O PRAZER DE ALESSANDRA NEGRINI

A musa volta aos cinemas com “2 coelhos” e revela que, assim como Scarlett Johansson, também curte se fotografar nua em quartos de hotéis

Por Tom Cardoso

 

O QUE SCARLETT JOHANSSON e Alessandra Negrini têm em comum? Sim, ambas são atrizes que transbordam sensualidade e não precisam fazer muito esforço para encantar os homens. Mas as semelhanças não param por aí. As duas cultivam um delicioso hobby: têm prazer em tirar fotos nuas, desde que clicadas por elas mesmas. Recentemente, um autorretrato de Scarlett vazou na internet e virou caso de polícia. Negrini é mais cuidadosa. No Google, você não irá achar nenhuma foto que ela tirou de si mesma em vários hotéis pelo mundo. Em forma aos 41 anos, a atriz não pretende abandonar o hábito tão cedo. “É só um jeito de distrair a cabeça”, diz. Engraçadinha, não?

Oportunidades para ver Negrini vestida, exibindo o seu talento, não faltarão. Ela é a estrela de “2 Coelhos”, filme policial que estreia em janeiro, cuja direção é do novato Afonso Poyart. No longa, a atriz interpreta uma promotora corrupta. Neste papo com Status, Negrini não evitou nenhuma pergunta e falou de tudo, como se estivesse despida. Calma, isso é apenas um trocadilho.

Julia, a promotora vivida por você em “2 Coelhos” é uma personagem cheia de ambivalências. Como foi interpretá-la?
Você acertou em cheio. É isso que faz a minha personagem interessante. Afinal de contas, ninguém é tão bonzinho ou tão ruim assim, a não ser que seja doido.

Há um pouco de Alessandra em Julia? Você não é boazinha nem tão ruim assim…
Não, não sou. Claro que o caráter de uns é melhor do que de outros, mas no geral todos temos mais ou menos os mesmos desejos, os mesmos medos, e a arte serve justamente para isso: para a gente dividir, se enxergar melhor através dos outros.

Você afirmou certa vez que sua fama de antipática não passava de mito. Por que esse mito foi alimentado?
Não tem nada disso, não tem mito nenhum. Não sou antipática.

Foi difícil encarnar uma corrupta? Você se incomoda com os seguidos escândalos que atingem todas as esferas da política e da sociedade brasileira?
A corrupção talvez seja o nosso maior problema, mas tenho a impressão de que isso está sendo atacado de frente como nunca antes.

 Você é engajada politicamente?
Amo meu país, luto por ele, voto em quem acredito, exerço minha cidadania, respeito o próximo, apoio todos aqueles que falam em nome da igualdade social e, acima de tudo, ofereço o meu trabalho com amor e seriedade. Para mim, isso é engajamento.

Como ex-aluna da USP, como viu a recente invasão da reitoria da universidade promovida por estudantes insatisfeitos com a presença da PM no campus?
Você não vai me perguntar se eu fumei maconha, né?

No filme policial “2 coelhos” Alessandra encarna Julia, uma promotora de justiça corrupta e ambivalente

Sim, vou.
(Risos) Você acha mesmo que eu vou te contar isso?

Como você vê a questão da sua sexualidade? Sua imagem na televisão é muito sensual. Sempre foi. Desde “Engraçadinha”. Você é assim na vida real?
Sou uma pessoa normal, se é que se pode usar essa palavra quando se trata desse assunto.

Não tem nenhum tipo de tara, fantasia?
Não, não tenho nenhuma tara maluca. Gosto de homem e me encontro feliz e satisfeita nesse aspecto.

Os homens costumam ficar vulneráveis diante de mulheres sensuais, de personalidade forte. Isso já aconteceu com você? Os homens se aproximam?
Claro que se aproximam! O que seria de mim se eles não se aproximassem? E eu não tenho um jeito assim tão fatal, muito pelo contrário: prefiro a doçura e a feminilidade.

Você sempre se incomodou muito com esse culto à celebridade que alimenta sites de fofocas. Seu afastamento das novelas se deve um pouco a isso ou é apenas uma escolha profissional?
De maneira alguma! Acabou acontecendo porque não apareceu nenhum convite realmente interessante na televisão e apareceu no cinema.

Mas você recusou um papel na novela “Passione” por achar que o papel não combinava com você. Já se viu obrigada a fazer o que não gostava?
Nunca fui obrigada a fazer nada. Faço se acho que o que eu tenho para dar vai ser interessante para o trabalho e vice-versa.

Eu já li você reclamando do ambiente que cerca a televisão…
Sim, esse circo que ronda a tevê é mesmo um saco, mas eu jamais abriria mão do que eu gosto por causa disso. Eu adoro fazer televisão.

Sua mudança para São Paulo, inclusive, teria sido motivada justamente por esse culto à celebridade que é mais forte no Rio do que em São Paulo…
Não mudei definitivamente para São Paulo. O que acontece é que hoje eu consigo viver nas duas cidades, o que me deixa feliz porque elas se completam. Cada uma tem seu charme.

Você afirmou certa vez que “tem uma solidão muito profunda, um lugar onde ninguém chega”. Ainda vive esses momentos de solidão?
Não foi nada disso o que eu falei. Eu gosto da minha solidão.

Você está em um desses momentos?
Ele ocorre quando há muita exposição, assédio. Aí eu me recolho. Existe um lugar preservado disso tudo e que ninguém tem acesso a ele. São águas sagradas mesmo que, graças a Deus, estarão sempre lá.

Muitas mulheres se sentem velhas com 40 anos de idade…
De que mulheres você está falando?

De uma maneira geral. Há uma cobrança estética de preservar a beleza a qualquer custo. Nunca as mulheres recorreram tanto a cirurgias plásticas, à lipoaspiração…
Acho que isso é coisa do passado, não?

Gosto de homem e me encontro feliz e satisfeita com minha sexualidade

Você, aos 41 anos, é bem resolvida com a questão da idade?
Eu achava que era clichê, mas não é não: a vida começa mesmo depois dos 40.

É verdade que você afirmou que nunca mais irá posar nua?
Disse? Não sei, nunca mais pensei nisso.

E essa história de tirar fotos nuas em vários hotéis pelo mundo? Você não tem receio de alguma foto cair na rede como aconteceu recentemente com a atriz Scarlett Johansson?
Meu Deus! Você vem com cada história, hein! Todo mundo é hoje meio metido a fotógrafo. É só um jeito de distrair a cabeça, nada tão sério assim.