O EXCLUSIVO DO EXCLUSIVO

Não basta ter dinheiro e muito menos querer. Para adquirir algumas das máquinas mais desejadas do planeta, aquelas produzidas em séries superlimitadas, é preciso ser escolhido

 

O QUE FAZ UMA OBRA DE arte alcançar milhões de dólares em leilões mundo afora? Além, obviamente, do autor da peça, o que a torna especial é ser única, carregada de simbologias subjetivas. É difícil, portanto, encontrar outros produtos que ombreiem com uma tela ou uma escultura, mas eles existem. São algumas das supermáquinas produzidas em limitadíssimas séries especiais. De tão diferenciadas e exclusivas, elas transcendem o uso racional de um automóvel, de uma moto ou de uma aeronave, e passam a valer pelos mesmos atributos embutidos em peças de arte. E, para adquiri-las, não basta ter muito dinheiro. É preciso ser escolhido.

Há dois anos, por exemplo, a marca de carros alemã Porsche lançou uma série limitada de seu modelo 911 Turbo S. Batizada de “Edition 918 Spyder”, ela custava R$ 300 mil no mercado europeu – um valor relativamente baixo para os padrões da marca. Mas, para poder se candidatar à compra de uma das 918 unidades numeradas, era preciso já ter assinado um cheque muito maior. É que o modelo só estava disponível para os compradores do híbrido 918 Spyder que pagaram, antecipadamente, cerca de R$ 1,7 milhão e estão na fila aguardando a produção e entrega de seus exemplares. Os dois carros, de produção limitada, são ligados por uma numeração que vem impressa no painel, a mesma para ambos os modelos. Em resumo: uma peça de colecionador.

“O fascínio desses produtos não está no valor, mas em uma combinação de fatores. O raro, o singular, a exclusividade são todos elementos que, juntos e em harmonia, conferem a percepção de best in class”, explica Carlos Ferreirinha, presidente da MCF consultoria, especializada no mercado de luxo. Diante disso, selecionamos três máquinas com status de obras de arte: raras, desejadas, únicas e esculpidas com maestria. Saiba, a seguir, por que elas são tão especiais.

 

Lamborghini Sesto Elemento

O chão branco e asséptico reflete a iluminação proveniente das células fotovoltaicas. As paredes com isolamento térmico mantêm a temperatura estável. De repente, o local toma vida e a atmosfera de centro cirúrgico é quebrada por uma profusão de homens de preto debruçados sobre uma ilha de trabalho. É a linha de montagem do Centro de Desenvolvimento de Protótipos da Lamborghini, na cidade italiana de Sant’Agata Bolognese. Nem todos os Lamborghini são feitos ali, apenas os excepcionais, como o Sesto Elemento. Apresentado em 2010 como um concept car, ele acaba de ser promovido ao posto de veículo de série.

Apesar do motor V10 5.2 de 570 cv, o grande destaque está em suas estruturas de fibra de carbono. Não apenas a carroceria, mas o chassi, a base e as suspensões são feitos com esse material. O resultado é um carro ultraleve, com o peso de um popular. São 990 quilos contra os 2.000 quilos de um modelo equivalente. Os dados de desempenho são surpreendentes. Ele consegue chegar aos 100 km/h em míseros 2,5 segundos, enquanto um Lamborghini Gallardo com o mesmo motor leva 3,4 segundos. A velocidade máxima passa fácil dos 320 km/h.

Aliada à potência, a Lamborghini promete puro prazer ao volante porque, além de leve, o carro é equilibrado. Tem uma distribuição ideal de peso entre os eixos, tração integral e um câmbio automatizado de seis velocidades. É o que garante a fabricante. Mas apenas 20 felizardos terão o prazer de conferir, após serem escolhidos para desembolsar cerca de R$ 5 milhões pelo superesportivo.

O sexto elemento

A fibra de carbono é a base da tecnologia construtiva deste superesportivo. Por isso, a Lamborghini abriu mão da tradição de batizar seus modelos com nomes de raças de touro para homenageá-lo. O carbono é o sexto elemento da tabela periódica e foi isso que inspirou seu nome. Extremamente resistente e leve, o material vem sendo trabalhado por toda a indústria nos últimos anos, mas a Lamborghini, empresa de propriedade da Audi, foi talvez a que mais investiu nessa tecnologia de redução de peso.

Geométrico

    

O design do Sesto Elemento, baseado em figuras geométricas como o hexágono e o triângulo, foi testado para ter eficiência aerodinåmica

Desempenho

O peso é distribuído igualmente entre os eixos, o que garante equilíbrio. E o câmbio faz trocas muito mais rápidas do que um ser humano conseguiria

 

BMW R 1200 GS Tom Luthi Edition

Visualmente, esta moto chamada Tom Luthi Edition não é muito diferente de uma tradicional BMW R1200GS. Mas, ainda assim, é um produto para poucos. Sua produção foi limitada a 100 unidades, todas elas numeradas e comercializadas apenas na Suíça, país onde nasceu o campeão das duas rodas Tom Luthi. No tanque de cada um dos exemplares fabricados há a assinatura do Luthi, que já empresta seu nome também para uma linha de relógios de sua compatriota e patrocinadora Tissot.

Essa linha GS da BMW reúne motos Trail de respeito de diferentes cilindradas. Elas são praticamente as Harley Davidson dos terrenos inóspitos. Essa 1200 cilindradas tem potência de 100 cv e tecnologias que ajudam a melhorar a segurança no asfalto, como ABS e controle de tração que podem ser desativados durante o off-road. Entre os itens de conforto estão computador de bordo, manopla aquecida e bancos com altura ajustável.

Completando o luxo, as Tom Luthi Edition, vendidas por cerca de 17 mil euros, são totalmente pintadas de preto, o que destaca ainda mais o logotipo da marca. As inscrições com o nome da série em prata fosco e as pinças do freio pintadas de azul são exclusividade da versão, assim como o para-brisa fumê.

Tom Luthi
Nascido na Suíça, em 1986, Tom Luthi iniciou sua carreira aos 11 anos de idade. Em 2005, já era campeão do Mundial de motos até 125 cilindradas, quebrando um jejum de 20 anos de seu país na categoria. Jovem, ele se tornou ídolo do esporte e, dois anos depois, se transferiu para as motos de 250 cilindradas. Hoje, competindo na MotoGP, é garoto-propaganda de produtos de luxo e associou seu nome à moda e à tecnologia.

Preto fosco

A pintura exclusiva desta série limitada traz sofisticação a uma moto própria para trilhas. Além de destacar as cores da logotipia da BMW

 

Agusta Pininfarina Limited Edition

O helicóptero despertou o interesse da aviação executiva por seu conforto e eficiência

Independentemente da escala de produção, algumas máquinas são desejadas puramente pela tecnologia que oferecem. Esse é o caso do helicóptero AW 139 produzido pela italiana AgustaWestland, um modelo que começou a despertar o interesse da aviação executiva por suas características de conforto e eficiência. Mas foi em 2007, quando a americana Aero Toys Store comprou um lote de 12 unidades do modelo que ele entrou na lista de objetos de desejo para poucos.

A empresa, em parceria com o estúdio de design Pininfarina, customizou os exemplares para que eles ficassem ainda mais exclusivos e aptos ao uso privado. “Temos uma filosofia simples: sermos os melhores em tudo. E a Pininfarina é a melhor no que faz, por isso, a escolhemos”, afirmou Morris Shirazi, CEO da empresa sediada em Fort Lauderdale. Das 12 unidades, uma ainda está disponível no showroom da loja na Flórida, mas seu preço é mantido sob sigilo. Considerando que um Agusta AW139 tradicional custa por volta de US$ 13 milhões, o valor estimado de um Agusta Pininfarina Limited Edition certamente passa dos R$ 35 milhões, mesmo tratando-se de um exemplar produzido há quatro anos.

O aparelho é um biturbina médio com alta potência que alcança os 310 km/h, tem autonomia para seis horas de viagem, teto operacional de 5.931 m e capacidade de carga de 200 kg (com peso máximo de 6.400 quilos). A bordo, há espaço para dois tripulantes e 10 passageiros e o nível de ruído de menos de 60 decibéis. Se o AW 139 já era considerado uma espécie de Ferrari dos céus, o que dizer desta série limitada?

A Pininfarina

O estúdio de design italiano criado em 1930 por Battista Pinin Farina é um dos mais conceituados do mundo. Responsável pelo design de todos os modelos de Ferrari desde a década de 1960, o escritório, hoje sob o comando de Paolo Pininfarina (foto), tem em seu portfólio projetos de barcos, aviões, embarcações, relógios e até estádios de futebol. “Não há fronteiras para o design”, afirma Paolo. Qualquer produto assinado pelos designers da empresa ganha status de obra de arte e se torna objeto de desejo.

Sofisticado

    

Poltronas de couro, bagageiro com acesso interno, revestimento em madeira nobre, chão acarpetado e porta deslizante para acesso à cabine