Entrelinhas

Tudo sobre o mundo da literatura

O escritor engoliu o músico


Os Titãs, que eram oito, viraram quatro e, se depender do entusiasmo do guitarrista Tony Bellotto com seus livros, correm o risco de virar um trio. Autor de romances policiais – alguns renderam adaptações para o cinema –, ele agora vai virar contista, apadrinhado por ninguém menos do que um mestre no assunto: Rubem Fonseca.

Você está com 51 anos. Está velho para integrar uma banda de rock ou novo para viver apenas de literatura?
Nenhuma das duas coisas. Ainda vou ficar muito tempo nos Titãs e acho que se quisesse poderia viver apenas da literatura. Mas tenho o prazer de fazer as duas coisas, e até agora uma não atrapalhou a outra.

E qual o próximo livro?
Preparo um conto para uma coleção da Companhia das Letras. Cada escritor vai escrever um conto inspirado numa década. A minha será a de 90.

Nem todo romancista dá um bom contista. E vice-versa.
É um mundo novo pra mim. Mas o Rubem Fonseca, pai de um amigo (o diretor José Henrique Fonseca) vai me ajudar. Mas estou sem coragem de mandar os originais (risos).

A biografia de Casão


O ex-jogador e hoje comentarista da TV Globo, Walter Casagrande Jr. tinha um trato com o seu biógrafo, o jornalista Gilvan Ribeiro: só começaria a falar sobre sua vida quando estivesse recuperado dos problemas com drogas. Gilvan, que foi o único jornalista a ter acesso à clínica Greenwood, durante a internação do jogador em 2007, agora tem carta branca para começar a colher os depoimentos de Casão. Vem aí uma biografia explosiva.

Faturando na prisão


O ex-marido de Amy Winehouse, o presidiário Blake Fieder-Civil, detido por roubo e porte de arma de fogo, arrumou um jeito de faturar sem precisar deixar o xadrez: vai escrever o seu relato sobre os dois anos de relacionamento com Amy, com direito, segundo ele, a revelações bombásticas e fotos inéditas, mostrando a intimidade do casal. Pilantra é pilantra.

O QUE ESTOU LENDO?
BÁRBARA PAZ, ATRIZ


Acabei de ler o romance do Bráulio Mantovani, “Perácio – Relato Psicótico” (Editora Leya). O Bráulio é o maior roteirista brasileiro, e comecei a ler o livro achando que ele levaria a sua influência no cinema para a literatura. Mas não: é uma outra voz que está ali, descolada do roteirista. Quero fazer uma adaptação para o teatro.

NÃO PERCA


O cara mais chato dos EUA resolveu contar a sua história em livro. Chato no bom sentido. Michael Moore passou os últimos anos atormentando sujeitos que mereciam. George Bush, por exemplo, tem até hoje pesadelos com ele. O livro Adoro problemas – meio século de história e política americanas passado a limpo (Lua de Papel, 352 páginas, R$ 34) é crucial para entender como foi forjado o grande polemista e quanto ele é importante para os EUA. Enquanto isso, nós vamos do quê? De Rafinha Bastos?