BATIDAS RENTÁVEIS

Hollywood se rende à música eletrônica e os principais Djs do planeta enchem os bolsos

 

Por  Piti Vieira

 

Até bem pouco tempo atrás, a música eletrônica era marginalizada pelos americanos, que a consideravam um produto de segunda importado da Europa. De um ano para cá, porém, ela foi rebatizada de EDM (abreviação de electronic dance music) e tornou-se tendência dominante na música pop dos Estados Unidos. As animadas batidas sintéticas e linhas de baixo do gênero, e as apresentações de DJs top, têm atraído multidões para shows ao ar livre – inclusive para bastiões do rock como os megafestivais Lollapalooza e Coachella. O sucesso é tamanho que vários artistas chamaram a atenção dos estúdios de Hollywood e estão sendo chamados para compor trilhas sonoras para filmes, no que pode se tornar a maior renda de suas carreiras, com centenas de milhares de dólares cobrados para uma única música.

O astro americano do dubstep Skrillex, que levou três prêmios no último Grammy e tem uma renda anual estimada em US$ 15 milhões pela Forbes, compôs uma trilha sonora original com Cliff Martinez (ex-Red Hot Chili Peppers) para Spring breakers (foto acima), novo filme do diretor Harmony Korine, consagrado roteirista de Kids (1995). O filme, sobre a história de quatro garotas que roubam um restaurante para financiar suas férias e traz o ator James Franco como um traficante de drogas, ainda não tem data de lançamento no Brasil. Skrillex, 24 anos, também gravou material para uma cena do filme de animação da Disney Detona Ralph, que estreia aqui em janeiro.

Skrillex

Da mesma forma que Skrillex, o francês Anthony Gonzalez, mentor da orquestral banda de pop-eletrônico M83 e criador do ótimo álbum Hurry up, we’re dreaming, de 2011, está trabalhando na trilha sonora de Oblivion, com estreia prevista para abril de 2013, nos EUA. O filme do diretor Joseph Kosinski, que dirigiu Tron: o legado, é uma aventura de ficção científica estrelada por Tom Cruise e ambientada num futuro distante no qual os humanos vivem em cidades aéreas porque os solos são habitados por violentos aliens que atacam indiscriminadamente todas as formas de vida terrestre. Outros exemplos recentes de artistas da música eletrônica que foram contratados por Hollywood são o duo inglês Chemical Brothers, que compôs a trilha de Hanna; os franceses do Daft Punk, com a trilha de Tron: o legado; e Trent Reznor (da extinta banda Nine Inch
Nails) e Atticus Ross, que criaram as músicas de A rede social, que levou o Oscar de melhor trilha sonora.

No entanto, artistas como Skrillex e Anthony Gonzalez estão em um momento melhor do que os seus antecessores. Ao incluí-los agora, os filmes conseguem obter uma relevância imediata junto a um público jovem, mais amplo e mainstream. Por isso, os músicos recebem um pagamento bem mais significativo. Especula-se que os artistas recebam entre US$ 40 mil e US$ 50 mil para licenciar uma música para uso em um programa de televisão e entre US$ 150 mil e US$ 250 mil para uma canção em um filme.

Oblivion

 

Clássico punk

  

Lançado em outubro de 1977, Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols, único disco da banda de Johnny Rotten e Sid Vicious, e hoje um clássico do movimento punk, foi remasterizado e está sendo relançado pela gravadora Universal no mercado brasileiro. A edição traz dois CDs. O álbum masterizado com as faixas B No Fun (do single Pretty Vacant), No Feeling (do single God Save the Queen), Did You No Wrong (idem), e Satellite (do single Holidays in the Sun). E um disco extra com um show inteiro em Estocolmo, na Suécia, em 1977, e três faixas – Problems, No Fun, cover do Stooges, e Anarchy in the UK – de outro show, numa cidadezinha portuária do condado de Cornwall, na Inglaterra, onde a banda chegou sem avisar para um show-teste para o lançamento do disco. A edição custa R$ 40.

 

Musa do mês

Uma labirintite separava os brasileiros da cantora e compositora canadense Feist. Cinco anos depois de cancelar os shows que faria por aqui, a linda Leslie Feist se apresentou em São Paulo e no Rio de Janeiro, em outubro passado, despejando seu jeito doce e inquieto sobre uma plateia em delírio. Musa indie, a gata já recebeu quatro indicações ao Grammy e tem uma legião de fãs pelo mundo.

 

Palinha

Com participações em projetos junto a ícones da música brasileira como Tom Zé, Moraes Moreira, Luiz Melodia e Jards Macalé, a cantora e violonista baiana Marcia Castro, que já recebeu elogios de Gilberto Gil, fala sobre suas preferências musicais e outras curiosidades.

Música favorita do ano passado: Não existe amor em SP, do Criolo
Três músicas antigas favoritas: as do momento são Mistério do Planeta, dos Novos Baianos, Feelings, cantada por Nina Simone, e Refazenda, do Gilberto Gil
Artista novo favorito: Criolo
Último grande show a que assisti: Recanto, da Gal Costa
Equipamento musical ou instrumento favorito: contrabaixo
Disco preferido que comprei: são muitos, mas posso citar o Transa, do Caetano Veloso
Melhor cidade para se tocar: Salvador
Coisa mais estranha que já recebeu de um fã: nada fora do normal. O mais inusitado foi uma cantada
Meu toque de celular: telefone antigo

 

Agenda

Os melhores shows de novembro

David Guetta, Armin Van Buuren, Calvin Harris e Steve Aoki, entre outros astros da música eletrônica, estarão no palco do Dream Valley Festival, que acontece dias 16 e 17 no Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina.

Tears for Fears, uma das bandas de maior sucesso mundial dos anos 80, estará de volta a São Paulo para uma única apresentação no Espaço das Américas, no dia 22.

Uma das mais cultuadas bandas do pop inglês, o Pulp faz sua estreia em palcos brasileiros com show único na Via Funchal, em São Paulo, no dia 28.

Tony Bennett, lenda viva da música popular americana e do jazz, sobe ao palco do Vivo Rio, no Rio de Janeiro, no dia 29. Em São Paulo ele se apresenta na Via Funchal, no dia 1o de dezembro, e em Porto Alegre, no Teatro do Sesi, no dia 4 de dezembro.