ALEX ATALA

Se a culinária brasileira ocupa algum espaço no mundo da alta gastronomia, isso se deve ao talento e teimosia deste chef que nunca teve vocação para ser cozinheiro

 

Por acaso. Ou, melhor dizendo, por necessidade. Foi assim que Alex Atala tornou-se chef de cozinha. Tinha 19 anos e viajava pela Europa de mochila nas costas para realizar um sonho adolescente. Sem dinheiro e quase ilegal, o jovem paulistano matriculou-se em uma escola frequentada por um colega pintor – sim, Atala pintava paredes para juntar uns trocos – de modo a conseguir o visto de permanência no Velho Continente. Era uma escola de culinária. O resto é história – a mais bem-sucedida história de um chef de cozinha brasileiro.

Este ano a trajetória de Milad Alexandre Mack Atala, seu nome de batismo, chegou ao ápice: seu D.O.M., em São Paulo, foi eleito o quarto melhor restaurante do mundo pela revista inglesa Restaurant. Algo que o menino nascido em uma família de origem palestina no bairro da Mooca nunca sonhara. Atala, por sinal, sequer sonhara em virar cozinheiro. Seu sonho era viver do rock and roll. Hoje, quer ver os ingredientes brasileiros ganharem o mundo.

Premiado e badalado, ele também é engajado nas causas que acredita. Investe em projetos para valorizar ingredientes e receitas locais, especialmente da Amazônia, sua paixão, e fortalecer cadeias produtivas de comércio justo, permitindo que pequenos produtores rurais espalhados pelo interior do Brasil consigam viver do que cultivam. É, ainda, um grande formador de cozinheiros, padrinho de toda uma nova geração de chefs. Aos 44 anos, ele encontra tempo para escrever livros, cuidar de seu segundo restaurante, o Dalva & Dito, também em São Paulo, e curtir a vida ao lado da esposa Márcia e dos três filhos, com quem adora compartilhar uma tradicional pizza nas noites de domingo.