FÁBIO FARIA

Um dos deputados mais jovens da Câmara, ele fala sobre a vida em Brasília, da “pelada” com Romário e do histórico de namoro com celebridades

 

Por Fabrícia Peixoto
Fotos Pedro Dias

 

Tiririca recupera a bola no meio de campo. Ele ajeita, segue alguns poucos metros até perceber Popó, sozinho, na meia direita. O passe é longo, mas o ex-lutador de boxe é bom na corrida e domina a bola, com facilidade. Romário levanta a mão e o toque vai para ele. A torcida fica de pé. O baixinho dribla o zagueiro adversário e dá o passe de presente para Fábio Faria marcar. É gol.

“É engraçado isso. Nunca poderia imaginar que, um dia, formaria uma dupla de ataque com o Romário”, diz o deputado federal do PSD e uma das principais estrelas do time de futebol da Câmara. As peladas de terça-feira com colegas de campo tão improváveis como Tiririca, Popó e o Baixinho talvez não estivessem mesmo no radar desse natalense, quando jovem. Mas a política, sim. Filho e neto de políticos, Fábio passou a infância em meio a campanhas e ouvindo conversas de bastidor. “Sempre soube que, a qualquer momento, poderia ser convocado”, diz. Esse dia chegou em 2006 – e mesmo sem qualquer experiência prévia na política, Fábio Faria foi eleito deputado federal com o maior número de votos no Rio Grande do Norte. Em 2010, a reeleição foi fácil, com mais uma votação expressiva. Se a pinta de galã ajudou? “Acho que tem os dois lados. É como o ator bonito, mais novo. Ele tem que trabalhar mais para mostrar seu trabalho. E eu brigo muito para mostrar meu trabalho. Não quero voto pela beleza. Nem me acho bonito”, diz.

Mas não é apenas o lado político que faz de Fábio Faria uma figura conhecida. Aos 35 anos, com 1,90 m de altura e um físico impecável, o deputado chama a atenção em um Congresso dominado por senhores de cabeleira branca e barriga protuberante. Mesmo sendo vice-líder do PSD na Câmara e um dos políticos responsáveis por levar a Copa do Mundo a Natal, Fábio ainda é lembrado por suas “ex” famosas. Em 2007, atraiu olhares de inveja ao aparecer na cerimônia de posse, em Brasília, ao lado da modelo Maryeva Oliveira. De lá para cá, diversas outras celebridades se encantaram pelo jeito tímido do deputado, entre elas Adriane Galisteu, Priscila Fantin e Sabrina Sato. “Namorei pessoas. Além do mais, você não pode impor barreiras à sua vida. Tem de ser alguém de bom caráter. O que a pessoa faz, não importa”, diz. Avesso a falar sobre sua vida pessoal, ele prefere não comentar as razões que levaram ao término do namorado de três anos com Sabrina. “O que importa é que ficamos muito amigos e nos falamos sempre. Não tem mais criança aí, né?”, diz. Nessa entrevista à Status, concedida em seu apartamento funcional, em Brasília, Fábio fala ainda de preconceito, de como aprendeu com um escândalo e de política, claro.

– Ser citado como o “ex” de algumas famosas o incomoda?
– É parte do jogo. Sou presidente da Frente de Combate ao Crack; estou na vice-liderança do partido; fui o deputado que levou a Copa para o Estado do Rio Grande do Norte. Mas o que repercute mesmo é uma única linha em coluna social. As pessoas gostam de saber da vida dos outros.

– Você é jovem, bonito. Foge do estereótipo de deputado. Já sofreu preconceito por isso?
– Acho que acabo sendo mais cobrado. É como o ator bonito, que está começando: ele tem que trabalhar mais para mostrar seu mérito. Mas não adianta, sempre vem alguém dizer: ah, se elegeu porque é bonito. Não quero voto por isso.

– Mas a beleza ajuda, não?
– Sim, tem os dois lados. Você tem que trabalhar mais, mas ao mesmo também tem uma oportunidade a mais para mostrar quem você é. Mas estou falando de uma forma geral, não só de mim. Nem me acho bonito.

– Você é neto e filho de político. Seu destino sempre esteve traçado?
– Nunca tive essa certeza. Mas sempre soube que, a qualquer momento, poderia ser convocado pelo grupo. Joguei tênis dos 11 aos 18 anos e estive prestes a me tornar profissional. Mas eu tinha medo do que faria depois… Na dúvida, preferi voltar para Natal, para estudar administração. Comprei a lanchonete da faculdade, entrei de sócio numa academia e ainda revendia camarão para São Paulo. Queria ser independente.

– E o que o atraiu para a política?
– Alguém teria que entrar. Os deputados eleitos por nossa região, o agreste, não voltavam para ajudar as cidades. Não davam assistência aos prefeitos. Foi então que nosso grupo pensou: precisamos de alguém com esse compromisso. Eu tinha 29 anos na época e muitos prefeitos insistiam para que essa pessoa fosse eu. E como gosto de desafio, topei.

– Você foi um dos políticos a migrar para o PSD, do prefeito Kassab. O que lhe chamou a atenção no novo partido?
– Eu era de um partido muito pequeno, o PMN, e sentia falta da política nacional, da articulação. Eu via como eram as reuniões dos outros partidos. Já a nossa reunião de bancada cabia numa mesa de quatro lugares, num restaurante. Quando vi essa oportunidade do PSD, abracei. E gostei da proposta, da linha deles.

– Que proposta é essa, exatamente? O partido é criticado por não ter um posicionado muito claro…
– Como o partido é recente, nessa eleição os filiados estão livres para votar como queiram, com o governo ou a oposição. Depois de 2014 aí, sim, iremos nos reunir para tomar uma posição.

– Sim, mas e quanto à linha ideológica, qual é?
– As pessoas ainda falam muito “ah, fulano é de direita, beltrano é de esquerda”.

– Você é de quê?
– Isso não existe mais.

Fábio Faria canta o Hino Nacional, entre Romário e Popó (à esq.). Os três formam o ataque do time de futebol da câmara

– Você acha mesmo? O eleitor, pelo menos, ainda tem essa referência muito forte, não?
– Sob esse ponto de vista, pode ser. Mas na prática, a gente vê os Democratas defendendo políticas públicas de esquerda e o PT defendendo políticas de direita… Acho que devemos banir essa demagogia dentro do plenário, de você não poder votar a favor de uma coisa boa para o País porque tal emenda não foi liberada. Que ideologia é essa? Lá no plenário, não existe “projeto de esquerda ou de direita”. Isso é fictício.

– Mas considerando os grandes debates, como legalização das drogas, casamento gay, etc., seu posicionamento é mais liberal ou conservador?
– Ah, mais liberal. Sou totalmente a favor do casamento de pessoas do mesmo sexo. Quanto à descriminalização das drogas, aí sou contra. Já discutimos muito esse assunto na Câmara e o Brasil não está preparado. Aqui não tem assistência médica e psicológica para os usuários, como em alguns países.

– O que costuma fazer em Brasília, quando não está trabalhando?
– Nunca fui a uma balada aqui. No início, a adaptação foi difícil, mas hoje tenho meu apartamento, tenho uma rotina, já tenho minha turma do futebol, que rola toda terça-feira, à noite.

– Quem joga?
– São 38 deputados. No início não tinha muito quórum, eram apenas 15. Mas desde que o Romário chegou, o grupo cresceu. Tem dia que aparecem uns 50 para jogar. Além do futebol de terça-feira, que tem até churrasco, a gente também viaja com o time pelo Brasil, para jogos beneficentes.

– Quem está no ataque?
– Eu, Popó e Romário, claro. O Popó joga muito bem, corre bastante, mas é fominha. O Tiririca também não joga mal, não… Quando ele marca um gol a torcida vai ao delírio.

– Você praticou tênis por muito tempo e tem um porte atlético. É do tipo que se cuida bem?
– Faço meia horinha de musculação, todo dia. Adoro esporte. Além do futebol, faço MMA com um grupo de amigos, em Natal, quando estou por lá. E surfo também, mas aí é mais complicado, porque a turma sai para surfar às 5h da manhã.

– Você provavelmente estaria aproveitando muito mais isso tudo se não tivesse entrado para a política… Isso não pesou?
– Claro que pesou. A política é uma renúncia muito grande. Primeiro, porque as pessoas se distanciam. Se você está assistindo a um jogo às 20h e coloca alguma coisa no twitter, alguém sempre fala: não era pra você estar trabalhando, não, deputado? Mas deputado também pode ver jogo de futebol, pode ir para a academia, pode sair. E eu não acho certo vestir máscara. Se você tem um estilo de vida, tem que continuar com seu estilo. Com moderação, claro. Mas você não pode fugir de quem você é.

– Isso se aplica também ao fato de você namorar celebridades?
– Eu namorei pessoas. Você tem que escolher pessoas de bom caráter, independentemente do que a pessoa faça. Você não vai namorar com a profissão. Sabrina, por exemplo, é uma pessoa simples, que sabe lidar com a fama. Não tem nada de “se achar”. Foram três anos de namoro altamente reservados. Você não pode criar barreiras na sua vida. Posso até ter pensado, algumas vezes, que isso (de namorar celebridades) seria um problema. Mas hoje tenho a certeza de que o importante é escolher pessoas de bom caráter, de bom coração.

Entre suas ex-namoradas, estão Maryeva Oliveira, Adriane Galisteu e Sabrina Sato. “Você não pode fugir de quem você é”

– Mas tem a questão logística também, não? Deputado está sempre viajando e uma pessoa famosa tem muitos compromissos…
– Eu realmente não sou o homem ideal. Se a pessoa quiser procurar um namorado o tempo todo disponível, com aquela rotina, não sou eu. Minha vida é louca, tenho muitos compromissos. Tem a política nacional, tem a política local, tem a vida empresarial. Estou sempre viajando, é complicadíssimo. Mas o mundo hoje também é globalizado, as pessoas não moram mais num único lugar. Se alguém for ficar comigo, vai ter que se adaptar.

– Você e Sabrina terminaram bem? Ficaram amigos?
– Sim, ficamos muito amigos. A gente ainda se fala por telefone, trocamos mensagens. Não tem mais criança aí, né? Além do mais, tem respeito, admiração… Gosto da família dela e ela da minha. Tem que ter isso. Se não tiver isso, para que namorar? Enfim, o namoro foi bem bacana.

– E por que terminaram?
– Sobre isso prefiro não falar…

– Você esteve no epicentro do escândalo das passagens aéreas, por ter emitido passagens para a Adriane Galisteu, sua namorada na época, para a mãe dela e outros artistas. Como lidou com aquilo?
– Foi um grande aprendizado. Cada deputado do Rio Grande do Norte tinha direito, naquela época, a uns R$ 15 mil mensais de passagens aéreas. Eu nunca cheguei a usar nem 30% disso daí por mês. Todos os políticos emitiam passagens para diversas outras pessoas, como uma cota que você usava de acordo com seus critérios. Eu nunca tinha parado para pensar naquela prática, mesmo porque as passagens só são emitidas depois de aprovadas pela secretaria da Câmara. Então, quando vi meu nome envolvido naquela história, foi um baque.

– E qual a sua avaliação hoje?
– Faço uma avaliação moral, mesmo tendo consciência de que não fiz nada ilegal. E ficou o aprendizado. Hoje, se vou almoçar a trabalho, não peço mais reembolso, mesmo tendo direito. Paro e penso: as pessoas iriam gostar disso? Então prefiro pagar do meu bolso.

– Quando o caso estourou, você e Galisteu já estavam separados. Você se surpreendeu por ela não o ter apoiado?
– Não gosto de falar de ex-namorada. É coisa dela, tem pessoas que gostam de polemizar. Eu jamais faria o que ela fez, pois foram mostradas a ela as regras, as leis. Mas não sou ninguém para julgar.

– Você se considera um sujeito mulherengo?
– Minha impressão é de que o mulherengo está sempre solteiro. E eu estou sempre namorando.