CONFIDENCIAL

Socialite não! Ana Paula Junqueira é muito mais do que isso. Cidadã do mundo, ela virou política e ativista social com uma das mais invejadas redes de contato do planeta

Por Vivi Mascaro

 

“POR FAVOR, SÓ PEÇO UMA COISA”,diz Ana Paula Junqueira antes de começar a entrevista. “Não me chamem de socialite, tá bem?”Ana Paula é minha amiga há milênios e sabe muito bem que eu jamais iria reduzi-la a esse rótulo – “socialite”. Afinal, ela não tem culpa alguma de ter nascido linda, de olhos verdes, com dinheiro de família e de ter, ao longo da vida, adquirido traquejo social, aprendido línguas (cinco, com total fluência), acumulado amizades pelo mundo afora e se tornado uma das raras jet setters brasileiras com tráfego cosmopolita, de Los Angeles a Londres, de Saint-Tropez a Istambul.

As más línguas dizem que Ana Paula é, como a Paris de Hemingway, uma festa permanente. Mas ser festeira e alegre, estar sempre rodeada de uma turma animada, não faz mal a ninguém, não é mesmo? Na véspera dessa entrevista, Ana Paula tinha ido ver o show da cantora Sade no ginásio do Ibirapuera. Enquanto falava comigo, no almoço do restaurante Parigi, em São Paulo, formou-se uma romaria até nossa mesa e ela, que tinha anunciado a firme intenção de ter uma noite sossegada – um jantarzinho e cama – acabou seduzida pelo convite de um bal masqué patrocinado pela Veuve Clicquot com o tema Yelloween, não faltando ao Halloween antecipado da maison de champagne sequer o cenário apropriado de uma mansão mal-assombrada, no bairro do Ipiranga.

As festas passam, a obsessão da vida de Ana Paula Junqueira continua: a política. Pela terceira vez está em campanha eleitoral. É candidatíssima a vereadora em São Paulo em 2012. Pelo PMDB. Custou a optar pelo partido, mas acabou convencida “pelo Michel”. Michel vem a ser o vice-presidente da República, Michel Temer – amigo de longa data. Antes, tinha sido convidada “pelo Kassab”, ou seja, por Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, para ingressar no recém-fundado PSD. Esteve muito perto do PSDB, a convite “do Geraldo”. Isto é, Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Mas acha que o PSDB do seu amigo Aécio Neves anda numa fase de turbulência que não faz bem à saúde de ninguém.

Na última eleição que Ana Paula disputou, em 2010, para a Câmara Federal (tinha tentado antes, em 1998, e foi suplente de deputado federal pelo PMDB), sua legenda foi o PV, e ela teve 31 mil votos. Saiu do PV “junto com o grupo da Marina Silva” porque não gostou do que viu por lá. “No meu caso, o eleitor pode ficar tranquilo porque entrei na política por vocação, porque quero fazer a diferença”, diz ela. “Não entro para ganhar dinheiro nem para me divertir.”

Ela se entusiasmou com o PMDB porque, além de sair dos Jardins a Sapobemba pedindo votos para si mesma, vai se engajar organicamente na campanha do deputado Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo. “O Chalita é cara-nova, é inteligente, fala muito bem, é o tipo de candidato que está fazendo falta à paisagem política de São Paulo”, diz Ana Paula. Ajuda também o fato de o PMDB ter muito tempo de tevê. Não só para o candidato a prefeito, mas também para os sempre esquecidos candidatos à Câmara Municipal.

Pergunto a ela se ser uma mulher bonita e independente ajuda ou atrapalha na política. “Ajuda e atrapalha”, responde Ana Paula. O preconceito existe sim, “mais da parte da imprensa do que do eleitor.” De todo modo, Ana Paula acha que preconceitos estão aí para ser desafiados, e não acatados. “Ser bonita só atrapalha na política se a mulher não tiver outros atributos.” De todo modo, acha que as coisas estão mudando.
“A maior dificuldade eleitoral que uma mulher tinha era com as próprias mulheres”, avalia. “Hoje já temos até uma mulher presidente da República.”

Ana Paula está empenhada em mostrar, na política, que é mais do que um rostinho bonito. “Tenho ótimos contatos internacionais, posso ajudar a trazer muitos investimentos para o Brasil, inclusive na área social.” Brinco que, nesse quesito, ela é uma espécie de Mario Bernardo Garnero de saias: a melhor agenda do mundo. “Ser comparada com o Mario é uma felicidade”, diz. “É uma das pessoas mais adoráveis que conheço.”
A agenda de Ana Paula é invejadíssima – no bom e no mau sentido. Tem uma imprensa venenosa que não perdoa o fato de Ana Paula ser a melhor amiga de Naomi Campbell, de chamar Di Caprio de Leo, de ser íntima de Mick (Jagger) e de Johnny (Depp) e de circular com desenvoltura entre personalidades como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e o casal Sarah e Gordon Brown, ele ex-primeiro-ministro do Reino Unido.

Ana Paula é uma globetrotter desde os 15 anos de idade, mas seus contatos se expandiram muito entre os finos e chiques do Primeiro Mundo depois que se casou com o sueco Johan Eliasch, dono do grupo Head, de material esportivo. Johan mora em Londres e é, como Ana Paula, envolvido em causas sociais e ecológicas. Tem uma área na Amazônia que ele mesmo admite ser “maior do que Londres”.

Decido dar uma alfinetada nela: “Você tem fama de só se envolver com homens ricos…” “Ah, é?” – me responde, com um sorriso. “Então, deve ser porque eu também tenho dinheiro, ou talvez porque eu não precise de dinheiro. Mas, se ele tiver, melhor ainda, não é?” Provocação à parte, conheço Ana Paula o suficiente para saber que os assuntos do coração não são administrados por ela de acordo com o extrato da conta bancária de um eventual parceiro.

Ana Paula tem uma vitalidade que a faz multiplicar além do manjado circuito de festas, shows e eventos. Ela é uma atenta colecionadora de arte brasileira (“Prefiro os contemporâneos”). É a secretária-executiva da Associação das Nações Unidas do Brasil, que realiza trabalhos sociais em consonância com a ONU. Assídua frequentadora das redes sociais, tem 30 mil seguidores no twitter. Se cada seguidor for um voto, basta um empurrãozinho a mais e Ana Paula poderá enfim virar a parlamentar que sempre quis ser. A Câmara Municipal de São Paulo é medonha, a começar pelo prédio. Com Ana Paula Junqueira por lá, talvez até ganhe certo charme.