O MELHOR AMIGO DO HOMEM

Esqueça essa história de “consolo” ou brinquedo de mulher solitária. Livre de tabus, o vibrador pode ser um ótimo aliado para você e sua mulher darem uma aquecida na relação

 

Por Gabriel Mesquita
Ilustrações Chiquinha

 

Dizem que é o cachorro. Vinícius de Moraes achava que era o uísque. Mas seu mais novo melhor amigo pode ser um… vibrador. “Pode isso, Arnaldo?” Pode sim, porque, tabus à parte, um vibrador desses com design moderno, pequeno e elegante, tem tudo para garantir a satisfação sexual para relações amorosas que costumam sofrer com a rotina, cansaço e falta de tempo, fazendo com que caia por terra o mito de que o objeto só possa ser manipulado por mulheres solitárias. O brinquedinho vem sendo usado para deixar as mulheres mais excitadas, aprimorando a relação dos casais. “A inclusão do vibrador no sexo traz um prazer diferente, enriquecedor. Ele ajuda o homem, que dá liberdade à mulher para se descobrir, dar-se prazer. Isso traz intimidade ao casal”, diz Yamini Âmar, terapeuta tântrica do Centro Metamorfose, em São Paulo.

 

A vapor

Em meados do século 19, quando o prazer feminino nem era considerado nas rotinas de alcova, algumas moléstias nervosas das mulheres eram tratadas com massagens pélvicas. A histeria feminina chegava a ser curada com o “paroxismo histérico”, jargão médico usado para o orgasmo. O vibrador – chamado de “manipulador” na época – surge em 1869 pelas mãos do norte-americano George Taylor como recurso médico. Movido a vapor, o acessório mais parecia um torno mecânico. A grande revolução veio logo depois. Criado em 1880 pelo médico inglês Joseph Granville, o vibrador foi o sexto eletrodoméstico da história – antes mesmo do aspirador de pó e do ferro de passar.

 

Yamini Âmar, terapeuta tântrica

“A inclusão do vibrador no sexo traz um prazer diferente, enriquecedor. Ele ajuda o homem, que dá liberdade à mulher para se descobrir, dar-se prazer.”

 

Hit de vendas

Desde o famoso Relatório Hite, publicado nos anos 1970, da pesquisadora americana Shere Hite, sabe-se que cerca de 70% das mulheres só atinge o orgasmo por meio da estimulação do clitóris. Não por acaso, o vibrador que estimula especificamente esse botãozinho do prazer é o aparato sexual mais vendido do Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual.

 

Ao gosto do freguês

Também existem as opções disfarçadas, em forma de batom, blush, rímel, bibelôs ou até celular. Os revestidos de silicone são mais fáceis de higienizar (por sinal, se quiser surpreendê-la com o presente na hora H, não se esqueça de limpá-lo). Alguns são à prova d’água, e a maior parte deles pode ser lavada com água e sabão neutro. Existem também modelos para estímulo interno e outros que fazem ambas as funções – fica ao gosto do freguês. As opções de preço variam de R$ 15 a R$ 1 mil.

 

Deixa molhar

Quando usado nas preliminares, o vibrador pode ajudá-la a se excitar mais rápido, enquanto você assume o protagonismo da penetração. Até porque, em noites em que ninguém está muito inspirado para performances cinematográficas, uma rapidinha vira um orgasmo sensacional. Fica mais fácil para os dois. É o que confirma a experiência do casal brasiliense Luciana Souza e Gustavo Moura, juntos há cinco anos. “O vibrador faz com que a vagina fique logo molhadinha e se contraia. A gente não perde tanto tempo nas preliminares e tudo rola deliciosamente para os dois”, diz ele. Luciana garante: “A estimulação é frenética, elétrica, fisiológica. Não tem como não se excitar.” Portanto, esqueça os dildos gigantescos e grotescos dos filmes pornôs. Os novos vibradores são discretos, e de tamanho pequeno suficiente para dar conta de seu uso externo.

 

Só na intimidade

Agora, atenção: o vibrador só pode ser convidado à festa quando a relação for estável. Nada de querer parecer muito moderno e ter um guardado para surpreender parceiras ocasionais. Apesar de boa parte das mulheres já lidar com naturalidade com ele, o instrumento é, preferencialmente, de uso pessoal. Fora que nunca se sabe, vai que a surpresa é mal recebida? Em caso de mal-entendido, deixe claro que a ideia é buscar maior prazer para ela e, em consequência, para você. Na dúvida sobre a aceitação, proponha uma visita a um site especializado. Mas não tenha receio de ser audacioso: fugir dos lugares-comuns sobre o tema e abrir a possibilidade de melhorar o sexo vai ser encarado como uma demonstração de maturidade.