THE ROLLING STONES: 50 ANOS A MIL POR HORA

Em 1962, subia pela primeira vez ao palco do club Marquee, em Londres, um dos mais emblemáticos grupos da história: os Rolling Stones. Confira quem foram as mulheres que influenciaram a banda, a lenda de Mick Jagger e os discos, filmes, livros e shows que colocaram os britânicos no altar do rock ‘n’ roll

 

Por  Piti Vieira

 

Suas musas

Considerado o mais discreto dos Stones, Charlie Watts é casado desde 1964 com a mesma mulher, a britânica Shirley Ann Shepherd , mãe de sua filha, Seraphina. Monogâmico e fiel, Watts sempre recusou as ofertas sexuais das groupies. Sua história mais famosa vem da turnê de 1972, nos EUA, quando Hugh Heffner os convidou para uma festa em sua mansão, e o músico aproveitou apenas a sala de jogos da casa.

Keith Richards teve uma paixão avassaladora pela cantora americana Ronnie Bennet (1), do grupo The Ronettes. O romance dos dois nunca passou da troca de olhares e de Keith ajudando-a a arrumar suas malas para uma turnê. O guitarrista foi casado de 1967 a 1979 com a atriz italiana Anita Pallenberg (2), com quem teve três filhos (Marlon, Angela e Tara, que morreu três meses após seu nascimento). A letra da canção Sister morphine tem trechos sobre Anita que, na época, estava hospitalizada sob efeito de morfina. A supermodelo americana Patti Hansen (3) é a atual mulher de Keith, e mãe de Alexandra e Theodora Richards.

Mick Jagger casou-se duas vezes e teve sete filhos com quatro mulheres – todas eram modelos. Com a americana Marsha Hunt (1) teve Karis, nascido em 1970. Jade nasceu em 1971 de seu casamento com a nicaraguense Bianca Jagger (2). Elizabeth (de 1984), James (de 1985), Georgia (de 1992) e Gabriel (de 1997) vieram de seu segundo matrimônio, com a americana Jerry Hall (3). Por último, nasceu Lucas, em 1999, de seu flerte com a brasileira Luciana Gimenez (4). Mas o maior pegador do rock teve vários outros casos. Entre 1963 e 1966, namorou a modelo inglesa Chrissie Shrimpton (5), que inspirou Yesterday’s papers e Under my thumb. A cantora britânica Marianne Faithful (6), que ficou com dois outros integrantes do grupo, mas decidiu namorar Jagger, também foi homenageada com faixas como Let’s spend the night together e You can’t always get what you want.

Ron Wood tem quatro filhos e foi casado duas vezes. Com a primeira mulher, a groupie inglesa Krissy Wood (1), ficou de 1971 a 1978. Nesse período, ele teve um caso com a ex-mulher do beatle George Harrison, a também inglesa Pattie Boyd (2), que mais tarde se casou com Eric Clapton. Em 1985, ele se casou com a modelo britânica Jo Wood (3), com quem teve Leah e Tyrone. O casamento durou 23 anos. Ron namorou durante quase dois anos a brasileira Ana Araújo (4), 30 anos mais nova. Em 2010, o casal se agrediu fisicamente porque ela encontrou uma foto da ex dele.

 

A lenda

Há anos circulam rumores de que David Bowie e Mick Jagger dividiam mais que o talento na música e uma grande amizade. Em Mick: the wild life and mad genius of Jagger (Mick: A vida selvagem e o gênio louco de Jagger), recente biografia lançada sobre o vocalista dos Rolling Stones, o autor Christopher Andersen alega que a química entre os dois foi instantânea, logo no primeiro encontro, quando Jagger visitou o backstage de um show de Bowie em 1973. Segundo o livro, em outubro de 1973, Angie Bowie, então mulher do cantor, tinha ficado fora de Londres por alguns dias. Quando ela voltou para casa, em uma manhã, foi direto para a cozinha fazer um chá e a empregada, que tinha chegado uma hora antes, aproximou-se dela e disse: alguém está na sua cama. Angie subiu para seu quarto, lentamente abriu a porta, e lá estavam eles: Mick Jagger e David Bowie, nus na cama, dormindo. Ambos acordaram com um sobressalto.

 

Os melhores shows da banda em todos os tempos

O show grátis dos Rolling Stones em Copacabana, o único no Brasil da turnê A Bigger Bang World Tour, aconteceu no dia 18 de fevereiro de 2006, diante de um público estimado em 1,3 milhão de pessoas, com duração de duas horas.

Em 18 de julho de 1978, em Forth Worth, no Texas, Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood, Charlie Watts e Bill Wyman apresentaram a turnê Some Girls e provaram que a banda, depois de uma temporada longe dos palcos, não estava para brincadeira.

 

Palinha

Baseado em entrevistas de Keith Richards, contamos sobre suas preferências musicais e outras curiosidades Música favorita deste ano (até agora): Freedom at 21, do Jack White.

Três músicas antigas favoritas: Little queenie, de Chuck Berry; Mystery train, com o Elvis; e Innocent people cry, de Gregory Isaacs.
Artista novo favorito: Não tenho nenhum. Acho uma porcaria tudo o que está por aí.
Último grande show a que assisti: O da turnê atual do Jack White.
Equipamento musical ou instrumento favorito: Guitarra.
Disco preferido que comprei: Heartbreak Hotel, do Elvis.
Melhor cidade para tocar: Londres.
Coisa mais estranha que já recebeu de um fã: Um trabalho de macumba*.
Meu toque de celular: O tema do Piratas do Caribe*.

*respostas supostas pela redação de Status

 

Para ouvir
Os três melhores discos da história

Beggars Banquet (1968)

Abre com Sympathy for the devil, em que Jagger reconta a história da humanidade pela ótica de Lúcifer, apresentado aqui como um ser rico e de bom gosto, responsável pela morte de Cristo e pela revolução russa.

Sticky Fingers (1971)

Primeiro disco do grupo sem o guitarrista Brian Jones, morto em 1969. Com canções sobre drogas e sexo, traz pela primeira vez o famoso logo da boca e conta os clássicos Brown sugar, Wild horses e Sister morphine.

Exile on Main St. (álbum duplo de 1972)

Tido como um dos melhores discos deles, mostra os Stones em sua maturidade musical. Sucessos como All down the line, Tumbling dice e Happy estão todos no repertório.

 

Para ler
Três livros para compreender os Stones

Jagger – A Biografia (Editora Benvirá)

O jornalista musical Marc Spitz traça um perfil do astro por meio das lembranças de amigos e colegas que cruzaram seu caminho, e revela as múltiplas facetas do cantor, até então escondidas sob sua imagem de sex symbol.

According to the Rolling Stones (Ed. Cosac Naify)

Como o título diz (Segundo os Rolling Stones), é um apanhado de entrevistas que os quatro atuais integrantes da banda deram durante a turnê Forty Licks contando sua história, das crises aos êxitos nesses 50 anos.

Vida (Ed. Globo)

Relato do próprio Keith Richards desde a infância, passando pela obsessão pelos discos de Chuck Berry e Muddy Waters até o encontro com Mick Jagger, suas prisões, as mulheres, ovício em álcool e heroína, entre outros escândalos.

 

Para assistir
Dois documentários reveladores sobre a banda

Sympathy for the Devil (1968)

Originalmente intitulado One plus one, o longa dirigido pelo cineasta francês Jean-Luc Godard intercala cenas do grupo revolucionário Panteras Negras com as sessões de gravação da famosa canção do grupo, em plena crise com Brian Jones.

Shine a Light (2008)

Filmado no Beacon Theater, em Nova York, com 20 câmeras e uma plateia de fãs, o documentário de Martin Scorsese mostra em detalhes toda a energia da banda já na fase em que não precisa provar mais nada para ninguém.