JENNIFER LOPEZ

Por Vivi Mascaro

 

J. Lo no camarote da Brahma

O QUE J. LO ESTAVA FAZENDO LÁ NO CAMAROTE DE UMA CERVEJA COM A CARA DE QUEM SOFRE DO FÍGADO? OU ENTÃO CURTIA UMA TREMENDA REBORDOSA? PREFERIU FICAR NO CERCADINHO DO SEGUNDO andar do camarote da Brahma, domingo de Carnaval, nunca trocando mais do que meia dúzia de palavras com quem chegasse por perto, mesmo quando foi a vez do prefeito Eduardo Paes. Aquela que tinha sido escalada para ser a star do Sambódromo, a queridinha de todo o Carnaval carioca de 2012, parecia emburrada. Deu para contabilizar uns três ou quatro sorrisos. Fiquei intrigada. Afinal, ninguém que carrega o nome Jennifer Lopez, sangue latino e uma ginga até que razoável – pelo que mostrou no comercial da cerveja – haveria de ficar indiferente ao contagiante espetáculo das baterias e dos passistas. Ela não tinha prometido “sapucar” ao Zeca Pagodinho? Será que J. Lo nunca sacudiu aqueles imponentes quadris ao ritmo de uma salsa, de uma rumba?
Enquanto o namorado se esbaldava, mergulhado na barafunda do camarote, ela se segurava. O namorado é o dançarino Casper Smart, que aproveitou o conveniente anonimato para circular sem ser incomodado. Só não superou em entusiasmo a insuperável Narcisa Tamborindeguy, desfrutando seu momento superceleb por causa daquele reality show delirante da Band. No camarote rival, da Devassa, a cantora Fergie, abundantemente loira, também fez sua parte, distribuindo tanta simpatia, e até ensaiando frases em português, que alguém podia pensar que ela nasceu na Vila Isabel ou no Méier.

Narcisa Tamborindeguy e Brunete Fraccaroli

Como o senso da curiosidade profissional ainda borbulha de vez em quando nas veias desta aqui que vos escreve, saí a investigar o porquê do bode da rechonchuda J. Lo. Pois é, gente, não foi chilique de diva, mesmo porque o cachê de dois milhões de dólares para dar o ar da graça é o tipo da coisa que desestimula qualquer estrelismo. Ela estava contrariada porque, me disse fonte segura, os patrocinadores queriam submetê-la a mais do que previa o contrato. O contrato falava em duas horas no Sambódromo. Resultado: Jay Lo ficou exatamente uma hora e cinquenta e seis minutos debruçada na sacada, suficiente para ver uma escola e meia, checou o relógio e levou mais quatro minutos vencendo a barreira de cotovelos à sua volta para abandonar o camarote. Duas horas em ponto. Palavra dada, palavra cumprida.

Fergie no camarote da Devassa

J. Lo tem contrato com a Endemol, a megaempresa de entretenimento que criou, por exemplo, a franquia Big Brother. A Endemol foi quem negociou os direitos de imagem da atriz para o Carnaval deste ano. Mas como a empresa está associada hoje, aqui, à Rede Record (e prepara um programa em que J. Lo vai contracenar com Rodrigo Faro, no fim de março, O Melhor do Brasil), a atriz não podia dar entrevista a nenhuma emissora concorrente. Quem acabou tomando um chá de cadeira de duas horas – e nada feito – foi Luciana Gimenez, da Rede TV! Nem sei se Luciana chegou a pensar em usar a credencial de ter um filho de Mick Jagger.

Ricardo Amaral e Christiane Torloni na feijoada do Amaral

“A Jennifer é um amor, easy going, tem um senso de humor maravilhoso”, comentou minha amiga Cristiana Arcangeli, que teve o privilégio de, no dia seguinte, levar o casal J. Lo para um passeio de iate em Angra. Foram também o namorado de Cristiana, Álvaro Garnero, e a diretora-geral da Endemol, Daniela Busoli. A superstar, num biquíni que não chega propriamente a lembrar o estilo Victoria’s Secret, curtiu o sol da extraordinária baía das 365 ilhas sem que nenhum escasso paparazzo viesse lhe aborrecer. Acredito que tem muito mais a ver com o passeio no iate da Cristiane do que com o barulho da Sapucaí a frase festiva que J. Lo tuitou, na despedida: “O Rio foi incrível! Obrigada! Eu sempre me lembrarei do carnaval de 2012”. Educada a moça é.

O prefeito Eduardo Paes e Michel Teló

Estou enganada ou o Carnaval está ficando mais internacional? Ou é o Brasil, todo ele, que está ficando mais internacional? Sei que teve época em que o Jorginho Guinle fazia um arrastão de estrelas em Hollywood e servia de anfitrião a elas (às vezes, mais que isso) nos bailes do Copa e do Municipal. Não vivi esse momento. Mas a impressão é de que o Carnaval andava meio caído, entregue às periguetes e ao elenco de Malhação. Mas quando você vê no camarote da Devassa o lindo, fino e chique Dimitri Mussard, herdeiro da Hermès, levantando a poeira ao lado de sua Maria Sole, dá para pensar: a coisa está ficando séria. E a Sharon Stone em Salvador? A moça se jogou. Ganhou – me disse um indiscreto – cachê dez vezes menor do que o da J. Lo mas parecia, de tão frenética que estava no camarote, ter feito graduação na Timbalada e mestrado no Ilê Aiyê.
Ah, os bailes… O glamour está de volta. Ninguém mais vai achar que quem faz os convites é a mesma pessoa que faz o casting da novela das 7. Não tem ex-BBB nem profissionais da alcova. O Baile da Cidade abriu a saison, na quinta-feira, no Jockey Club da Gávea. Agora, quem organiza é um time de craques do entretenimento: Ricardo Amaral, o filho dele, Bernardo, Alexandre Accioly e Luiz Calainho. Se eles estão nessa, é porque passaram a enxergar no Carnaval um ótimo negócio (A Feijoada do Amaral, sábado, também no Jockey, levou quase quatro mil pessoas, a R$ 500 por cabeça).

Sharon Stone em Salvador

O Baile do Copa rolou na madrugada da segunda-feira. Para quem não viu, fica um breve resumo: luxo, diversão, alegria, black tie e fantasias deslumbrantes. Entre as mais chiques, Donata Meirelles, de Azzaro, a designer argentina Concepción Cochrane, usando vestido de sua grife e a pérfida Christiane Torloni, orgulhosa de poder envergar um modelito feito pelo Markito, estilista que, como vocês sabem, morreu nos anos 80. Ainda cabe nela como uma luva.

A Prefeitura calcula que 800 mil visitantes estiveram este ano no Carnaval do Rio. O clima foi tranquilo, o ambiente sossegado – ainda que a animação, total. O cálculo que a CBF faz é de que a Copa do Mundo deve atrair 700 mil estrangeiros em 2014. Quer dizer, não tem que ficar preocupado. Se o Carnaval segura a onda, o futebol também pode segurar.