RICO MANSUR

Brinquei com ele que eu ia começar esta conversa com a frase “Rico Mansur namorou metade das minhas amigas modelos; a outra metade quer namorar o Rico Mansur.

 

Por Vivi Mascaro

 

Ele não gostou. “Será que não dá para esquecer essa eterna história de ‘o playboy’?” Dá para esquecer, sim, Rico. Ainda mais agora que você anda, digamos assim, inebriado – ele que não bebe – por ter desfrutado de um acontecimento que ele considera um dos maiores privilégios da sua vida. “Foi a primeira vez que o polo foi capa de jornal no Brasil”, diz Rico.

O acontecimento: uma partida de polo disputada no Haras Larissa, a 114 quilômetros de São Paulo, no dia 12 de março, tendo como protagonista um exemplo autêntico da alta nobiliarquia britânica: o príncipe Harry, filho de Charles e Diana, neto da rainha Elizabeth e irmão de William (e cunhado de Kate Middleton, nunca é demais lembrar). Para quem não está afeito aos assuntos da monarquia britânica: Harry é o terceiro na linha de sucessão ao trono, depois do pai e do irmão mais velho (a resistente vovozinha foi coroada em 1953).

Rico Mansur começou a jogar polo aos 13 anos e é profissional há quase duas décadas. Já varou o mundo disputando torneios (na grama, em Nova York, na Inglaterra, na Espanha, na Argentina, mas também já jogou no gelo, em Cortina d’Ampezzo, na Itália, e até na areia, em Miami). Mas a partida disputada no Brasil, em março, é daquelas que ele nunca mais irá esquecer. “Estavam lá o Harry, meu tio Carlos, meu primo Carlinhos, que, aos 16 anos, já é uma revelação e uma promessa, o Nacho…” – comemora. Ignacio Nacho Figueras, o bonitón argentino, é o mais fotogênico RP do polo em todo o mundo, tanto que há tempo é o rosto das campanhas da Ralph Lauren. Ele e o Mansur fazem uma dupla de tirar o fôlego das menininhas, embora Rico, hoje muito preocupado com sua imagem, desdenhe: “Polo é muito família, nada de azaração.”

Dois timaços de quatro jogadores cada um se enfrentaram por duas horas num gramado um pouco menor do que o convencional (o gramado profissional tem 160 m por 260 m, cabem neles dois campos de futebol) e, noblesse oblige, o príncipe Harry ganhou. “Vão dizer que a gente facilitou”, argumenta Rico. “Mas o time dele era muito forte”. No mundinho do polo, Harry é um amador. Na família, o pai era o melhor. Hoje, aos 63 anos, Charles já não tem o menor fôlego. “Não existe esporte que cobre tanto do seu físico quanto o polo. Você tem de ter força para bater na bola, com uma das mãos, e para segurar as rédeas, com a outra, mas sem elasticidade e destreza não há como fazer as manobras rápidas que o jogo exige”, explica. Não por acaso, Rico vai à academia todos os dias. E pelo menos duas vezes por semana treina com cavalos, num dos 32 campos do Helvetia Country Club, em Indaiatuba, a 108 quilômetros de São Paulo. “O Helvetia é o maior clube de polo do mundo”, festeja Rico. “Nem a Argentina tem coisa igual.”

Rico Mansur disputa a bola com o príncipe Harry no jogo que movimentou o mundo do pólo, no interior de São Paulo

A Argentina está para o polo como o Brasil (quase escrevi: a Argentina) está para o futebol. Há cinco mil jogadores por lá. No Brasil, mal chegam a 300. Não por acaso, Nacho Figueras virou o embaixador do esporte pelo mundo afora. Um Pelé? Um Maradona? Um Messi? “Ele é nosso David Beckham”, corrige Rico, ele próprio no ranking dos 40 melhores jogadores do mundo. O brasileiro e o argentino fazem hoje uma lucrativa dobradinha no business do polo. Ganham para jogar. Disputam juntos os melhores torneios do calendário americano. Junho em Nova York, julho em Los Angeles. “Se eu fosse tão bom no tênis ou no futebol como sou bom no polo, seria hoje um milionário”, diz Rico.

Ele e Nacho bem que tentaram organizar um jogo na areia de Copacabana. Tinham até o apoio do prefeito Eduardo Paes. Mas a poderosa associação dos moradores do bairro implicou – e mais ainda a brigada dos ecologicamente corretos. “É um argumento idiota”, defende-se Rico. “Temos o maior carinho pelos cavalos, a gente troca de quatro a seis montarias numa partida.” Rico e Nacho cogitam agora Ilhabela ou então Florianópolis. Sempre na areia. Em Floripa, então, pode ser ainda mais fácil. Em seu côté empresário da noite, Rico Mansur é sócio do Cafe de la Musique da praia de Jurerê Internacional, um lugar tão bombado, de apelo tão cosmopolita, que o The New York Times elegeu as beach parties de Floripa como as melhores do mundo, à frente de St. Tropez, de Ibiza.

A noite é o segundo cartão de visita do empresário Rico Mansur. Há 12 anos ele decidiu sair da sombra do pai e começar carreira própria abrindo a Disco. Tomou gosto pela coisa. Agora, por exemplo, apressa a abertura em São Paulo da 1Oak, boate de Nova York, do restaurante Bilboquet, também de Manhattan, e da Brasserie des Arts, de St. Tropez. É um negócio que exige disciplina (“tem gente que se perde pela bebida e pela droga”), mas tem suas compensações. Rico sabe do que estou falando. A noite é um ninho de mulheres deslumbrantes e foi nela que Rico construiu um incrível cartel. Como está “em fase tranquila”, namorando firme, há quatro meses, a modelo Cintia Dicker, que exige dele uma permanente ponte aérea São Paulo-Nova York, Rico não quer entrar em detalhes sobre suas antigas conquistas. De todo modo, seis meses com Gisele Bündchen (entre 2002 e 2003), seis meses com a top israelense Bar Refaeli, três anos com Isabeli Fontana, mais uma temporada com Isabella Fiorentino é coisa que ele hoje pode até não querer lembrar, mas que é impossível de esquecer.

“Você alguma vez não namorou modelo?”, eu pergunto. Rico coça a cabeça, pensa por alguns instantes. Difícil dizer. “Ah, teve a Marcella Pastore”, acende a luz. “Mas eu era muito garoto, 19 anos.” Aos 37, anda meio esquisito, o Rico. Tem invejado as pessoas com filhos, anda falando em criar família. Um ou outro amigo sugere até a hipótese de casamento. Será? “Se até o Mario (Bernardo Garnero) casou…”, ele brinca. Conheço o Rico há muitos anos e posso dizer que ele é uma doce criatura, capaz de se apaixonar verdadeiramente, longe do estereótipo do pegador, playboy e cafajeste. Vocês tiveram aí acima uma amostra.