MARIANA WEICKERT

“A paixão e como a gripe: tem principio, meio e fim”, diz a Mari. Dá vontade de provocar: aos 30 anos, é um abuso uma pessoa ser emocionalmente tão madura assim, madura demais para a idade.

 

Por Vivi Mascaro

 

 

“Olha, eu adoro me apaixonar”– ela se explica. “Mas paixão é como um neurotransmissor X que passa a informação X, é um ciclo. Ao se apaixonar, a gente fica muito feliz mas também muito vulnerável.”

Mariana Weickert, com o charmoso ar de quem está sempre filosofando, vive aquela fase de “quero meu equilíbrio, quero paz”. O que – as pessoas que a conhecem sabem disso – não significa que ela tenha botado uma pedra de gelo no seu coração. Ela é emoção à flor da pele, uma inteligência que borbulha, um humor que encanta. Se Mari tenta hoje administrar as armadilhas da paixão, a verdade é, na contramão da expectativa dela, que não tem um amigo meu que não se apaixone pela Mari em dez minutos de conversa.

Fomos almoçar no Parigi, da rua Amauri – restaurante engravatado onde negócios milionários são fechados em torno do bollito misto do lendário maître Attico. Sabia que ela, ex-modelo em plena forma, não é do tipo que ia se conformar com duas folhas de alface na refeição. Mas comeu leve – uma piccata al limone – e tomou uma taça de Bordeaux. A conversa rendeu e, quando a gente percebeu, eram quase cinco da tarde. O proprietário, Rogerio Fasano, veio à mesa e lembrou a noite em que a Mari assumiu o bar do Fasano, produzindo incríveis coquetéis. “Eu sou uma surpresa atrás da outra”, diz ela, com uma gargalhada. A sério: ela diz que foi só uma brincadeira, está longe de ser uma bartender de carteirinha. “É que aprecio comer e beber”, explica. “E dormir?” – pergunto, sem saber muito por quê. “E dormir. Adoro dormir.” Mais um sinal da saúde mental da Mari.

Ela está no GNT apresentando, pelo segundo ano seguido, o programa Vamos combinar. É uma espécie de SOS da moda para quem busca esse tipo de autoajuda. “É para a classe B2”, diz Mari. “B2 é o nome que a gente dá hoje à antiga classe C.” Não fala só de roupa; ensina de maquiagem a conduta em ambientes sociais.

Ela parece ter nascido para a televisão, mas em relação à moda – começou nas passarelas e nos editoriais aos 16 anos – tem um vínculo ambíguo. “Cresci com o [Karl] Lagerfeld me alfinetando, em provas de roupa. Tive momentos felizes e infelizes. Mas nunca quis fazer da moda o meu estilo de vida.” Senão ela não teria perdido, por exemplo, aquele convite de ir à festa de Donatella Versace depois de um desfile dela em Milão. “Não fui nem para dizer se era lindo ou cafona.”

A moda ajudou-a, desde muito cedo, a pagar as contas que hoje a tevê paga. De todo modo, o preço é o mesmo: a superexposição. “A gente se sente olhada o tempo todo, como se as pessoas dissessem, ‘ela nem é tão bonita assim, não é tão alta.” Por isso é que diz: “O momento meu, meu porto seguro, onde sou eu de verdade, é minha casa.” O divã junguiano do dr. Lacaz também ajuda a encontrar o equilíbrio nem sempre natural em alguém que – transportada para outra esfera espiritual – descobriu um dia, no Gantois, que é filha do sábio e agradável Oxóssi com Iansã guerreira.

Catarinense de Blumenau, Mari morou seis anos em Nova York, mas acabou tomando “ojeriza” pela cidade e pelo mundinho fashion que frequentava. Uma paixão, dessas cheias de espinhos e consequências, piorou as coisas. Veio trabalhar numa semana de moda de São Paulo, tinha agendado desfiles em Londres, em Paris, em Milão, mas foi ficando, ficando… e ficou. “Adoro o ritmo e a praticidade de São Paulo”. Foi quando surgiu o primeiro convite para a tevê – ser entrevistadora, ao lado de Marcelo Tas e do Lobão, no Saca-Rolha, da Band 21. “Foi um extraordinário aprendizado, um momento profissionalmente mágico”, lembra. “Numa semana, entrevistava Bruna Surfistinha, na outra o [Aloizio] Mercadante. Muito melhor do que abrir show da Dior ou da Chanel.”