DE OLHA NA MÚSICA

Documentários sobre bandas e cantores contam com flashbacks garantidos pelos registros de shows, entrevistas e filmes. E, ainda por cima, encontram a trilha sonora praticamente pronta

 

Por Piti Vieira

 

Algo interessante está acontecendo com os documentários sobre música. O gênero virou o maior filão do cinema atual (se não em bilheteria, pelo menos no interesse dos cineastas). Hoje, vemos veteranos como Nelson Pereira dos Santos e Vladimir Carvalho, realizadores de sucesso como Kevin MacDonald e Walter Carvalho, um diretor experiente como Marcelo Machado e relativos principiantes como Pedro Bial, Renato
Terra e Ricardo Calil se lançarem nessa seara em quase simultaneidade. Confira as histórias que estes diretores andaram contando.

Tropicália Dirigido por Marcelo Machado, a estrutura do filme foge do convencional e as imagens invadem a tela sem precisar de muita explicação. Há muito material inédito, como cenas dos tropicalistas em Londres e no festival da Ilha de Wight, na Inglaterra. E muitos depoimentos, não só de Caetano, Gil e Tom Zé, mas também de Hélio Oiticica e Glauber Rocha.

Rock Brasília – Era de Ouro Saiu consagrado com o prêmio de melhor documentário no último Festival de Paulínia. Dirigido pelo cineasta Vladimir Carvalho, mostra a trajetória do cenário rock/musical de Brasília nos anos 80, desde os primórdios, das bandas embrionárias, até o estouro nacional de Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.

Jorge Mautner – O Filho do Holocausto O documentário de Pedro Bial e Heitor d’Alincourt reúne imagens raras que remontam a vida de Jorge Mautner. A partir de um retrato do artista quando jovem, o filme contempla toda a complexidade deste que, além de músico, poeta e popstar, é o mais importante filósofo de sua geração.

A Música Segundo Tom Jobim Os diretores Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim escolheram o caminho da imagem e do som para exibir o trabalho de Tom Jobim. Não há uma palavra sequer no filme. Uma sucessão de imagens de grandes intérpretes brasileiros e internacionais em performances inesquecíveis, e do próprio músico, em diferentes momentos, alinha a trajetória musical do “maestro soberano”.

Marley O filme é dirigido por Kevin MacDonald, escocês que começou no gênero com documentários como Touching the void, e depois migrou para a ficção, com filmes como O último rei da Escócia. Apresentado como o filme definitivo sobre o músico jamaicano, morto há 31 anos, o longa de 144 minutos é o primeiro a obter autorização da família Marley para usar imagens do arquivo pessoal, com cenas rodadas em Gana, Japão, Inglaterra e, claro, na Jamaica.

Uma Noite em 67 De Ricardo Calil e Renato Terra, o documentário remonta à final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 21 de outubro de 1967. Entre os candidatos que disputavam os principais prêmios figuravam Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil com os Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, protagonista da célebre quebra da viola no palco e lançado para a plateia.

 

A nova gata da música eletrônica


Nina Kraviz é uma dentista nascida na Sibéria, partidária da oposição a Vladimir Putin, produtora, DJ e cantora, e absurdamente gata. Logo deu para ver que Nina não é apenas uma mulher atraente, de lábios carnudos e olhar felino, a brincar de DJ nas noites cálidas de sexta-feira no clube moscovita Propaganda. Seu primeiro LP homônimo orbita entre o techno soul, a micro house e o downtempo, revelando toda uma diversidade estilística e capacidade de produção e composição. Mais do que um simples disco para dançar, transmutando o ambiente festivo das pistas de dança que ela incendeia pelo mundo afora (Ibiza, Portugal, México…), estamos perante algo maior e inesperado. Você ainda vai ouvir falar muito dela e, se der sorte, vê-la tocar de perto.

 

Musa do mês


Em turnê com o ótimo disco Carava sereia bloom, a cantora e compositora paulistana Céu deixou de vez a timidez de lado. Na segunda parte do show, ela aparece com um vestido de lantejoulas sexy, com uma fenda frontal que tem encantado ainda mais os marmanjos. E ela dança, faz charme, se ajoelha no chão, coisas que antes não se deixava. Nada melhor para um artista do que se permitir.

 

Palinha