HEROÍNAS DO PRAZER

Elas marcaram gerações com seus corpos esculturais, roupas minúsculas e superpoderes de sedução. Eis as musas das HQs

 

Por Leandro Luigi Del Manto

 

Delícia esmeralda

A tímida advogada Jennifer Walters, a prima de Bruce Banner (vulgo Hulk quando fica nervosinho), foi baleada e ficou à beira da morte. Como seu primo tinha o mesmo tipo sanguíneo raro dela, acabou servindo de doador, mesmo sabendo que seu DNA alterado pela radiação gama poderia trazer alguma reação colateral para ela. Dito e feito! Ela acaba se transformando numa bela mulher verde. Só que ela não volta à sua forma normal, ficando “condenada” a viver para sempre com aquele visual. Criada por Stan Lee e John Buscema, em 1980, na revista Savage She-Hulk 1, da Marvel Comics, a She-Hulk usa e abusa de seu corpo escultural em aventuras bem-humoradas e picantes.

 

Que crepúsculo, que nada!

Vestida com minúsculas saias de couro e criada por Enrico Marini e Jean Dufaux, em 1998, para o primeiro volume da série Predadores, da editora Dargaud, a morena Camilla é uma criatura da noite. Ela frequenta bares, danceterias, festas e becos sempre à procura de alguém. Homem ou mulher, não importa. Para ela, basta que satisfaçam sua sede de sexo e sangue. Camilla caça os humanos como se fossem apenas presas fáceis. Ela parte, literalmente, para o “abate”.

 

A vizinha dos sonhos

Sempre há aquela vizinha que desperta nossos sonhos mais sacanas, certo? Pois o tímido Peter Parker (a verdadeira identidade do Homem-Aranha) também teve a sua paixão secreta da casa ao lado. Seu nome: Mary Jane Watson. Criada em 1966, por Stan Lee e John Romita Sr, ela surgiu na revista Amazing Spider-Man 42, da Marvel Comics, e foi o tempero que faltava na vida do aracnídeo. Seu poder? Vamos lá: cabelos ruivos, boca carnuda, sorriso devastador, corpo de dançarina e, ainda por cima, louca por uma balada.

 

A primeira jungle girl

Talvez a primeira heroína de papel a virar a cabeça de seus leitores tenha sido Sheena, A Rainha das Selvas, uma criação do lendário Will Eisner e seu parceiro Jerry Iger, que estreou na revista britânica Wags 1, em 1937. A exuberante loira era uma versão feminina do Tarzan e usava um modelito de pele de leopardo, mas, para a época, não era preciso muito: bastava ter curvas bem feitas, pernas torneadas e pronto! Os leitores babavam.

 

Crash! Pow! Wow!

Quando a série de tevê do Batman, produzida nos anos 60, começou a perder popularidade, os produtores encomendaram uma versão feminina do Homem-Morcego para tentar salvar o show. Assim, a estonteante Batgirl surgiu na revista Detective Comics 359, da DC Comics, em 1967. Usando uma roupa justa muito parecida com a da Mulher-Gato, mas trazendo o símbolo do morcego no peito (e que peito!), a batmoçoila passou a combater o crime nas ruas de Gotham City. A versão da telinha não foi adiante, mas a dos quadrinhos mexeu com a libido dos leitores e continua sendo publicada até hoje.

 

Com apenas um clic…

Da obra-prima do erotismo, Clic!, vem a jovem recatada Claudia Cristiani. Casada com um ricaço velho e poderoso, a moçoila é toda “fresquinha” e sexualmente reprimida. Então, longe dos olhares de todos, surge alguém segurando uma caixinha com um botão seletor. Quando este é virado e faz “clic”, Claudia perde totalmente o controle, é dominada por uma libido fora do normal e tem de fazer sexo com quem ou o que estiver mais perto. Em situações muito bem-humoradas, Claudia torna-se uma diva depravada e seduz seus leitores e até leitoras. Criada em 1983 pelo mestre do erotismo Milo Manara para a revista italiana Playmen, a série Clic! é cultuada no mundo inteiro.

 

Atração felina

Criada por Bob Kane e Bill Finger, em 1940, para a editora DC Comics, a Mulher-Gato começou sua carreira de crimes como uma ladra de joias na revista Batman 1 e, aos poucos, foi ganhando o visual fatal com máscara felina, luvas com garras afiadas, botas de salto alto e outros apetrechos de couro, além do seu implacável chicote. Mesmo sem ter nenhum superpoder, ela deixava o Batman e toda a população masculina de Gotham City completamente sem rumo e, com certeza, fazia o mesmo com os fãs, que escreviam cartas pedindo por mais histórias dela.

 

Espada e magia

Criada para a revista Conan, the Barbarian 23, da Marvel Comics, Sonja, a Guerreira deveria ser apenas a versão feminina do truculento “Conan, o Bárbaro”, mas tornou-se muito mais do que isso. Exímia espadachim e guerreira, ela exibia cabelos ruivos e usava uma “armadura” que mais parecia um minúsculo biquíni de metal para proteger seu corpo pecaminosamente curvilíneo. Ela jurou que só se entregaria ao homem que conseguisse vencê-la, mas, com tudo aquilo à mostra, ficava difícil se concentrar. Não é à toa que ela ganhava todos os duelos.

 

Maravilha de mulher

Idealizada pelo psicólogo William Moulton Marston, a Mulher-Maravilha fez sua estreia em 1941, na All Star Comics 8, da DC Comics, e surgiu originalmente para levantar o moral dos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, em pouco tempo, suas capas passaram a ficar mais ousadas e abusadas. Afinal, essa beldade amazona, com os superpoderes dos deuses da mitologia greco-romana, vestia um corpete dourado, minissaia azul com estrelas brancas e botas vermelhas. No fundo, o que o leitor queria mesmo era ser laçado e se entregar aos seus caprichos.

 

As superprimas

Quem nunca teve uma paixão secreta por aquela prima distante nos tempos das férias escolares? Agora, imagine uma superprima. Pensando nisso, Otto Binder e Al Plastino criaram, em 1959, uma versão feminina do Superman, na revista Action Comics 252, da editora DC Comics: a Supermoça (acima), que se tornou uma das heroínas mais desejadas da história. Muitos anos depois, em 1976, na revista All Star Comics 58, também da DC Comics, Gerry Conway, Ric Estrada e Wally Wood criaram uma “versão” da Supermoça chamada Poderosa (detalhe), um pedaço de mau caminho que voava, tinha superforça, mas chamava a atenção de todos por causa de seus seios avantajados sempre à mostra em decotes ousados.

 

Sonhos e fetiches

Criada pelo italiano Guido Crepax, em 1965, para a série Neutron, da revista Linus, da editora Rizzoli, e com um visual inspirado na cultuada atriz do cinema mudo Louise Brooks, Valentina Rosselli era uma fotojornalista que esbanjava sensualidade. Fazendo o tipo mais esguio, ela seduziu homens e mulheres sem o menor pudor. Começando com aventuras detetivescas num ambiente de ficção científica, a personagem passou a viver num mundo de erotismo, sonho e sadomasoquismo. Suas histórias nem sempre eram fáceis de entender. Nada de superpoderes, nem nada! O que todo mundo queria ver mesmo era a heroína em ação. Nas ruas ou na cama.

 

A espiã que me amava

Imaginada por Stan Lee, Don Rico e Don Heck, em 1964, na revista Tales of Suspense 52, da Marvel Comics, Natasha Romanoff, mais conhecida como a Viúva Negra, deveria ser apenas uma vilã de segundo escalão nas aventuras do Homem de Ferro (ninguém outro senão o “playboy pegador” Tony Stark), mas o destino preferiu transformá-la em heroína. Para tanto, ela ganhou um uniforme negro pra lá de justo e caiu definitivamente no gosto dos leitores nas histórias dos Vingadores, graças ao seu charme de espiã fatal e às suas curvas perigosas.

 

A mestra do Kama Sutra

Criada pelo italiano Paolo Eleuteri Serpieri, ela é conhecida apenas como Druuna. E seu nome já é praticamente um “adjetivo coletivo” que reúne em si todas as qualidades e atrativos que uma mulher deve ter. Publicada pela primeira vez no álbum Morbus Gravis, em 1985, pela editora Dargaud, ela vestia trajes minúsculos. Esta deliciosa e ingênua protagonista vive num mundo pós-apocalíptico repleto de criaturas monstruosas, gangues militarizadas, robôs e todo tipo de seres estranhos, mas quase todos eles têm um apetite sexual insaciável pela pobrezinha, que se vê forçada a satisfazer os mais inusitados prazeres. Uma verdadeira mestra do Kama Sutra. Mas ela não se faz de rogada, pois sua libido vive à flor da pele. Também pudera! Com esse corpo…