

– A mulher tem de fazer tudo?
– Tem, geral. As mulheres têm de chegar com tudo. Ou outra mulher leva ou as bichas levam.

– Já pode fazer tudo na primeira vez?
– Pra que esperar? E se a gente morre? É igual aquela propaganda de seguro do Bradesco. Vai que…

– Então sexo é importante na sua relação.
– Dá um gostinho à relação. Mas o mais importante é o respeito. E a pegada. Quando me separei e fiquei um tempo sozinha, liguei pra minha mãe e disse: “Sabe, mãe, acho que vou virar lésbica, pegar umas menininhas”. E ela, na hora: “Ótimo, vai sobrar mais homem para nós”. Olha que minha mãe é casada com meu pai há 29 anos. Imagina se fosse solteira.

– Tem muita pegação entre as modelos?
– Uhhhhhh.

– Já experimentou?
– Eu, não. Mas hoje em dia é tudo normal, né? É para causar na balada.

– Você já foi cantada por seus agentes, por empresários?
– Uhhhh. Já fui cantada até em banheiro feminino. Cantada é o que não falta. Mas eu gosto de sentimento. A questão não é quem você namora, se é rico, se é pobre, se é bonito, se é feio, se é negro, se é louro. A questão é gostar.