MARCUS BUAIZ

Camargo, ele próprio agente de celebridades e bem-sucedido empresário da noite, Marcus Buaiz, quer dizer, o casal Marcus Buaiz e Sra., é o sonho de consumo dos paparazzi e daqueles que fazem do ofício da notícia uma tentação para o veneno

 

Por Vivi Mascaro

 

“Odeio essa Babilônia”, diz o hoje pai de José Marcus, 7 meses – uma das definitivas razões para Marcus querer ficar em casa sempre que pode, num condomínio AAA vizinho a São Paulo. “Uma vez um sujeito me seguiu até Alphaville, a mil por hora, com o corpo debruçado para fora do carro, dirigindo e fotografando. Entendi por que acontecem tragédias como aquela da Lady Di.”

Curioso isso: Marcus está indo, sob o guarda-chuva da Host, da qual ele é o controlador, para a quinta casa noturna em São Paulo, mas jura que está fora da balada e que profissionalizou de tal forma o negócio que nem nas inaugurações tem ido. “A fogueira das vaidades não me tem mais no seu mailing”, brinca. “Não pertenço a nenhuma monarquia.”

Buaiz é sócio de Ronaldo na agência 9ine

A próxima novidade da Host atende pelo nome de Outlaws, fica no epicentro fashion da Oscar Freire (com rua Augusta) e a proposta, porém, não é nada elitista. Tem lugar para 800 pessoas assistirem shows sertanejos de quintas a sábados, ficando o domingo reservado para uma pegada mais pop.

Vale a pena lembrar as outras pérolas que Buaiz oferece aos incontroláveis apelos hormonais da noite. Por ordem de chegada: o Royal, que em 2006 desviou o trânsito fino e chique para o velho Centrão, incrustrado que está no mezanino de uma galeria; a Set, que importou de Miami Beach sócios, marca e carisma; o bar Louis, com endereço bacana na rua Amauri, também franquia de um caldeirão de hip-hop e libido de Miami; e o Provocateur, filial daquele club que sacode a rapaziada no Meatpacking District de Nova York.

Marcus Buaiz fica pilhado quando fala de negócio (depois a gente vai perceber que ele também entra em alfa quando fala de família). Goiânia, Vitória, Belo Horizonte, quem sabe Miami estão no cardápio de seus investimentos na noite. Ou seja, ele está exportando até para a América know-how de night scene.

“Tenho 33 anos, estou com muito fôlego, não sou do tipo que deixa o dinheiro parado. Tenho ansiedade de fazer, de investir”, diz ele. “Mas meu sonho é, aos 40, mudar meu foco. Quero ser menos empreendedor e mais empresário.” Tudo bem, sonho é sonho, mas os amigos não conseguem ver um Marcus Buaiz que não esteja disposto a correr risco – e, no caso dele, sempre sair para o abraço de campeão. “Minha inspiração é o Jay Z”, diz ele, citando o mega entertainer que veio do rap e hoje tem um faturamento milionário que o põe em 38o no ranking da Forbes no show biz, trafegando entre a produção musical, a noite e o esporte (ele é o dono da franquia New Jersey Nets, da NBA). Sem falar que Jay Z tem a seu lado, todas as noites, a Beyoncé.

Foi ele quem lapidou a carreira de Wanessa Camargo

Jay Z é, de fato, um sujeito interessante para se espelhar porque ele abriu exatamente as mesmas trilhas de negócio que Buaiz explora: noite, música, esporte. Inclusive essa última, que Buaiz descobriu dois anos atrás graças àquilo que ele chama de “um maravilhoso acaso”. O acaso tem o nome de Ronaldo Nazário, o Fenômeno. Quando Ronaldo – em fase de pré-aposentadoria – resolveu vestir de novo as chuteiras e veio, para descrédito de muita gente, conferir nobreza ao Corinthians, em 2009, acabou conhecendo Marcus Buaiz numa noite do Royal e a amizade bateu de cara. Buaiz e Wanessa adotaram o casal Bia e Ronaldo a ponto de hoje serem compadres.

São inseparáveis e, quando Ronaldo, mais uma vez coberto de glórias e de títulos, se aposentou de vez, ele e Marcus viraram parceirões de negócio. O nome da parceria é 9ine (o outro sócio é o publicitário Sergio Amado, que representa no Brasil a WPP, monstro mundial da Public Relations). “A nossa não é empresa de marketing esportivo, é uma agência de administração de imagem, não de venda e compra de jogador.” Clientes do Olimpo: Anderson Silva, Neymar, Lucas (a caminho do Paris St.-Germain), Luan Santana, Pedro Barros (18 anos, bicampeão mundial de skate), Leandro Damião, o Falcão, do futsal, Bruninho, do vôlei… E, se tudo der certo, Paula Fernandes, a gatíssima sertaneja.

Ah, em tempo: Buaiz também ajudou uma cantora com raízes familiares no country a dar tal guinada na carreira, passando ela a cantar em inglês e virando, de repente, musa GLS. Sabem quem? É, Wanessa, ex-Wanessa Camargo. A verdade é que Buaiz anda sempre de farol ligado para descobrir talentos a serem lapidados. “Quer um exemplo? Ainda vou cuidar da imagem do Alex Atala.”

Buaiz é dono de clubs como o Provocateur

A amizade instantânea do Marcus com Ronaldo talvez tenha a ver – sem fazer psicanálise de botequim – com um fenômeno que Marcus sentiu ao chegar a São Paulo, dez anos atrás, e que pode ter acontecido com Ronaldo, mesmo nele, na forma de um certo frio na barriga: nem sempre São Paulo é gentil com os forasteiros. “Claro que não me comparo com o Ronaldo, que é amado por todo mundo, mas no meu caso, ao chegar, 20 e poucos anos, eu era aquele capixabazinho atrevido querendo botar a garotada chique de São Paulo para dançar”, lembra Buaiz. Com um grupo de sócios, lançou a Lotus. Bombou. Um ano depois, vendeu a parte dele. “Quando cheguei, morava num hotel e tinha vontade de chorar à noite. Mas também tive meus anjos protetores: o João Paulo Diniz e o Edsá Sampaio.”

Na verdade, aquele capixabazinho assustado com a selva de prédios e o frio dos corações procedia de outra nobiliarquia. O avô dele é nome de importante avenida em Vitória. A família gere um império de comunicação, construção civil, shopping center e alimentos no Espírito Santo. Abriu mão da mesada e veio testar seu próprio talento. É um vitorioso mas, ao mesmo tempo, um sujeito inquieto e perfeccionista demais para se contentar até mesmo com a vitória.