LENNY KRAVITZ

Cantor, ator, empresário e pegador. Um dos astros pop mais famosos do mundo revela todas as suas facetas e, aos 47 anos, conta que fica nervoso quando apresenta uma namorada nova à filha

 

Por Elaine Guerini, de Los Angeles

 

“A mulher é a melhor coisa que Deus criou.’’ A frase é do roqueiro Lenny Kravitz, pegador de carteirinha que já saiu com algumas das mulheres mais bonitas das telas e das passarelas, como Nicole Kidman, Naomi Campbell, Penélope Cruz, Vanessa Paradis, a brasileira Adriana Lima, Kylie Minogue e Nathalie Imbruglia, entre outras de uma longa lista. E talvez o segredo do músico seja justamente não se gabar de tantas conquistas… Quando o assunto é mulher, o cantor de 47 anos é muito discreto. Tipo gentleman mesmo. “Tenho uma filha de 22 anos. Estaria encrencado se não fosse um cavalheiro’’, brinca o americano, referindo-se à atriz e cantora Zoë Kravitz, da união com a atriz Lisa Bonet (de Cosby show), que durou seis anos. Desde o divórcio, em 1993, Lenny é um solteirão convicto, sempre acompanhado de belas mulheres – mas nunca com a mesma por muito tempo. “Mesmo quando estou sozinho, não sou do tipo que se sente solitário.’’

Kravitz provavelmente não tem tempo para pensar na vida. Estou sempre em movimento. “Não consigo parar”, diz o autor de hits como It ain’t over ’til It’s over e Are you gonna go my way. Quando não está no estúdio, compondo ou gravando, o cantor sai em turnê musical pelo mundo. Atualmente ele promove o último álbum Black and white America. Depois de passar pela América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceania, ele roda a Europa entre os meses de maio e julho. O roqueiro também comanda a Kravitz Design – recentemente, sua empresa assinou a nova linha de poltronas Mademoiselle, de Philippe Starck. E não é tudo. Kravitz ainda dá um jeito de atuar no cinema. Após integrar o elenco de Preciosa (2009), ele conseguiu o papel do estilista Cinna no recém-lançado Jogos vorazes. A versão cinematográfica do fenômeno literário já arrecadou mundialmente cerca de US$ 350 milhões. “Não estranhe se um dia você me vir estrelando um filme meu. Essa é a ideia.”

Leia, a seguir, a entrevista que Kravitz concedeu à Status em Los Angeles, num intervalo da turnê musical. Todo vestido de preto, barba por fazer, óculos escuros e dois piercings no nariz, o cantor abriu um sorriso ao ouvir que a reportagem era do Brasil. “É um dos meus lugares favoritos no mundo’’, diz o cantor, proprietário de uma fazenda em Duas Barras, interior do Rio de Janeiro.

– O que o atrai no Brasil?
– A música, a comida, o povo, a cultura. Há uma energia pulsante que mexe comigo e me faz querer estar no seu país. Adoro o fato de os brasileiros levarem a música, o futebol e o carnaval tão a sério. O que mais aprecio neles é exatamente uma qualidade que falta nos americanos. O brasileiro não espera até ter uma coisa em particular, seja lá o que for, para ser feliz. Nos EUA, nós somos treinados a pensar: quando eu tiver a tevê nova, o carro novo, a casa nova ou outra coisa, aí eu serei feliz. As pessoas no Brasil sabem levar a vida. E eu adoro isso!

– O que mais aprecia na música do Brasil?
– Sou fã dos clássicos, como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Gosto muito de Seu Jorge e também de Ivete Sangalo, que conheci numa viagem à Bahia. Ivete é maravilhosa! Também adoro música de escola de samba. Ainda não consegui passar um Carnaval no Brasil, mas isso está nos meus planos. Sempre que estou no Rio, vou aos ensaios das escolas de samba na cidade. É uma loucura deliciosa! Não há nada parecido no mundo.

– E a mulher brasileira?
– Tenho muitas amigas. Outro dia estávamos falando do funk carioca. Elas reclamam que as letras das músicas são muito vulgares (risos). Como eu não falo português, pelo menos por enquanto, não ligo. Eu adoro a batida. É muito boa. Dá vontade de dançar.

– Como anda a sua vida amorosa? É verdade que você pede conselhos a Zoë, sua filha?
– Não peço conselhos necessariamente. Mas na minha casa é o contrário do habitual. Não é a filha que tem medo de apresentar o namorado novo ao pai. Eu, sim, fico muito nervoso na hora de levar uma namorada nova para casa. Nunca sei se Zoë vai aprovar… (risos).

– O que achou da performance de Zoë como a menina-inseto em X-Men: primeira classe (2011)?
– Fiquei muito orgulhoso. Sabia que Zoë se daria bem interpretando uma super-heroína. Há coisa mais bacana para um pai do que ir ao cinema e ver a sua filha voando na tela?

– Encorajou Zoë quando ela decidiu seguir carreira no show biz?
– Aceitei a vontade dela por perceber que Zoë não queria só seguir os passos da mãe e do pai. O seu desejo de se tornar uma artista era genuíno. A minha filha é muito descolada. Que posso fazer?

– E Zoë tem um estilo único de se vestir. Nisso ela puxou o pai?
– (risos) Eu já fui muito mais radical. Quando vejo as minhas fotos antigas, no palco, até eu me espanto com o meu look. Principalmente pelas botas de salto plataforma e as boás de peles e plumas no pescoço. Aliás, nos últimos tempos minha filha invadiu o meu guarda-roupa e roubou muitas das minhas boás. Isso não deve ser algo muito comum de se ouvir saindo da boca de um pai (risos)…

– Com mais de 20 anos de carreira musical, ainda gosta de estar na estrada, em turnê?
– Adoro! É verdade que a turnê tira muito da minha energia. Mas amo estar diante da plateia e dividir a minha música com gente do mundo inteiro. Foi para isso que me tornei músico. Desde criança, sabia que o meu destino estaria num palco, cantando.

– Você se lembra do primeiro show que viu?
– Sim. Quando tinha 7 anos, vi Jackson Five no Madison Square Garden de Nova York, com o meu pai. Fiquei em êxtase! Até hoje tenho fotos daquele show, tiradas pelo meu pai, na parede da minha casa, em Paris.

– Hoje você tem uma empresa de design. Como encontra tempo para se dedicar a isso e ao cinema? Certamente não é pelo dinheiro…
– Não mesmo. Eu nem preciso de mais dinheiro. Muitas vezes, até ponho dinheiro do meu bolso. Principalmente no início do negócio, como foi com o design. Trabalhei por minha conta durante 12 anos e perdi uma boa quantia nisso. Só agora conseguimos grandes projetos, como o condomínio Paramount Bay de Miami, os hotéis de Toronto e os trabalhos com Philippe Starck. Embora o meu foco ainda esteja na música, procuro canalizar os meus outros impulsos criativos também. Adoro arquitetura e design e, como não encontrava os móveis que queria comprar, foi um passo natural lançar a minha empresa.

– Para um artista do seu calibre, é estranho vê-lo em papéis coadjuvantes nas telas. Tem planos de atuar em alguma grande produção? Talvez um musical só seu?
– Musical, não sei. Mas claro que eu quero interpretar um protagonista. O problema é que tenho muito respeito pelas artes dramáticas. Então não vou me lançar num papel maior, antes de aprender e me aperfeiçoar como ator. Já vi muitos cantores se darem mal no cinema e não quero isso para mim. Não coloco o meu nome em qualquer produto. Se estou envolvido, é porque o projeto significa algo para mim. Tenho muita integridade.

– Você tem casas em vários lugares do mundo. Mas onde você mora?
– Há vários anos me desfiz do meu apartamento em Manhattan (por estimados US$ 15 milhões). Ainda tenho casa em Miami e meu estúdio nas Bahamas, onde gosto de passar temporadas num trailer na praia, só esfriando a cabeça e pescando. Nos últimos anos, minha casa é em Paris. É uma cidade perfeita para as coisas que mais gosto de fazer, quando não estou trabalhando na música: caminhar, visitar museus e sair para jantar. Adoro os jantares intermináveis na França, sempre na companhia de gente interessante.

– Você cozinha?
– Sim. Faço um ótimo cordeiro com alecrim e não decepciono ao preparar pratos italianos. Adoro cozinhar para a minha filha e os amigos dela. Zoë é a minha melhor amiga.