CASA, COMIDA E… COMIDA

Tem coisas que acontecem e a gente não consegue explicar, ou melhor, conseguimos explicar, mas ninguém quer entender, principalmente as nossas mulheres

 

Ilustração Lovatto

 

MEU NOME É MARCELO, tenho 39 anos, moro em Porto Alegre, cidade onde nasci, e trabalho na fábrica de cerâmica da minha família. Sempre que posso vou surfar, corro e malho diariamente. Sou casado há quatro anos com Cecília, uma mulher linda que concorreu ao título de miss Rio Grande do Sul e não levou o troféu por pouco. Foi quando a conheci. Montei para ela uma loja de roupas femininas no shopping Moinhos que é conhecida por todas as patricinhas da cidade. Moramos em Moinhos dos Ventos, um bairro chique, num apartamento bem grande. Aliás, enorme só para nós dois, mas ela diz que quando os filhos vierem vai estar de bom tamanho, enfim…

Almoçamos em casa quase todos os dias. Eis que um dia cheguei para almoçar e Cecília tinha uma novidade. E que novidade: ela me apresentou Marina, uma moça loira, maravilhosa, de uns 19 anos. Disse que ela era filha da mulher que cuidou da casa da mãe dela durante toda a vida, tinha vindo estudar aqui em Porto Alegre, moraria conosco, e, em troca de casa, comida e um pequeno salário, cuidaria da casa durante o dia e estudaria à noite. Realmente não dava para acreditar numa mulher daquela como doméstica.

Íamos levando a vida, só encontrava Marina na hora do almoço e, de vez em quando, à noite. Ela ficava quietinha no seu quarto vendo tevê e estudando. Mas aí chegou o verão. Comecei a reparar que Marina usava uns vestidinhos daqueles bem leves, justos e curtinhos, que realçavam um corpo maravilhoso. Meu Deus! Tira esses pensamentos da minha cabeça. Eu olhava cada vez mais para ela e não tinha como não pensar em sacanagem. Percebi que ela também me olhava como que sabendo o que eu estava pensando. A situação começou a ficar cada vez mais perigosa. Cecília um dia fez um comentário sobre as roupas de Marina e disse que ia falar com ela. Falei que ela era uma menina e que não tinha nada de mais usar aquelas roupas. Cecília me olhou meio torto, mas não acusou nada.

Uma noite saímos para jantar com amigos, tomamos bastante vinho e voltamos para casa por volta de meia-noite. Fomos deitar e Cecília capotou. Fiquei vendo televisão sem conseguir dormir. Com sede, fui até a cozinha pegar água. Quando estava dando um gole, ouvi. “Boa noite, Marcelo.” Olhei e não quis acreditar. Marina estava em pé na porta que dividia a área de serviço, com uma camisolinha transparente que mostrava uns peitinhos durinhos com os faróis ligados, apontando para o céu, a calcinha, mínima, deixava-a simplesmente inacreditável! Uma deusa! Quase engasgando e cuspindo a água respondi com a voz sumindo. “Boa noite, Marina.” Ela abriu um sorriso lindo, perguntou se eu não estava com sono, já emendou que não conseguia dormir pensando em mim e que foi uma grande coincidência eu chegar. Perguntei o que ela pensava, ela disse que não tinha como não reparar nos meus olhares para ela e que ela ficava excitada com isso. Arregalei os olhos, ela também, pois tinha visto o volume que crescia embaixo do meu pijama.

Sem pensar, parti para cima, dei um beijo, empurrei-a para o quartinho, tirei a camisola e o meu pijama e comecei a beijá-la inteirinha. Ela gemia e sussurrava barbaridades me deixando cada vez mais louco. Botei ela de quatro e não parei um minuto. Quando estava quase gozando, ouvi um grito: “FILHOS DAS PUTAS!!!”. Adivinha? Cecília acordou com sede, não me viu na cama e veio tomar água. Que cagada! Ela ficou ensandecida, não parava de gritar, pegou uma faca enorme e veio para cima de mim com uma raiva animal. Eu pedia calma – “vamos conversar” – e me defendia das investidas da faca com um travesseiro que, em segundos, ficou em pedaços. Peguei uma cadeira e ela, cada vez mais louca, queria me furar de qualquer jeito, falei para Marina correr e abrir a porta para sairmos no hall de serviço. Empurrei Cecília e saí correndo pelado para fora de casa. No caminho consegui pegar uma toalha. Descemos pelas escadas de serviço. Quando cheguei lá embaixo o porteiro da noite que tinha ouvido os gritos, chamou a segurança da rua que chegou rápido com aquelas luzes de viatura rodando alucinadas. Outros vizinhos também ouviram a gritaria e perguntavam pelo interfone o que tinha acontecido, o puto do porteiro falava que a dona Cecília tinha ficado louca e que eu e Marina estávamos pelados no saguão. Os mais curiosos começaram a descer. Para completar, começaram a chover peças de roupas, as minhas, que caíam no jardim do prédio.

Da varanda , Cecília gritava desvairada e arremessava meus ternos Zegna, meus Ferragamo, minha bermudas de surf, tudo e, por sorte, minha carteira…O pandemônio estava instalado. Eu, de toalha, Marina com um casaco emprestado pelo porteiro, e sem saber o que fazer. Aí, tive uma grande ideia. Dei uma grana para o porteiro recolher e guardar minhas roupas, vesti uma calça e uma camisa jogadas no jardim, calcei um mocassim arremessado, botei a carteira no bolso, peguei meu carro e fui com Marina para um hotel.

Já que estava tudo fodido mesmo, aproveitei e terminei o que tinha começado. Só que com champa…