EXPULSO DO PARAÍSO

O advogado César tinha um caso com a estagiária. A mulher descobriu, mas resolveu se unir à rival. Os três dividiram o mesmo teto – e a cama – até que elas resolveram deixá-lo de lado

 

Em depoimento a Alice M.
Ilustração Eduardo Schaal

 

DESDE QUE ME CASEI com Lúcia, sempre fui fiel, um dos poucos da turma que ia ao happy hour só para relaxar, discutir a rodada do Brasileirão e os lançamentos do cinema – desde Woody Allen até besteirol com a Cameron Diaz, minha musa. Até que a tal estagiária entrou no escritório, para trabalhar diretamente com meu sócio. Carla, que logo virou Carlinha. Diretamente da Argentina, magrinha, alta, peitos pequenos, bumbum volumoso. Loira de olhos azuis, com um sorriso lindo, tipo Cameron Diaz.

Fui rápido na aproximação. Chamei para almoçar, dizendo que era para atualizá-la do trabalho. Carlinha concordou. Meu sócio sacou na hora, mas não me repreendeu – sabia do marasmo em que andava o matrimônio com Lúcia.

Nosso escritório ficava no centro de São Paulo, perto do bairro da Liberdade. Eu conhecia um restaurante japonês com salinha reservada, porta de correr, mesa baixa. Perfeito para rolar um clima. Não imaginei que meu sonho erótico matinal seria realizado tão rápido.
Carlinha gostava de fast-food. Foi só elogiar cada detalhe do vestido azul, os brincos de pérola, o anel, o sapato de salto; cada apetrecho que ela foi tirando num strip-tease improvisado e muito sensual. Fazia tempo que eu não galanteava uma mulher. É como andar de bicicleta. Só que sem freios.

Rolou ali mesmo. Ela sentou no meu colo, olhando para mim, com o vestido levantado, ainda de calcinha, e começou a roçar, a rebolar. Até que enfiei dois dedos dentro dela: toda molhada. Fizemos uma manobra e fui para cima dela, num papai e mamãe frenético. Só abaixei um pouco as calças e ela puxou a calcinha para o lado. Uma rapidinha com clima oriental, no tatame, sem conforto, mas com muito tesão.

A partir daquele dia, Carlinha e eu tínhamos reunião na hora do almoço pelo menos uma vez por semana. Marcávamos tudo pelo chat do Facebook. Lúcia sempre foi de dormir cedo. Eu a esperava me dar boa-noite e ia correndo para a minha “cama virtual” com a estagiária.
Para não dar bandeira, nossos horários no escritório eram diferentes. Ela entrava mais cedo e saía antes de mim. Passaram uns dois meses até que Lúcia percebeu. Começou a inquisição, enrolei o quanto pude, até que ela espiou meu perfil na rede social. Deve ter chutado umas cinco senhas até acertar a minha. Elegante como sempre, em vez de armar um barraco, ela usou meu perfil para convidar Carlinha para um encontro no parque do Ibirapuera.

Soube disso no dia seguinte. O ódio de Lúcia era tanto que ela sonhava em agarrar a cabeleira loira da minha amante e girá-la no ar. Mas agiu com muito sangue-frio. Carla se comoveu com o discurso da esposa traída, que sempre dizia ter sido privada de ter filhos porque priorizei minha carreira. As duas se adoraram, pareciam… mãe e filha.

No outro dia, quando cheguei em casa, fui direto para a cristaleira buscar uma dose de uísque. Não acreditei em quem estava no meu sofá: Carlinha. Ela disse que Lúcia a tinha procurado para resolverem as coisas, que estavam se dando muito bem, porque eram muito parecidas. Engoli seco e olhei para minha mulher, que estava no corredor, com um sorrisinho de vitória. O que mais poderia dar errado? As duas saírem por aquela porta e eu acabar sozinho.
A vida, porém, foi boa comigo. Lúcia juntou-se à Carlinha no sofá e, com a maior naturalidade do mundo, tascou-lhe um beijo. Meu pau subiu na hora, quase bateu no teto. Minha mulher e minha amante ali, no meu sofá. Carlinha abriu os olhos e disse: “Vem, Paulo César!”.

Não tive dúvida, comecei com Lúcia, acomodando as pernas dela nos meus ombros, para sentir meu pau bem fundo nela. Carlinha beijava meu pescoço e depois, a boca da minha mulher. Quando ela gozou, ajeitei a estagiária de quatro e penetrei-a por trás, bem devagar, encostando a bunda dela em mim, indo e vindo, e ao mesmo tempo acariciando minha mulher. Lúcia preferia ficar de olhos fechados, acho que com receio de ter uma crise de ciúmes.

Na manhã seguinte, trabalhar ao lado de Carla foi difícil. O ménage exigia um grau de intimidade muito maior. O contrato do apartamento que ela dividia com uma colega estava vencendo. Tivemos uma ideia maluca: por que não passar um tempo em nossa casa? Só até arrumar outro apartamento.

Vivi no paraíso por quase um mês. Sexo todo dia – e com duas mulheres! A experiente, que eu amava há dez anos, e a Carla-Cameron dos meus sonhos. Até quando eu chegava cansado, as duas me comiam; uma subia em cima do meu pinto e cavalgava, enquanto a outra me beijava. Até eu gozar e dormir com uma de cada lado. Mas logo Carla começou a ficar arisca comigo. Os almoços, por exemplo, não aceitava mais. Dizia que como morávamos juntos, não eram necessários. Eu sentia falta do sexo fugaz.

Era meu rodízio. Em vez de ficar até 20h no escritório, como sempre fazia, decidi passar em um cliente perto de casa e furar a proibição. Entrei em casa e percebi uma agitação. Peguei minhas duas mulheres com um cara na minha cama, um rosto conhecido. Era um novo estagiário do escritório.

Lúcia caiu no choro, pedindo perdão. Carlinha e o rapaz vestiram-se e saíram mudos. Meu sócio despachou Carla de volta para a Argentina e o estagiário, eu nem sei que fim levou.Tudo voltou ao normal na minha vida. É claro que, de vez em quando, ainda sonho com Carla-Cameron.