NA ONDA DE CAMERON DIAZ

Fizemos dez perguntas para uma das atrizes mais bonitas de Hollywood. Ela revela sua paixão pelo surf, seu vício em malhar e também como gosta de “perder o controle” sobre o corpo

 

Por Elaine Guerini, de Los Angeles

 

DESDE QUE SE PROJETOU NAS TELAS (em 1994, virando a cabeça de Jim Carrey em O Máskara), Cameron Diaz coleciona cenas constrangedoras em sua filmografia. Como usar esperma em vez de gel de cabelo na comédia Quem Vai Ficar com Mary?’ (1998) – certamente o exemplo mais emblemático. Sempre arredia à ideia de posar de estrela (“Nunca fico me admirando diante do espelho”), a loira de olhos azuis abusa ainda mais do jeito moleca às vésperas de completar 40 anos (em 30 de agosto). “O que posso fazer se sou um garoto de 15 anos preso num corpo de mulher?’’, brinca Cami, como ela é chamada pelos amigos.

Embora rode um ou dois filmes por ano, Cameron sempre encontra tempo para fazer o que mais gosta. Ou seja, malhar, surfar, viajar e curtir a vida. “Nunca fui workaholic, graças a Deus!’’ Quando ela resolve dizer sim a um novo projeto, pode apostar que é para rir um pouco de si mesma. “Antes mesmo que qualquer um tire sarro de mim, eu mesma faço isso’’, conta a atriz, que fez os colegas da comédia “O Que Esperar Quando Você Está Esperando’’ (foto acima) morrerem de rir no set. Na pele de uma dançarina grávida, ela teve de usar uma generosa prótese de seios. “O que ninguém imaginava é que eles começariam a derreter e acabariam na minha cintura. Não resisti em fazer piada disso e mostrei os peitos caídos para todo mundo’’, lembra.

Leia a seguir a entrevista que a atriz concedeu em Los Angeles, enquanto promovia a adaptação cinematográfica do livro de Heidi Murkoff, que é considerado a “Bíblia das grávidas’’. O filme acaba de ser lançado no Brasil.

– Você esteve muito convincente na hora em que sua personagem dá à luz no filme…
– Já estive na sala de parto três vezes, quando a minha irmã teve seus filhos. Eu sei muito bem o que é isso. Já acompanhei tanto cesariana quanto parto normal. E posso garantir que vi coisas que não gostaria de ter visto (risos).

– É verdade que, quando não está filmando, passa boa parte do tempo malhando?
– Pode me chamar de viciada, se quiser. Mas a verdade é que eu gosto de me cuidar. De verdade. É algo que faço com prazer e com consistência. Acho importante cuidar do corpo. Faço isso não só pensando no hoje como no resto da minha vida. Eu me exercito para poder fazer aos 60 anos o que ainda faço agora. Adoro me mexer, suar e acelerar o meu coração. Tenho uma relação muito forte com o meu corpo, sabendo exatamente o que me faz bem e o que me faz mal.

– Gosta de sentir o controle sobre o seu corpo?
– Dá mesmo uma imensa satisfação perceber no corpo os efeitos de tudo o que você faz. Quando revejo as minhas fotos aos 20 anos, não me acho tão mal. Mas prefiro o corpo que conquistei com o passar dos anos. Transformar o nosso físico dá uma sensação de poder. Mas gosto de perder o controle do corpo também (risos).

– Em quais situações?
– Perco o controle quando estou surfando ou fazendo snowboard. É aí que eu me rendo e deixo a natureza seguir o seu curso. É muito emocionante!

– Em que outros momentos perde esse controle?
– Em muitos outros momentos… Pode ter certeza (risos). E é bom que seja assim. Mas não vou dizer mais nada além disso…

– O que surfar representa para você?
– É uma experiência espiritual. É a minha maneira de me conectar com uma força maior e de interagir com a mãe natureza. Adoro cair na água e sentir aquela energia maravilhosa que vem do oceano me empurrando até a praia. É o máximo viver o momento. É algo muito maior do que eu.

– É verdade que o filme As Panteras (2000) mudou a sua vida, por colocar você em contato com o surf e o esporte em geral?
– É. Sei que parece loucura, mas antes das filmagens de As Panteras eu nunca tinha me exercitado. Sempre associava a ideia de exercícios com dor e desconforto. Mas bastou eu começar a treinar oito horas por dia, cinco vezes por semana, por três meses, para mudar de ideia completamente. Percebi que o mais importante não é a aparência que você ganha ao fazer esportes. Mas sim como você passa a se sentir.

– Você também não sabia surfar?
– Não. Apesar de ter crescido na Califórnia, peguei uma prancha pela primeira vez para rodar o filme. Quando era criança e adolescente, não tinha prancha e muito menos alguém para me ensinar. Só aprendi mesmo quando a equipe do filme contratou um instrutor para mim. É por isso que amo tanto a profissão que escolhi. Ela está constantemente abrindo novas portas na minha vida.

– E o que mais detesta na profissão?
– Lidar com toda a superficialidade que gravita ao redor do trabalho do ator de cinema. Recentemente houve uma polêmica ridícula por conta do meu corte de cabelo. Minha cabeleireira, uma amiga que eu adoro, cortou o meu cabelo um pouco mais curto do que eu esperava. Que mulher nunca passou por isso? Mas aí eu fui fazer graça, já que eu adoro entreter as pessoas, e comentei esse episódio numa entrevista. Foi o que a mídia precisava para fazer um estardalhaço. Começaram a falar mal da minha cabeleireira, como se ela tivesse arruinado o meu cabelo. A coitada não parou mais de receber telefonemas dos tabloides. E eu passei a receber ligações de outros cabeleireiros se oferecendo para cortar o meu cabelo. Um inferno!

– Qual a pergunta que mais odeia ouvir?
– “Quem beija melhor, Fulano ou Beltrano?”. Detesto essa. É por isso que durante muito anos respondi que era o cãozinho de Quem Vai Ficar com Mary?’ (risos).