CHOLITAS BOAS DE BRIGA

Elas não brincam em serviço e botam muitos homens na lona. Mergulhamos no mundo das temidas lutadoras bolivianas, que entram no ringue de saia e sapato e, se preciso, saem de lá ensanguentadas

 

Por Rocío Lloret Céspedes, de La Paz (Bolívia)        
Fotos Christian Lombardi

 

Julia, La Paceña dá uma voadora mortal em “Jennifer dos caras”

Atordoada, Dulce Rosa tenta reagir aos duros golpes que massacram seu corpo no centro do ringue do Coliseo del Plan 3000, na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Suas pernas tremem diante da sequência de chutes e socos, ela cambaleia de um lado para o outro e, como numa última e derradeira chance, dispara um soco. Mas o esforço é em vão.

O cruzado de direita rasga o ar e, novamente, ela fica vulnerável. Ao seu redor, milhares de pessoas gritam histericamente para que ela se esquive. Apesar do barulho ensurdecedor, Dulce Rosa consegue escutar a voz desesperada de sua mãe, Polonia Ana Choque Silvestre, a ex-lutadora Carmen Rosa, em meio àquela plateia que faz lembrar um antigo circo romano. “Com a cadeira! Com a cadeira!”, diz Polonia, suplicando para que a filha saia daquela situação e bata na oponente. Mas ela não tem tempo de obedecer. Quando volta à consciência e acorda, a lutadora está no pronto-socorro com um médico suturando o ferimento em sua cabeça. Ela nunca soube se o desmaio foi pela cadeirada que a surpreendeu por trás ou pelo choque com a barra de ferro. Talvez por causa de ambos, somados ao pânico que sentiu quando percebeu que era difícil escapar à agilidade e experiência de sua rival, a temida Julia, La Paceña, uma mulher magra, dona de mãos grandes e ossudas, descendente de uma lendária família de lutadores de cachascán boliviano (espécie de luta livre boliviana – o nome é derivado do inglês “catch-as-catch-can” – agarre como puder).

“Ana, La Vengadora” voa na cabeça de Carmen Rosa

A cena de Dulce Rosa completamente ensanguentada era diametralmente oposta à que o público acompanhou 20 minutos antes. Vestida com uma capa branca, delicadamente presa com um broche de prata banhado em ouro, uma blusa presa ao corpo e uma saia da mesma cor, ela entrou no ginásio, sentada na garupa de uma motocicleta preta, depois de o locutor anunciar seu nome. Estava radiante. No fundo, tocava um rock pesado e a plateia, em puro êxtase, gritava seu nome sem parar. Julia, sua oponente, também estava elegante. Trajando um vestido semelhante ao de sua adversária, mas em tons de amarelo, entrou movendo-se no compasso de uma “morenada”, ritmo típico dos Andes bolivianos. As duas subiram no ringue com uma facilidade invejável e, quando o juiz disse “en lucha” (lutem), esqueceram a delicadeza feminina e se encararam com o mesmo olhar assassino que tomava conta de Muhammad Ali quando encontrava um adversário pela frente.

Esse tipo de briga entre mulheres rechonchudas, maquiadas e vestidas como se estivessem saindo de casa para passear na rua, é um dos espetáculos mais impressionantes da Bolívia – uma febre que se espalha pelas principais cidades do país. Trata-se da famosa luta livre de cholitas.“O que chama a atenção dos estrangeiros é que as lutadoras são mulheres comuns que são vistas diariamente nas ruas e se transformam em guerreiras aos domingos”, diz à Status Jacinto Quispe, produtor da emissora de televisão japonesa NTN, que investigou o mundo das cholitas por mais de dois anos. Na prática, diz o sociólogo David Mendoza, autor do livro La chola, símbolo de indentidad paceña, as cholitas nada mais são do que mestiças.

Várias delas no ringue

Ele explica que o termo surgiu nos tempos da dominação espanhola, época em que as pessoas eram classificadas por suas crenças, cor de pele, idioma, roupa e pelo modo de vida. Da união entre o índio e o branco, surgiu o mestiço que incorporou os costumes do branco sem deixar de ser índio: o cholo. A mulher adotou os vestidos usados pelas espanholas e adicionou criatividade e motivos andinos. Há, porém, outro modo de defini-las. Certa vez, indagada pelo jornalista inglês Toby Musse, do jornal The Guardian, uma pequena e atarracada chola, saiu com essa: “As cholitas são descententes de indígenas que sempre foram discriminadas e que agora sabem se fazer respeitar.” E como sabem.

Ossos de frango
Domingo, 24 de junho. Às 4h da tarde, o Multifuncional de El Alto, na cidade de El Alto, a 20 minutos da capital La Paz, está lotado. Um cartaz azul colado na parede anuncia a atração da noite: “As cholitas internacionais dos Titantes do Ringue: Ángela, a Folklorista, Margarita, Jennifer Dos Caras, e Martha, a Altenha. Um homem fantasiado de caveira entra dançando uma cumbia andina e enfrenta o conhecido lutador Mister Atlas, com quase 50 anos de idade. Distribuem socos e chutes, mas nada fora do comum. As pessoas vaiam, pedem mais ação. “Isto está ‘k’aima’ (chato, no idioma aimará)”, reclama uma mulher que pagou pouco mais de US$ 2 pela entrada e que tem a bolsa cheia de cascas de amendoim, laranja e garrafas de plástico para jogar no ringue. Seu marido, que acaba de comer frango frito, está prestes a despejar os ossos no lixo quando é recriminado por ela: “Me dá isso aqui! Depois, você não vai ter o que atirar.” Em menos de uma hora, o casal terá ficado sem munição, entediado, aguardando a entrada da estrela da noite. Mas eis que surge Ángela.

As cholitas ganham apenas US$ 25 por luta e são treinadas para dar golpes com plasticidade

O público fica animado, as crianças gritam de alegria e seu rival sente a pressão. Ángela tem menos de 1,60 m de altura, mãos gordinhas, rosto redondo e alguns quilos a mais do que a sua estatura permite. Está prestes a entrar no ringue para enfrentar um homem de 1,70 m de altura, 90 quilos e rosto coberto por uma máscara. Consciente da sua fama, Ángela olha para o público, agarra o microfone e grita “I love you”, em inglês mal pronunciado.

Quem a espera no ringue é uma figura bisonha chamada “Demolidor”, que, ao lado do árbitro, alfineta as cholitas. “Elas deveriam ficar em casa cozinhando”, diz ele. Ángela, com sangue nos olhos, irritada com a provocação, tira a manta e o chapéu, e, quando recebe o aval do juiz, parte para a briga. O Demolidor tenta acertá-la, mas ela desvia e desfere um soco certeiro. A multidão grita, mas, nem bem se aproxima de um dos cantos para receber os aplausos, ela é derrubada pelo rival, que a chuta e a lança pelos ares até cair do ringue. Estirada no chão, com as mãos na barriga, ela se contorce de dor, enquanto flashes de câmeras fotográficas são disparados sem piedade pelo público das arquibancadas. Gritos de “maricón!”, “espancador de mulheres!” e “k’eusa! (homossexual em aimará) ecoam da plateia.

Elas não deixam a vaidade de lado e também batem e apanham para valer como Carmem Rosa (acima)

Nomes artísticos
Por alguns minutos, a tensão aumenta e o árbitro recebe insultos por tabela. Tenta anunciar como vencedor o homem, mas as pessoas se levantam e gritam ainda mais alto. As crianças deixam as arquibancadas para tentar aproximar-se do lutador. Os turistas entram naquela catarse e lançam copos de refrigerante. Nesse momento, Ángela sobe novamente no ringue e, com três socos precisos, lança o homem contra as cordas. Quando ele finalmente cai, aplica uma chave de braço para não deixá-lo escapar. Outro árbitro sobe ao ringue e grita, batendo com a mão no piso: “Uno, dos, trés!” e levanta a mão da cholita, anunciando-a como a campeã da luta. Ela se levanta e curte o momento de aplausos e glória. Dessa vez, não houve sangue nem um grande show. “Quando vem alguma televisão internacional, colocam as melhores para lutar e se machucam de verdade”, diz um homem da plateia, quando indagado sobre a veracidade das lutas.

Na vida real, Ángela não é cholita nem se chama assim. É o seu nome artístico, assim como Benita, La Intocable é, na verdade, Mariela Alvarenga; Martha, La Altenha é Maraz Jenny Wilma Maraz Herrera; Yolanda, La Amorosa se chama Veraluz Cortez; Maria Remedios Condori Ajsara é conhecida como Julia, La Paceña e Carmen Rosa, La Campeón é Polonia Ana Choque Silvestre. As três últimas são as pioneiras. Consideram-se as originais porque são realmente cholas de La Paz e foram as primeiras a se aventurar na luta livre. As outras admitem que só usam a saia, a manta e o chapéu antes de subir ao ringue. No restante do tempo, são senhoras de vestido ou “senhoritas”, como chamam as mulheres que usam calças jeans e blusas com decote. Algumas são donas de casa, outras trabalham como secretárias, professoras e comerciantes. A maioria tem filhos e mais de 30 anos de idade. “Na verdade, somos birlochas”, diz à Status Lucia Korina Quispe Choque, a Dulce Rosa. Em La Paz, assim são chamadas as filhas das cholas que já não herdaram o estilo de vestuário de suas mães, mas mantêm os costumes de sua cultura e usam as roupas em ocasiões muito especiais.

Elas começaram a lutar em 2004, quando Juan Mamani, conhecido como o “Cigano de língua solta”, ex-lutador que se vestia de cigano, abriu a academia Multifuncional de El Alto, onde as mulheres também poderiam treinar. “Percebi que as pessoas se cansaram de ver os homens lutar e tive a ideia de abrir as portas para as mulheres de saias”, contou recentemente durante uma entrevista para uma rádio alemã. Pequeno, moreno e magro, de lutador se converteu a homem de negócios e agora só fala com a imprensa quando há dinheiro envolvido. Por mais de dez anos, ele alugou o “Multifuncional El Alto” para a prefeitura da cidade e acaba de renovar o contrato até 2014. “Ele tem o monopólio da luta livre, recebe os lutadores e as lutadoras que quiser”, conta o pesquisador Jacinto Quispe.

Carmen Rosa lembra-se que um dia foi ao Multifuncional e, ao ler o cartaz com o convite para treinar, sentiu como se um sonho estivesse sendo realizado. Desde criança, gostava de ver as lutas e, já com mais de 30 anos, seguia assistindo aos espetáculos, mesmo sabendo que seu companheiro, Oscar Cahuasa, a acompanhava apenas para agradá-la, porque não gostava de luta livre. Já tinha dois filhos – Lúcia Korina (a Dulce Rosa) e Paul Bismarck (Bismarck Junior) – o que não foi um impedimento para que ela subisse ao ringue e aprendesse a mover as saias, a chutar, a socar, a aplicar chaves de braço e a usar as técnicas necessárias para cair sem se machucar. “A chola tem cinco camadas (cancans) antes do tecido da saia. Para lutar, é preciso remover a primeira camada, que é a que impede que a gente se movimente com facilidade”, explicou à Status.

Assim, ao lado de Margarita, La K’achucara, Rosa, La Furiosa e “Petronilla”, decidiu treinar com os homens e, quando elas se sentiram preparadas, convocaram a imprensa para um espetáculo gratuito. Mas nem todas aguentaram o ritmo de treinos e nem todos os maridos suportaram assistir às esposas se tornando famosas. Por isso, a maioria desistiu da profissão, sobrando apenas Carmen Rosa. Juntaram-se a ela no ringue Julia, La Paceña; Yolanda, La Amorosa; e Claudina, La Maldita.

Julia, la Paceña chama duas adversárias para a briga. Quando não estão no ringue, elas levam uma vida normal. Algumas são secretárias, comerciantes e até professoras

De repente, o “Cigano” percebeu que as cholitas eram a mais nova atração das lutas. O grupo percorreu o Peru, a Argentina, a Colômbia e algumas foram para os Estados Unidos. Estrearam dois filmes, Mamachas del ring e Cholita Libre, e começaram a ser procuradas para fazer anúncios publicitários. “Um dia, percebemos que éramos famosas porque chegavam convites de todo lado com as despesas pagas para viajar”, conta Carmen. Mas a fama não era sinônimo de riqueza, pelo menos não para elas. Um dia, souberam que a Magaly TV, o programa de entretenimento mais assistido no Peru, pagou US$ 1 mil a seu empresário para tê-las no ar. “Nós, que estávamos em quatro, recebemos US$ 50 para dividir e ele (o “Cigano”) ficou com o resto”, conta ela, enquanto cuida da banquinha de comida típica boliviana que tem na cidade.

Carmen, então, decidiu empreender sozinha. Alugou um ringue com “Julia”, promoveu o esposo a árbitro (que adotou o nome “Gato Montini”) à força e viajou por todo o país, além de continuar recebendo convites para viajar ao exterior. Jornalistas começaram a segui-la, sabendo que seu grupo não cobrava por entrevistas. Assim, ela chegou a ser coapresentadora de um talk show de tevê chamado Do céu ao inferno sobre problemas cotidianos. Nos últimos meses, deixou de lutar e hoje apoia sua filha Dulce Rosa.

De segunda a sexta-feira, Dulce Rosa, a herdeira de uma das cholitas mais valentes da Bolívia, é professora de filosofia em uma escola de La Paz e, nos fins de semana, quando convidada, veste-se de cholita para lutar. Tem 25 anos e até setembro de 2011 nunca havia imaginado subir em um ringue. Um dia, faltava uma cholita para uma apresentação no Brasil, na cidade de São Paulo, então ela decidiu entrar na briga. “Quando era pequena, via que minha mãe gostava desse negócio de luta livre. Quando eu cresci e ela começou a lutar, eu não gostei, porque se machucava e muitas vezes me deixava sozinha para viajar e se apresentar”, queixa-se no seu quarto, decorado com bichos de pelúcia e pôsteres de lutadores mexicanos, localizado no fundo de uma mansão colonial, que ela e sua família cuidam em troca de moradia gratuita.

Os filhos dessas mulheres quase sempre as acompanham nos espetáculos. Foi num desses festivais, em 2010, que conheci Fernando, com 7 anos na época. De mãos dadas com Julia, La Paceña, chegou a uma casa de tijolos, com um grande pátio no centro, localizada em um bairro popular de La Paz chamado 8 de Dezembro. Lá, vi que parecia muito com a mãe: com a força de um homem adulto, amarrou sozinho as cordas do ringue que mais tarde serviria de palco para a luta. Ficou desfigurado quando sua mãe voou pelo ar, mas acabou se acalmando quando ela tirou sangue da adversária e venceu a batalha.

As cholitas, com exceção de Carmen, são filhas ou irmãs de catchascanistas. Elas treinam com os homens, que as protegem e as ensinam como cair no chão sem se machucar. “O show é 60% encenação, 30% técnica e 10% criatividade”, diz “Gato Montini”. Atualmente, existem cerca de seis associações que organizam lutas em La Paz e El Alto e todas anunciam como atração principal as cholitas catchascanistas. Na verdade, não há luta de mulheres “normais”, porque as que sobraram não tiveram outra opção senão vestir as saias de cholas para se manter no negócio. Embora, obviamente, o Multifuncional atraia mais público, os fãs locais preferem ir a lugares onde não há muitos turistas.

Raiva e sangue
Fica claro que a luta dessas mulheres não é só entre elas mesmas ou contra os homens, como também contra os empresários do ramo. Para assistir a uma luta, turistas pagam cerca de US$ 15 via agências de turismo; os que compram os ingressos na bilheteria pagam cerca de US$ 7 e os locais US$ 2. O palco mais famoso de El Alto recebe uma média de 500 pessoas por domingo. E estima-se que as cholitas recebam, no máximo, US$ 25 por luta.

O treino é precário e acontece ao ar livre nas regiões mais pobres de La Paz

Em 2005, as pioneiras decidiram abandonar o Multifuncional porque perceberam que o “Cigano” ganhava muito dinheiro com o trabalho delas. Tornaram-se independentes, mas para substituí-las apareceram imitadoras e desde então são mais de 20 meninas que vestem saias para subir ao ringue. Às vezes, se enfrentam em festivais independentes, onde jorra sangue, porque descarregam a raiva em cima das rivais e tentam machucá-las de verdade.

Foi assim que Dulce Rosa acabou ferida a primeira vez em que subiu no ringue, em setembro de 2011. Obrigaram-na a enfrentar Yolanda, La Amorosa, uma das mais experientes, que, justamente naquele dia, havia tido uma briga com a mãe por não deixá-la vir ao Brasil para uma apresentação. Para Yolanda, não havia melhor oportunidade de extravasar: agarrou o rosto de Rosa e lhe aplicou uma chave voadora que fez doer até os ossos. A multidão delirava, enquanto a jovem cholita suportava a dor. Aguentou uma surra cheia de pisões nas coxas e puxões de cabelo. Perdeu a luta, mas perdeu também o medo. Agora, espera ansiosa por uma revanche contra Yolanda. “Já tenho uma caixa cheia de pregos preparada”, diz ela.

 

Quem são as cholitas

Conheça os três grupos de lutadoras rivais mais importantes da Bolívia

Mamachas del ring
A líder é “Carmen Rosa la Campeona” ou Polonia Ana Choque Silvestre. Ela já protagonizou dois filmes, Mamachas del ring e Cholita Libre, e já foi garota-propaganda de várias marcas no país andino. Parou de lutar recentemente, mas ainda está na ativa como organizadora de lutas para arrecadar fundos e ajudar hospitais que atendem crianças e também financiar obras de caridade. Julia, La Paceña; Benita, La Intocable; e Yolanda, La Amorosa fazem parte de sua equipe baseada na capital La Paz.

Titantes del ring
Este grupo fica na cidade de El Alto, a 20 minutos de La Paz. O líder é Juan Mamani, conhecido no mundo da luta como o “Cigano de língua solta”. Na verdade, ele foi o precursor das cholitas no ringue, mas, por acreditarem que ele as explorava, muitas deixaram sua equipe para criar outras. As lutas organizadas por ele acontecem todos os domingos no ginásio Multifuncional de El Alto, o mais popular do país. No lugar lutam Ángela,
La Folklorista; Margarita; e Jennifer Dos Caras.

Líder (Luchadores Independientes de Enorme Riesgo)
Também na cidade de El Alto, esse grupo liderado por Benjamín Simonini, mais conhecido como “Kid Simonini”, luta em um ginásio bem próximo do Multifuncional El Alto. As estrelas são Juana, La Carinhosa; Carmen Rojas (imitadora de Carmen Rosa); Martha, La Alteña; e Sarita, La Romántica. Esse grupo aproveita as filas formadas na frente do Multifuncional El Alto para anunciar e atrair o público para suas lutas.