A ARTE DE VIVER NA CORDA BAMBA

O slackline virou febre no verão passado e invadiu as praias e praças de todo o Brasil. Conheça o esporte que, além de treinar o equilíbrio, trabalha a barriga e os membros inferiores e superiores

 

Por Piti Vieira

 

ESPORTE PRATICADO SOBRE UMA FITA DE NÁILON flexível de 50 milímetros, esticada a uma altura de 30 centímetros do chão, o slackline trabalha o equilíbrio e a coordenação motora dos adeptos. Mais comum de ser vista em praias e praças, a travessia também pode ser feita em ambientes fechados. É necessário apenas que existam dois pontos de fixação, geralmente árvores e postes, de 7 a 12 metros de distância. “Costumamos deixar a fita na altura do joelho ou da cintura, para facilitar a subida no ‘slack’ e não precisar de apoio”, diz Diogo Barboza, praticante da modalidade e responsável pelo site www.slackbrasil.com.br.

A força empregada durante a travessia de uma ponta a outra da fita suspensa movimenta bem mais do que se supõe. Partes importantes da musculatura são exigidas. O resultado é abdome (frontal e oblíquo), peitoral, bíceps e tríceps mais definidos. Mas não só isso. A atividade também exige uma boa dose de coragem e ajuda a harmonizar corpo e mente. “A chave do exercício é o equilíbrio. Para manter o corpo centrado e permanecer em pé na fita é preciso concentração para deixar os pensamentos livres dos problemas. Com isso, o esporte contribui para diminuir o estresse, além de trabalhar a parte psicomotora e muscular”, explica Barboza.

Parecido com a corda bamba, o slackline, que em inglês significa “linha folgada”, pode ser comparado ao cabo de aço usado por artistas circenses. Sua flexibilidade, porém, permite criar saltos e manobras inusitadas. “Os praticantes suam muito. Quem está em um nível mais avançado consegue realizar saltos e giros na fita, que funcionam como atividade aeróbica. É uma ótima maneira de cultivar a boa forma”, diz Barboza. Os benefícios são tantos que muitos fisioterapeutas já indicam o esporte como forma de fortalecer a musculatura e evitar lesões.

A prática do slackline iniciou-se em meados dos anos 80 nos campos de escalada do Vale de Yosemite, nos Estados Unidos. Os escaladores passavam semanas acampando em busca de novas vias de escalada e, nos tempos vagos, esticavam as suas fitas de escalada para se equilibrar e treinar. O esporte chegou ao Brasil em 1995 por meio de escaladores estrangeiros. Mas a partir de 2003 é que a prática começou a ganhar mais adeptos, depois que um escalador fez o primeiro highline (leia quadro) na Pedra da Gávea, no Rio de janeiro, cidade em que a modalidade é mais popular, pela fácil oferta de espaços ao ar livre. Além do Rio, a atividade também pode ser encontrada em Brasília, Minas Gerais, Salvador, Fortaleza e São Paulo. “Apesar do grande número de adeptos nesses grandes centros, já é possível ver o esporte sendo praticado em quase todos os Estados do País”, comemora Barboza.

Para todos
Democrático, o slackline pode ser praticado por homens de qualquer idade e tipo físico. “Tenho alunos com 10 anos e outros mais velhos, com peso de 120 quilos”, conta José Helu, professor da modalidade no Rio de Janeiro. No caso das crianças, é interessante que elas tenham o acompanhamento de um adulto na hora de praticar.

Segundo Barboza, o esporte não apresenta contraindicação e inclusive é praticado por deficientes visuais e portadores de síndrome de down, por exemplo. A ideia é que essas pessoas percam o medo e ganhem mais confiança, além de desenvolver a musculatura e ganhar força física. A única advertência fica por conta de quem tem algum problema grave no joelho ou na coluna.

Nas primeiras aulas, o aluno tem noções sobre sustentação do corpo. “Para iniciar é preciso estar próximo do chão e assim conquistar segurança”, aconselha o professor. Com o tempo, é possível chegar até o topo das árvores. A evolução na atividade normalmente é rápida. Logo na primeira semana, já é possível dar os primeiros passos firmes e, com muito empenho e tempo, em alguns meses fazer manobras.

 

VARIAÇÕES

Além de andar sobre a fita, os praticantes podem treinar outras modalidades

Yogaline: a concentração empregada no exercício fez nascer essa modalidade, inspirada em posições da ioga. Há treinos para ganhar equilíbrio sentado sobre a corda.

Waterline: não sair molhado é o objetivo.

Trickline: é a arte de realizar uma sequência de movimentos criativos que podem envolver saltos, mortais e tudo aquilo que ocorra ao praticante tentar em cima da fita.

Longline: o desafio aqui é continuar a um metro do chão, mas aumentar o percurso em alguns metros.

Highline: são as mais espetaculares de se ver. Montadas a várias dezenas de metros do chão, requerem força mental e física.

 

FAÇA BONITO SOBRE A FITA
• Apoie a sola inteira dos pés na base
• Fixe o olhar em um ponto à sua frente
• Abra os braços até a direção dos ombros
• Use uma roupa confortável e que não prenda os movimentos