AGORA SÃO ELAS NO BOTECO

O maravilhoso universo das cervejas especiais é o convite perfeito para quebrar qualquer resistência feminina à mais popular bebida do planeta

 

Por Bruno Weis

 

Se sua namorada ou esposa se encaixa naquela categoria de mulher que não gosta de cerveja, agora é a hora certa de levá-la a seu boteco favorito – e, quem sabe, torná-la sua melhor parceira de copo. Afinal, o paladar feminino pode ser o maior beneficiado pela atual inundação de novos rótulos no mercado de cervejas especiais, muitas delas artesanais, tanto brasileiras quanto importadas. “Antes só havia o tipo Pilsen, que, por ser mais amargo, não agrada a todas as mulheres. A opção era tomar Malzbier”, lembra a sommelière Carolina Oda (foto acima). “Nosso paladar em geral tem maior tolerância com sabores ácidos e doces e menos com o gosto amargo. As feministas que me desculpem, mas somos diferentes”, delimita a especialista, que sugere quatro rótulos para as meninas se iniciarem (veja abaixo). “A degustação de cervejas artesanais é parte de um movimento mais amplo, de fruição de produtos de qualidade”, afirma a também sommelière Kathia Zanatta (foto ao lado), responsável pelo Clubeer, site de cervejas “gourmet”. “Elas têm sabores e aromas mais ricos e diversos, estimulando o olfato feminino, que, normalmente, já é mais apurado pela atenção que prestamos a perfumes e cheiros na cozinha”, completa Kathia, que sugere a iniciação pelas cervejas belgas de trigo, “frutadas, cítricas e levemente adocicadas”. “O primeiro passo de um caminho sem retorno. Quem prova uma cerveja mais sofisticada dificilmente volta a beber aquelas comuns, industriais”, aposta a bela expert.

 

Amor sem amargor

Dois rótulos nacionais e dois importados indicados pela sommelière Carolina Oda para você introduzir sua gata em loiras, ruivas e morenas de atitude:

Colorado Demoiselle

A cerveja de Ribeirão Preto tem sabor de café e harmoniza perfeitamente com sobremesas que levam creme ou chocolate. Tem um amargor parecido com o do próprio café.

Eisenbahn Lust

Feita em Blumenau pelo método champenoise, com segunda fermentação na garrafa. Servida em taça de champanhe, impressiona pelo requinte e, com 10,5% de álcool, é bem impactante.

BrewDog 5 a.m. Saint

A escocesa é muito frutada e ao mesmo tempo equilibrada, lembra lichia e manga, com um leve amargor que serve como introdução ao mundo dos lúpulos “indomáveis”.

Tripel Karmeliet

É frutada, cítrica e encorpada e, mesmo com 8% de álcool, é fácil de tomar. Uma deliciosa representante da escola belga de cervejas, a mais inventiva do mundo.

 

Surpresas brasileiras

Um dos melhores bares em São Paulo para mergulhar na vitalidade da produção nacional de cervejas nacionais é o despretensioso Cerveja Gourmet, aberto no fim do ano passado em uma esquina da Lapa como desdobramento de um site de vendas online. O foco do lugar são as Lagers, Ales e Stouts engarrafadas no Sul do País, interior de São Paulo e de Minas Gerais. A carta tem 42 rótulos nacionais, divididos em “delícias de trigo”, “amarguinhas”, “potentes” e “cervejas vivas”, não pasteurizadas, contra 20 estrangeiros. “Meu maior prazer é revelar ao cliente a excelência da nossa cerveja artesanal, um mercado que vem crescendo e trazendo ótimas surpresas”, diz Fernando Fares, um dos sócios da casa. www.cervejagourmet.com

 

O inverno deu motivo

    

Se o verão é a temporada das cervejas leves, loiras e refrescantes, o inverno recém-chegado também é, ou quase. É a época das ruivas e morenas fortes, amargas e encorpadas. A Cervejaria Nacional, um dos atuais templos paulistanos dos amantes das cervejas artesanais – é fábrica, bar e restaurante, tudo no mesmo lugar –, não pediu motivo maior para lançar três receitas sazonais (no destaque). A primeira é a Uacari, uma Ale vermelha como a espécie de macaco amazônico que a batiza, com 6,5% de álcool e que inclui caldo de cana na receita. A segunda é a Labareda, uma Bock tradicional com aroma de açúcar queimado e caramelo com 6% de graduação alcoólica; e a terceira é a Saravá, uma Russian Imperial Stout, cerveja densa e licorosa e com forte aroma de maltes torrados. www.cervejarianacional.com.br

 

Lançamentos

Italianas

       

Fundada em 2007, a Del Ducato se tornou a microcervejaria mais premiada da Itália. Apostando em receitas ousadas e rótulos irreverentes, chega ao Brasil com 16 variedades imperdíveis, incluindo a Machete, uma American Imperial IPA bem “lupulada”, a Luna Rossa, uma Sour Ale envelhecida em barris de carvalho por dois anos, e a Blonde, uma Ale feita com lúpulos belgas e com marcante aroma herbal. www.birrificiodelducato.net

Amazônica

Depois da cerveja de bacuri, a nova aposta da Amazon Beer, cervejaria de Belém do Pará, é a Taperebá Witbier. A estrela, claro, é a fruta amazônica taperebá (ou cajá), cujo aroma entre o ácido e o doce marca a receita feita com maltes de trigo e cevada, de tradição belga. www.amazonbeer.com.br