SEXO NAS ALTURAS

Estevan, médico casado de 42 anos, voltava de um congresso na Austrália. No avião, conheceu – intimamente – uma loira liberal. Mas não esperava encarar sua mulher no aeroporto. E ainda por cima cheia de amor para dar!

 

Em depoimento a Alice M.
Ilustração Amanda Grazini

 

SEMPRE VIAJO NA POLTRONA 6A. Tem até uma pesquisa internacional que comprova que é o melhor lugar do avião. Não tenho medo de voar, só acho desagradável passar horas sem poder circular, comer com talheres de plástico, e o pior: usar aquele banheiro minúsculo. Faço questão de pelo menos sentar na melhor poltrona.

Mas a minha volta do congresso na Austrália começou mal. Um monte de neurologistas brasileiros disputando a pole position no embarque e um engraçadinho já sentado no meu lugar. Conversei com o colega e ele me mostrou o bilhete: 6A. Ou seja, emitiram duas passagens com a mesma poltrona. Reclamei com o comissário, que simplesmente me indicou um lugar vazio lá no fundo, e ainda por cima no corredor!

Ao chegar ao meu novo assento, dei de cara com uma gata loira de uns 30 e poucos anos. Queimada de sol, olhos verdes, usava uma regata branca com as alças do sutiã rosa aparecendo, minissaia jeans e muitas pulseiras coloridas.

Ela estava lendo a revista de bordo e me encarou quando sentei. Senti liberdade para dizer:“Oi, prazer, Estevan.” E a gata respondeu, com bom humor: “Oi, Letícia, de Santa Catarina. Que bom sentar ao lado de um homem educado. Porque vamos passar um tempão aqui dentro.”
Uma das minhas primeiras namoradinhas do colégio era de Floripa, com aquele mesmo sotaque cantado. Que encontro mais afrodisíaco para quem estava havia dez dias sem sexo.

O avião decolou. Estava exausto. Dei uma cochilada até ser interrompido pelo serviço de bordo. Letícia, supersimpática, puxou assunto. “Você dormiu pesado. Eu não preguei o olho.” Achei que valia a pena investir na gata, mesmo tendo uma mulher incrível me esperando em casa – minha querida Ana Flávia –, afinal, a vida é uma só e… Ah, essas coisas que a gente pensa quando está há tempos na secura. “Estou voltando de um congresso de neurologia em que só trabalhei e ouvi palestras chatas. E você? Dá pra perceber que pegou praia.”

Ela me contou que era advogada, trabalhava em São Paulo, mas estava voltando de um ano sabático em que resolveu fazer uma surftrip, daquelas cheias de surfistas buscando ondas perfeitas em um barco em alto-mar. Uau! Que mulher ousada. Comecei a me interessar ainda mais por Letícia. E meu pau, a subir, mesmo eu estando praticamente um zumbi.

Os comissários retiraram o lanche e as luzes se apagaram novamente. Meu sono passou e a gata estava animada, contando da tal surftrip. Aquele sotaque catarinense e o jeito de ela mexer nos cabelos estavam me deixando louco.

Tinha um cobertor nos meus pés. Não estava com frio, mas achei prudente cobrir a calça para não evidenciar o óbvio. Letícia veio se aninhando perto de mim com uma desculpa esfarrapada: “Também estou com frio. Posso dividir o cobertor com você?” O detalhe é que ela também recebeu um igual ao meu, mas deve ter escondido em algum lugar. “Claro, vamos eliminar a fronteira entre nós.” Levantei o braço que separava nossas poltronas e estiquei o cobertor na direção dela, que dobrou as pernas para cima do assento, colocando as coxas em cima do meu pau.

Diante da atitude da moça, tomei coragem e parti para o ataque. Coloquei a mão dela na minha perna, bem perto do que me interessava de fato. Ao mesmo tempo, fui abraçando Letícia até beijá-la. Ela foi 100% receptiva. Deslizou a mão até meu pinto e começou a acariciá-lo, por cima do jeans. Logo a gente estava se atracando. Me senti um big brother, só trocando o edredom pelo cobertor.

E se algum colega neuro estivesse de olho e dedurasse para minha mulher? Era paranoia minha. A maioria dos passageiros estava dormindo. Ana Flávia só voltaria da casa da mãe dela, no interior, dois dias depois. Daria tempo de me recuperar daquela aventura e recebê-la para a maratona de sexo que havíamos combinado.
Letícia era safada. Abriu o zíper, driblou a cueca e segurou meu pau com vontade. Que mão poderosa. Cada movimento certeiro! Eu beliscava de leve os peitinhos dela, estava na beira do gozo. Sem poder emitir um gemido sequer, nem movimentar as poltronas.

Os comissários começaram a desconfiar. Tivemos que dar uma pausa. Letícia estava vermelha e ofegante. Muito inteligente, fingiu que estava passando mal, levantou e me arrastou para o banheiro exclusivo das mulheres.

Exploramos cada centímetro daquele cubículo no melhor estilo “contorcionistas do Cirque du Soleil”. Começamos de pé. Encostei Letícia na porta. Levantei a saia e abaixei a calcinha, enquanto ela abria meu zíper e dava uma massageada no meu pau. Rolou um boquete relâmpago só para ficar molhado.

Enfiei com tudo e demos aquela trepada de soquinho, bate-estaca, até eu quase gozar. Pedi para Letícia ficar de quatro. Precisava ver aquela bunda com a marca de biquíni. Agachados e espremidos, inventamos uma posição que duvido que exista no Kama Sutra. Eu metendo com vista para aquela bundinha linda empinada. Ainda demos mais uma virada para terminarmos no papai e mamãe reduzido. Gozei um segundo depois dela, numa turbulência só nossa.

Sem tempo para relaxar, ela saiu do banheiro e eu logo atrás. Dormi o resto da viagem feito uma rocha, com Letícia no meu ombro.

Muitas horas depois, chegando ao aeroporto em São Paulo, pegamos as malas e saímos conversando, um carrinho atrás do outro, quando pensei ter visto minha mulher no meio da multidão. Mas não podia ser! Ana Flávia estava no interior, com a mãe, e só voltaria dois dias depois. Mas e se fosse? Fiquei perplexo e paralisado.

Várias pessoas me ultrapassaram. Continuava parado, tentando descobrir se era mesmo Ana Flávia. Quando voltei ao normal, vi que era minha mulher mesmo, dando tchauzinho. E que Letícia já tinha sumido dali, porque de besta ela não tinha nada. Respirei aliviado e achei que tinha escapado da roubada. Mas o pior ainda estava por vir.

Aquele mesmo neurologista folgado que sentou na minha poltrona favorita no avião veio na minha direção. Deu um tapinha no meu ombro, e disse em alto e bom tom, sem reparar que eu estava acompanhado – ou de propósito mesmo, nunca vou saber: “Tá de parabéns, colega. Além de ter dado a melhor palestra na Austrália, mandou ver no banheiro do avião. E que loira, hein?” E saiu andando.

Ana Flávia quis explicações. Jurei de pés juntos que apenas acudi uma moça loira que passou mal. E que o falastrão deve ter me visto levando a loira ao banheiro feminino e imaginou coisas. Minha mulher teve uma crise de ciúmes, mas depois se acalmou e fomos para casa.

Desde aquela viagem, toda vez que entro num avião, dou uma passadinha no toalete só para lembrar da deliciosa transa com a catarinense.