RAUL SEIXAS

Homenageado no cinema, o maluco beleza foi um dos mais irrequietos e autênticos artistas da história da música brasileira

 

O rei do rock nacional finalmente está sendo apresentado às novas gerações. O documentário Raul Seixas: o início, o fim e o meio, dirigido por Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, conta com capricho a vida e obra do baiano que, de seu nascimento, em Salvador em junho de 1945, a sua morte, em São Paulo em agosto de 1989, nunca escolheria o caminho mais fácil. Raulzito fugia da escola para ouvir Elvis Presley e Chuck Berry antes de tentar a sorte no Rio de Janeiro com a banda Os Panteras e, diante do fracasso da empreitada, acabaria passando fome na Cidade Maravilhosa. O Maluco Beleza viu a sorte mudar quando seu primeiro disco Krig-ha, Bandolo! ganhou as paradas com hits como Metamorfose ambulante e Ouro de tolo. Raul ainda firmaria uma prolífica parceria com Paulo Coelho, mergulharia em estudos místicos, seria preso, torturado e exilado nos Estados Unidos, até voltar com o sucesso do LP Gita. Drogas e álcool abasteceriam o compositor até os anos 1980, quando Raul, mesmo com a saúde em frangalhos, ainda conseguiu realizar mais de 50 shows ao lado de Marcelo Nova. É o ex-vocalista da banda Camisa de Vênus quem diz, no filme, que “Raul morreu em pé, cantando e tocando para milhares de fãs”. Fãs estes, por sinal, que mantêm a chama do artista viva. Qualquer roda de amigos com violão em praça, praia ou montanha está aí para comprovar.