PERFEIÇÃO SOBRE RODAS

Prestes a completar um século, a Aston Martin abre as portas para Status e mostra porque é um ícone britânico entre os carros mais luxuosos do planeta

 

Por Luciano Velleda, de Gaydon (Inglaterra)

 

QUANDO O CERIMONIAL do casamento do príncipe William com Kate Mid- dleton escolheu qual veículo transportaria os noivos pelas ruas de Londres na união mais badalada do século, a decisão não recaiu sobre nenhuma majestosa carruagem dos tempos vitorianos. A honraria coube a um Aston Martin azul-escuro, modelo DB6, lançado em 1965.

A escolha é emblemática. Os carros Aston Martin são um símbolo da identidade nacional britânica, um ícone cultural. Prova disso é o recente reconhecimento obtido no ranking CoolBrands, que anualmente elege as marcas mais prestigiadas na opinião dos consumidores da terra da rainha. Nos últimos sete anos, a Aston Martin foi eleita a número 1 em cinco ocasiões, incluindo 2010 e 2011. Quando não venceu, obteve a segunda colocação. A relação da Aston Martin com os ingleses é ainda nutrida no cinema pela firme parceria da empresa com o personagem James Bond. Desde 1964, o agente secreto 007 pilota modelos Aston Martin para defender os interesses da coroa britânica.

Nesta e na imagem acima, dois ângulos do one-77, o esportivo definitivo da Aston Martin – e o mais exclusivo: apenas 77 unidades do modelo foram fabricadas

A Aston Martin completa 100 anos no ano que vem. Ao longo desse tempo, a empresa tornou-se mais do que uma montadora de automóveis. Ao unir em um único produto design inovador, alta tecnologia e produção artesanal, ela assegura um legado para a indústria automotiva mundial e faz com que seus carros encarnem como poucos um estilo de vida.

Um estilo de vida luxuoso, mas também veloz. As máquinas desenvolvidas pela montadora também desfilam por pistas de corrida desde 1922, quando um Aston Martin participou do Grande Prêmio da França. Em 1959, o time da Aston Martin, com o modelo DBR1, sagrou-se campeão do World Sportscar Championship, vencendo provas glamorosas como os 1.000 km de Nürburgring e a 24 Horas de Le Mans. O sucesso nas corridas continuou ao longo da década de 1960 e, após um tempo afastado das pistas, voltou recentemente ao ganhar em 2007 e 2008, em Le Mans, com o modelo DBR9.

O clássico DB6, lançado em 1965, foi o veículo eleito para transportar o príncipe William e sua Kate Middleton no casamento realizado no ano passado

A tecnologia, as linhas e a aerodinâmica dos carros de corrida sempre influenciaram os projetistas e engenheiros da Aston Martin no desenvolvimento dos veículos de passeio. Esse é um dos segredos que a reportagem de Status pôde desvendar ao visitar a fábrica e linha de montagem na cidade de Gaydon, no centro da Inglaterra.

O tour de um dia, privilégio reservado normalmente apenas a clientes antigos ou potenciais compradores, começa do lado de fora, no pátio da fábrica, onde diversos modelos brilham como se tivessem luz própria. No lado de dentro, posicionado na recepção, está um Vanquish vermelho, o mais recente lançamento da marca. Ao seu lado, um V12 Vantage e um V8 Vantage dão as boas-vindas e antecipam o que vem a seguir: um ambiente com razoável silêncio, um único grande armazém com subdivisões de acordo com o fluxo da linha de montagem.

Cada um é único
Cada carro leva em torno de 200 horas para ser construído. Desse total, 50 horas são gastas apenas para a pintura, que chega a receber até 17 camadas de tinta para atingir o ponto considerado ideal. Todo Aston Martin é fabricado mediante encomenda, com a produção diária oscilando entre 20 e 25 unidades. O futuro dono pode optar por uma quase infinita combinação de cores, além da espessura da costura do estofamento, a cor do couro do assento, o tipo de suspensão e até a característica dos freios.

Embora a montagem de um carro conte com tecnologia de ponta, as habilidades dos funcionários da fábrica são fundamentais no processo. Os motores do V8 Vantage S, por exemplo, são construídos manualmente. “Ajustamos o motor, de cada modelo, à exaustão. Nada pode ser menos do que perfeito”, diz Brian McCarthy, supervisor de produção. O perfeccionismo é tanto que, sempre que um problema em um veículo é detectado, toda a linha de produção da fábrica é interrompida até a solução do impasse. Trata-se de um invejável paradoxo: na Aston Martin, não existe pressa para construir máquinas que alcançam até 300 km/h.

O melhor da visita, porém, ainda estava por vir. A reportagem de Status recebeu uma dádiva concedida a poucos mortais: fazer um test-drive com dois modelos da marca nas estradas próximas à fábrica do povoado de Gaydon. O primeiro, um V8 Vantage S, com câmbio automático, tem 430 cv de potência e é capaz de alcançar 100 km/h em 4,9 segundos. Chega a até 305 km/h, muito embora nosso instrutor sentado ao lado não tenha deixado que superássemos os 100 km/h. Foi suficiente para perceber a imediata resposta do motor a cada acelerada e a agilidade do veículo ao mínimo manuseio do volante.

A fábrica, um detalhe do acabamento

O estúdio de design da empresa: das 200 horas que cada carro leva para ser construído, 50 delas são gastas apenas com a pintura

Nosso segundo bólido foi um V8 Vantage, com câmbio manual. O som do motor V8 com 425 cv impressiona, assim como a leveza do veículo percebida em sua direção hidráulica. Estranhamente, o novo instrutor tem postura diferente e logo ordena sem pestanejar: “Go faster, faster.” Percebo que os outros carros ao redor abrem passagem, como se estivéssemos a bordo de uma máquina superior. “More power, more power”, insiste ele, me desafiando. Soberanos, seguimos adiante, como verdadeiros reis da estrada.

 

MODELOS DISPONÍVEIS NO BRASIL

• Vanquish

 

Motor: V12 com 565 cv
Aceleração: zero a 100 km/h em 4,1 segundos
Velocidade máxima: 295 km/h
Preço: R$ 1,9 milhão

• V8 Vantage Cupê

 

Motor: V8 com 425 cv
Aceleração: zero a 100 km/h em 4,9 segundos
Velocidade máxima: 290 km/h
Preço: R$ 650 mil

• DBS

Motor: V12 com 517 cv
Aceleração: zero a 100 km/h em 4,3 segundos
Velocidade máxima: 307 km/h
Preço: R$ 1,6 milhão

• DB9 (conversível)

 

Motor: V12 com 470 cv
Aceleração: zero a 100 km/h em 4,8 segundos
Velocidade máxima: 300 km/h
Preço: R$ 998 mil

 

99 ANOS DE LUXO E VELOCIDADE

1924

O Side Valve é um dos primeiros modelos da empresa, ainda sob o nome Bamford Martin Ltda.

1947

Nasce o DB2, que deu origem à linha DB, um dos mais famosos carros da montadora inglesa

1956

O DBR1 é lançado, marcando o início da relação de sucesso da Aston Martin com as provas de corrida

1963

Surge o DB5, o mais emblemático modelo da centenária marca

1988

Com design de linhas retas, o Virage significa a entrada da Aston Martin na década de 1990

2009

 

O exclusivo modelo One-77, com apenas 77 carros fabricados, torna-se a referência da Aston Martin para o futuro dos veículos esportivos

2010

 

A empresa lança seu mais polêmico modelo, o compacto Cygnet, voltado à mobilidade e praticidade da vida urbana

 

FLERTE ENTRE ÍCONES

Desde que apareceu pela primeira vez no cinema com o modelo DB5 no filme 007 contra Goldfinger (1964), a Aston Martin nunca mais deixou de estar associada ao famoso espião. De lá para cá, o agente secreto pilotou outros modelos da marca inglesa, como o V8 Vantage, o Vanquish e o DBS. A união com Bond, porém, não é o único flerte da montadora inglesa com o universo pop, ícones da moda, do design e da alta tecnologia. Em 1960, um acordo com o renomado estúdio italiano de design Zagato deu origem ao DB4GT Zagato e, anos depois, a dois novos modelos, o mais recente deles o V12 Zagato, lançado em 2011. A prestigiada marca inglesa Bang & Olufsen assina os alto-falantes e o sistema de áudio dos carros da companhia. Além disso, a montadora mantém parceria com a casa de champanhe Louis Roederer, com a grife de sapatos artesanais John Lobb e com a fabricante de relógios de luxo Jaeger-LeCoultre. A empresa suíça, por sinal, apresenta no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo deste ano quatro relógios da linha Amvox no estande da Aston Martin. Entre eles, o modelo Amvox2, que permite que seu proprietário possa abrir e fechar seu Aston Martin por meio de botões no relógio.