A CAMINHO DO BRASIL

O indiano Vikram Chatwal, magnata dono de alguns dos hotéis mais badalados de Nova York, chega ao país com um empreendimento que promete agitar a noite paulistana

 

Por Mario Bernardo Garnero e Luís Marcelo Nunes, de Nova York

 

ELE FOI NOTÍCIA NO MUNDO INTEIRO ao protagonizar uma das cerimônias de casamento mais nababescas da história. Foram 600 convidados de 26 países com direito a tour de dez dias pela Índia, festa no luxuoso hotel Lake Palace, na cidade de Udaipur, e as presenças ilustres de personalidades como o ex-presidente americano Bill Clinton, o escritor-guru Deepak Chopra, a top model Naomi Campbell e o rapper P.Diddy no regabofe de US$ 20 milhões. Foi assim, com contornos hollywoodianos, que Vikram Chatwal, magnata da indústria hoteleira nos EUA, dono de uma fortuna estimada em US$ 750 milhões, se uniu à bela modelo indiana Priya Sachdev. O casamento aconteceu em 2006 e os dois já se separaram, mas Vikram não perde a forma quando o assunto é chamar a atenção. Aos 40 anos, esse empreendedor, dono de hotéis-butiques espalhados pela Ásia e pelos Estados Unidos, se prepara para causar estardalhaço no Brasil. Vikram confirmou com exclusividade à Status que está prestes a anunciar a abertura de seu Dream Hotel, um dos mais badalados de Manhattan, na cidade de São Paulo. “Seria fantástico ter tudo concluído antes da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos e já estamos conversando com parceiros fortes no Brasil”, diz. Trata-se de um investimento de, no mínimo, R$ 300 milhões em um empreendimento próximo da avenida Paulista.

O seu histórico mostra que é melhor não duvidar do que ele diz. Vikram projetou seu primeiro hotel na cidade de Nova York aos 28 anos, e foi na concorrida Manhathan que redefiniu o conceito do luxo somado ao design, um estilo chamado de “urban chic”. Foi seu primeiro passo na construção de um grupo que hoje engloba cinco hotéis nos Estados Unidos e mais oito em outros países com as marcas Chatwal, The Time, Dream, Stay e Night. Mas a joia da coroa é mesmo o Dream, com um mix de restaurantes badalados, áreas de lazer e bares que atraem jovens endinheirados dos Estados Unidos e do mundo inteiro. Ali transita o grand monde de Manhattan: empresários, políticos e top models como Gisele Bündchen e Kate Moss. Não é à toa, portanto, que suas diárias saem por cerca de US$ 450.

Vikram sabe usar suas conexões sociais como poucas pessoas e aproveita também o fato de circular entre celebridades com desenvoltura. Afinal, além de administrar um império da hotelaria, ele atuou em filmes de Hollywood e Bollywood. Um dos clássicos encenados por ele foi Zoolander (2001), comédia dirigida e estrelada por Ben Stiller. E, quando não está filmando ou administrando seus hotéis, Vikram pode ser encontrado na Riviera Francesa, onde costuma desfilar a bordo de seu iate de 150 pés. Detalhe: sempre rodeado de belas mulheres. A problemática e espevitada atriz Lindsay Lohan, por exemplo, foi uma de suas conquistas. Hoje, anda mais calmo ao lado da exuberante modelo Angela Lindval.

O gosto e o interesse pela indústria do entretenimento foram herdados de seu pai, Sant Sing Chatwal, dono da rede Hampshire Hotels & Resorts, com unidades espalhadas pelo mundo. Atualmente, eles trabalham juntos somando forças e ideias. Os dois, inclusive, anunciaram recentemente que vão construir 52 hotéis na Índia. No caso do Brasil, o objetivo é começar o desembarque em São Paulo e, depois, inaugurar outra unidade no Rio de Janeiro. “Há um enorme mercado a ser explorado no setor hoteleiro brasileiro”, diz Vikram.

O Dream Hotel (fotos), recém-inaugurado em Manhattan, aposta em design, restaurantes e bares que atraem os jovens endinheirados de Nova York

 

“ESTAMOS BUSCANDO PARCEIROS FORTES”

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Qual é o segredo do The Chatwal, o hotel seis-estrelas do grupo, e do Dream, que é o mais procurado pelos jovens endinheirados de Nova York?
No Chatwal, exigimos os melhores serviços possíveis. Somos uma empresa de alto padrão, competindo diretamente com o Aman, o Four Seasons e o Ritz-Carlton. No Dream, temos que ser de vanguarda. Design, bares, boates e excelentes restaurantes. O nível do pessoal de atendimento é o que torna cada hotel tão superior. Embora diferentes em perspectiva e na clientela, os princípios fundamentais permanecem os mesmos.

Quanto o grupo investiu no setor hoteleiro dos EUA?
Foram US$ 750 milhões. Agora estamos estudando a entrada em cidades como Londres, Paris, Viena, Praga…

Quais são seus planos para o Brasil, levando em conta a Copa e os Jogos Olímpicos?
Estamos empenhados na abertura de uma unidade em São Paulo, em breve. Seria fantástico ter tudo concluído antes desses eventos. Por isso, estamos buscando parceiros fortes no Brasil. Há um enorme mercado a ser explorado no setor hoteleiro brasileiro.