RADICAIS CHIQUES

Exageradamente amargas, alcoólicas e inventivas, as “cervejas extremas” estão revolucionando o paladar e elevando a bebida para um novo patamar de intensidade

 

MATURADA NA PEQUENAS CEVEJARIAS ARTESANAIS dos Estados Unidos desde o começo dos anos 1990, a onda das chamadas cervejas extremas vem ganhando o mundo e também espaço nos bares do Brasil. Hoje, há cardápios repletos de ruivas e morenas complexas e saborosas, com gradação alcoólica muitas vezes superior a 10%. De tão amargas, essas “radicais chiques” são praticamente odes ao lúpulo, um dos ingredientes básicos da cerveja. “Quando colocado no início do cozimento, o lúpulo confere amargor. No final do processo, mais aroma”, explica Luis Fabiani, mestre cervejeiro da Cervejaria Nacional, em São Paulo. “Nessas versões extremas, lúpulos diferentes são colocados continuamente, levando o sabor final a outro patamar.”

As novidades vêm embaladas em rótulos modernos e em inovações que incluem congelamento para aumentar a gradação alcoólica, envelhecimento em barris de madeira e receitas com pimentas, raízes e sementes. “As extremas são resultado da influência da inventiva escola belga nos EUA, que carrega no DNA a tradição inglesa da cerveja amarga”, diz Paulo Leite, dono do Empório Sagarana (leia mais na outra página), em São Paulo. No mês passado, a BrewDog, cervejaria escocesa que leva a revolução das cervejas extremas às últimas consequências (e idem com os preços, pois uma long neck da marca pode custar R$ 600), desembarcou no Brasil. Status conversou com o dono da companhia, James Watt (foto ao lado), uma figura mezzo punk mezzo homem de negócios, sobre seus planos e seu amor pelo lúpulo.

 

“Queremos chocar”

Qual a ideia por trás das cervejas BrewDog?
Nós queremos revolucionar o mercado. Queremos chocar com uma atitude nova, mas não apenas isso: somos viciados em lúpulo, em nosso bar em Aberdeen (interior da Escócia) fazemos até pizza com ele, e usamos os melhores do mundo, incluindo americanos e neozelandeses.

E você quer convencer o brasileiro a pagar R$ 600 por menos de 350 ml de cerveja?
Por que as pessoas pagam pequenas fortunas por garrafas de vinho ou uísque e não podem pagar R$ 600 por uma cerveja especial? De fato, estamos elevando a bebida para outro nível, pois usamos sempre os melhores ingredientes e investimos em novas tecnologias, como o congelamento e o envelhecimento em barris de uísque.

Qual o perfil de quem bebe BrewDog?
Nossas cervejas são destinadas realmente para aficionados, não para o bebedor de cerveja comum, aquele que quer tomar dúzias de garrafas. Também não aconselhamos que vocês, brasileiros, gelem demais nossa cerveja, sob o risco de a complexidade de aromas e sabores se perder no frio.

 

O canto das Minas


Escondido em uma esquina pouco movimentada da Lapa, em São Paulo, o Empório Sagarana é um dos melhores bares para você desfrutar de cervejas artesanais com calma e conhecimento. Aberto como empório em agosto de 2009 e ampliado para bar poucos meses depois pelo mineiro Paulo Leite e sua esposa, Priscila, o Sagarana é um respiro para fora do caos da metrópole, emoldurado pela simplicidade e capricho dos melhores empórios dos confins das Minas Gerais. Ali, você pode degustar alguns dos cerca de 100 rótulos de cervejas em um cardápio rotativo e sazonal, sem a balbúrdia presente na maioria dos bares de SP. A equipe de garçons presta uma assessoria simpática sobre cada qualidade e categoria da bebida disponível no dia e indica iguarias para acompanhar – o sanduíche de pancetta com rúcula, queijo canastra e melaço de cana é, por exemplo, imbatível na harmonização com cervejas fortes. A oferta de cachaça também é generosa, assim como a de quitutes típicos do interior mineiro, como doce de leite, compotas e queijos. www.emporiosagarana.com.br

 

Força do interior


O mais novo lançamento da Cervejaria Colorado não será engarrafado. Depois de criar cervejas com mandioca, mel e café, os mestres cervejeiros de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, apostam em uma Imperial IPA não pasteurizada e com rapadura na receita: a Vixnu (pronuncia-se “vishnu”), com nome emprestado da mitologia hindu. O chopp acobreado é elaborado com lúpulos americanos, o que lhe confere um amargor forte e aromas cítricos, sobretudo de maracujá. Tem 9,5% de gradação alcoólica. “Esta cerveja é para quem gosta muito de malte, rapadura e lúpulo. Se você procura uma cerveja aguada, simples e rápida de tomar, não vai encontrá-la nesta garrafa”, aconselha Marcelo Carneiro, um dos donos da cervejaria. www.cervejariacolorado.com.br

 

Raiz da revolução


Quem busca cervejas únicas e inovadoras provavelmente já se deparou com uma Rogue diante de si. Se for o seu caso, pode se considerar um sujeito de sorte. A empresa nascida em Newport, Oregon, está entre as pioneiras na revolução de sabor levada ao mundo pelas microcervejarias norte-americanas. Com mais de 50 variedades, cada uma delas marcada por um emblema mais bonito que o outro, a cervejaria não faz nada fácil ou em grande quantidade. Sua distribuição irregular, inclusive, adiciona um pouco mais de charme a sua fama. Além, é claro, de incríveis invenções à base de trigo sarraceno (a Morimoto Soba), avelã (Hazelnut Brown), zimbro (Juniper Pale Ale), pimenta (Chipotle Ale) e de adições generosas dos mais diversos e raros lúpulos. www.rogue.com