INTERCÂMBIO SEXUAL

Não foi outra coisa que o carioca Sérgio* promoveu com Charlotte, sua colega de voo que viria ao Brasil ensinar inglês gratuitamente. Viria, porque a noite de prazer mudou o rumo da viagem

 

PASSEI MEU FERIADO DE CARNAVAL em Los Angeles, visitando minha namorada francesa que mora lá há alguns anos. Somos ambos atores e nos conhecemos em um set de filmagem. A relação a distância deu e dá supercerto, ela lá e eu aqui, no Rio de Janeiro, pois nos visitamos com frequência, mas nunca caímos na rotina. Não é sobre minha amada namorada que quero falar, porém. Na verdade, a história começa quando eu me despeço dela no aeroporto de LA e embarco rumo ao Brasil; me acomodo no assento 27A e, nada mais que colocar meus fones de ouvido e ligar o iPod, noto que uma linda moça de cabelos lisos e claros senta-se ao meu lado, na 27B. Ah, que sorte tenho, pensei satisfeito. Uma viagem de mais de 12 horas ao lado de uma loirinha é uma coisa, outra completamente diferente é ao lado de um senhor obeso ou uma senhora que não fecha a matraca. Ou ao lado de uma criança chorona, o pior dos mundos.

Sorte realmente é um artigo que não posso considerar escasso na minha bagagem. Pois não só a bela sentou ao meu lado, como em seguida virou-se com um sorriso no rosto perguntando se eu era brasileiro, o que fazia em LA e me informando que estava, ela própria, indo pela primeira vez ao Brasil. E sorriu novamente. Disse se chamar Charlotte e que era canadense de Vancouver, tinha 34 anos, um filho de 9, havia se separado e estava indo para uma cidade perto de Porto Alegre para fazer trabalho voluntário de três meses. Que iria dar aulas de inglês para crianças carentes em Passo Fundo, que santinha! E que estava “very excited to meet the people from Brazil”, seja lá a que tipo de people ela estava se referindo.

Dei minha ficha básica a ela em troca e mantivemos um papo animado, entremeado por risinhos espertos e olhares maliciosos, mas logo adormecemos, aproveitando a escuridão que se instalara no avião. Já sobrevoando o território nacional, Charlotte me disse que ainda não havia comprado a passagem do Rio para Porto Alegre. Eu, obviamente, me prontifiquei a ajudá-la nos trâmites que fossem necessários. Marcamos de nos encontrar no saguão do aeroporto. No guichê da companhia aérea, que surpresa: voos para Porto Alegre, somente no dia seguinte! A moça não desanimou. Comprou o bilhete e, olhando para mim com uma carinha deliciosa, perguntou: “O que posso fazer em um dia no Rio de Janeiro?”

Depois de deixá-la em um albergue em Ipanema, ficamos de nos encontrar à noite, para jantar. Fui para casa descansar, pressentindo que o encontro iria render. Peguei Charlotte na hora combinada e, entre sushis e sashimis, ela pôde me contar que tinha subido o Cristo Redentor, visitado o Jardim Botânico e mergulhado no mar do Leblon. A gata já estava corada de sol e saquê, feliz e ainda mais linda em sua camisetinha de alcinha, pela qual um lindo par de seios grandes, durinhos e rosados se insinuava. Na saída do restaurante, sugeri que fôssemos para meu apartamento, ali perto, e ela topou na hora. A tensão sexual se instalava definitivamente entre nossos corpos.

Ao tirar a chave da porta, Charlotte já me beijava alucinadamente. Um beijo urgente, maturado em 24 horas de paquera. Encostado na porta, fui rendido pela canadense em chamas, que se abaixou de joelhos e, sem cerimônias, colocou meu membro inteiro em sua boca e acariciou-o de todas as formas com sua língua macia. Só posso dizer que a gata me proporcionou o melhor sexo oral que jamais experimentei. Uma técnica tão apurada aliada a um genuíno tesão no felacio me regalou momentos de intenso prazer. Tenho para mim, desde então, que a escola canadense de boquete é comparável em excelência à tradicional escola norte-americana, calcada em um puritanismo besta que incentiva meninas de 14 anos a cair de boca, mas que reprime o intercurso propriamente dito até quase o fim da faculdade.

Consegui me manter sob controle e tiramos toda a roupa. Ela, completamente raspadinha, me olhou nu e, com uma cara maravilhada, exclamou: “It’s amazing!” Retribuí o elogio com o melhor que podia em carinhos, beijos e amassos. Transamos na sala, no sofá, depois na cozinha, quando demos um intervalo para beber água e terminamos a farra no quarto. Conforme o programado, levei-a minutos depois de volta ao hostel e nos despedimos, não sem antes eu lhe dizer que tinha sido um prazer e que, quando ela voltasse ao Rio, que me ligasse. Satisfeito, olhei no relógio e me dei conta que nem sequer era tarde. Tudo perfeito. No fundo, achava que não veria a doce Charlotte tão cedo. Qual não foi minha surpresa quando, no meio da manhã seguinte, toca meu celular e, ao atendê-lo, percebo que do outro lado da linha Charlotte chora como uma criança. Fala com voz trêmula, desesperada.

– Sérgio, desculpe, mas aconteceu um problema. A organização que me receberia em Porto Alegre e me levaria até Passo Fundo não gostou nada de eu ter ficado uma noite aqui no Rio e saído com um desconhecido…
– Mas você contou sobre mim? – perguntei, incrédulo.
– Sim…
– Contou tudo???
– Praticamente tudo, afinal sou uma mulher livre e venho aqui voluntariamente.
– Então, qual o problema?

O problema, me contou Charlotte, entre soluços que não ornavam com a imagem de mulher livre e dona de si, é que a tal organização faz parte de um grupo religioso bastante conservador. E que, ao saber que a futura professorinha de inglês de suas crianças carentes havia caído na gandaia com um carioca oportunista, sua direção decidira negar-lhe a oportunidade de trabalhar voluntariamente em seus projetos filantrópicos, conforme havia sido combinado.

– O pior é que eles estão me pressionando para dizer seu nome. Dizem que vão até denunciá-lo na internet!

Nessa hora, gelei e me arrependi de cada segundo de luxúria vivido na noite passada. Como assim? Ela é “de maior”, e eu só fui um anfitrião cordato e disposto a ajudar! Tentando entender a enrascada em que havia me metido, consegui acalmar a moça, que logo me perguntou se poderia se hospedar por alguns dias no meu apê. Falei que não, infelizmente, pois minha mãe estava para chegar à cidade e lá se hospedaria (mentira), não teria como explicar tal situação, sendo que tenho namorada. Ela aparentemente assimilou a negativa e disse que nos falaríamos mais tarde, pois precisava decidir o que fazer. Desliguei o celular e imediatamente entrei no Facebook para alterar todas as minhas configurações de privacidade, de modo que ninguém pudesse publicar nada por ali. Vai saber! Fumei um, dois, três intranquilos cigarros até receber nova chamada de Charlotte.

– Sérgio, fique tranquilo, conversei com o pessoal do Sul e decidi não ir mesmo para lá se não me querem. Eles prometeram não tomar nenhuma providência drástica. Vou visitar uma conhecida de uma amiga que vive em Búzios. Se eu passar pelo Rio de novo, te ligo.

Liga sim, pensei e mandei beijos, desligando o telefone, quando me dei conta que, de tão suado, precisaria tomar um novo banho para conseguir recuperar as doces lembranças da noite anterior e não me arrepender de nada do que havia feito, absolutamente.

*Sérgio, 37 anos, é ator no Rio de Janeiro

 

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