TRAÇO DE MESTRES

Muitas vezes o encontro de duas estrelas da música é cercado de tanta expectativa que acaba decepcionando. Não é o caso das parcerias escolhidas pelos ilustradores POL e Sakiroo Choi. A dupla resolveu se juntar e transformou suas escolhas em personagens gráficos que fizeram parte de uma exposição na Coreia do Sul

 

Por Piti Vieira

 

Depois de alguns meses de trabalho conjunto, o colombiano Jean Paul Egred, conhecido como POL, e o coreano Sakiroo Choi finalizaram seu primeiro projeto intitulado “Rock It”, uma série de ilustrações com algumas das maiores parcerias na música das últimas décadas. A escolha dos artistas pelos ilustradores foi feita de acordo com o gosto musical dos próprios e traz duplas como Bowie e Mercury na clássica Under pressure, Eddie Van Halen e Michael Jackson em Beat it, Kanye West e Daft Punk em Stronger, Aerosmith e Run DMC em Walk this way e Johnny Cash e Bob Dylan com o disco Sessions.

Parte de uma série de projetos chamada de East meet west, que junta criativos ocidentais e orientais, o que começou como uma homenagem a grandes músicas foi ganhando adeptos e virou uma exposição com mais oito artistas de cada país chamada According to them (De acordo com eles), que aconteceu recentemente em Seul, na Coreia do Sul. O processo de criação das imagens de Choi e POL fará parte de um minidocumentário, que deve sair em breve. Confira a série de cinco ilustrações e entenda também por que essas faixas merecem ser celebradas.

1. Under pressure, David Bowie e The Queen

Bowie apareceu no estúdio onde o Queen gravava o disco Hot space (1982), para participar dos vocais de apoio da canção Cool cat. Ele não gostou do resultado e a versão final acabou saindo sem a sua voz. Para não perder a viagem, o cantor acabou improvisando com os quatro integrantes do Queen (o vocalista Freddie Mercury, o baixista John Deacon, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor) e saiu Under pressure.

2. Beat it, Michael Jackson e Eddie Van Halen

Eddie foi um convidado surpresa em Beat it, terceiro single do disco pop mais bem-sucedido de todos os tempos, Thriller. Seu solo de guitarra durou 20 segundos e levou meia hora para ser gravado. Foi um favor para Quincy Jones, produtor do álbum e famoso músico no cenário da música negra americana.

3. Walk this way, Aerosmith e Run DMC

Em 1986, o Aerosmith estava em decadência depois de fracassados álbuns, brigas internas e excessos com drogas. A parceria com o Run DMC foi a volta por cima de Steven Tyler e companhia. A música saiu no álbum Raising hell, do Run DMC e, pela primeira vez, misturaram rap e rock.

4. Sessions, Bob Dylan e Johnny Cash

Em 1969, quando Dylan fazia o disco Nashville skyline, Cash apareceu no estúdio e os dois gravaram mais de vinte músicas. Só duas entraram no disco. O resto foi lançado somente em 1994 no álbum The Dylan/Cash sessions.

5. Stronger, Kanye West

A música faz parte do álbum “Graduation” do astro americano do hip-hop e ganhou um Grammy como “melhor performance solo de rap”. A canção contém um sample de Harder, better, faster, stronger, do duo francês Daft Punk, que recebeu o crédito pela composição e apareceu, com seus trajes robóticos, no vídeo da música.

 

Musa do mês

Solange Knowles, 26 anos, é a irmã caçula, descolada e linda de Beyoncé. Ao que tudo indica, uma família abençoada pela genética, já que as moças, além da beleza, têm talento e dom para fazer música pop boa. Para evitar comparações com a irmã, ela, que também é atriz e modelo, usa apenas o primeiro nome.

 

O plano de Bowie

David Bowie anunciou que lançará um novo disco, depois de dez anos de silêncio. Mas como é que na era das redes sociais foi possível manter essa informação em segredo por dois anos? Entenda como foi a tática do cantor para que o álbum não vazasse na internet

    

“Que trabalho é esse do qual você não pode dizer nada?” foi a pergunta que Tony Visconti, produtor e parceiro de David Bowie desde Space oddity, de 1969, mais ouviu nos últimos dois anos. Da mulher, dos filhos, dos amigos. Todos desconfiaram que teria a ver com Bowie. Mas a resposta de Visconti foi sempre a mesma: “Estou trabalhando num grande projeto, mas não posso dizer o que é.” Por isso, o anúncio feito recentemente por David Bowie de que lançará, em março, um novo disco de inéditas, The next day, foi mais do que um motivo de alegria e satisfação para Visconti, como o próprio contou ao jornal inglês The Guardian.

Tudo começou há cerca de dois anos, quando o cantor ligou para Visconti, já com todo o plano delineado. Bowie sabia bem o que queria e por isso estabeleceu como única condição ao produtor a de que ninguém poderia saber de nada. Mas não foi fácil. Logo no início, o músico teve que mudar de estúdio. “Ainda nem tínhamos começado o álbum e recebemos uma ligação: ‘É verdade que estão trabalhando num novo disco no estúdio tal?’”, lembra Visconti, explicando que a informação foi imediatamente negada e eles foram assim obrigados a procurar outro local para trabalhar. No novo estúdio, no SoHo, em Nova York, sempre que gravavam ou ensaiavam a equipe do local ficava reduzida a duas pessoas.

Para garantir que ninguém saberia de nada antes de ele anunciar oficialmente o lançamento do disco, Visconti e todos os músicos que colaboraram com Bowie tiveram de assinar um pacto de silêncio. Nem sequer Rob Stringer, presidente do grupo Sony Music Label, gravadora de Bowie, considerado um dos nomes mais influentes na indústria da música, foi avisado.

Visconti não sabe como ninguém juntou as peças e descobriu tudo. “As provas estavam lá. Ele (Bowie) foi fotografado perto do estúdio e, há um ano, pediu a Robert Fripp (guitarrista inglês de rock progressivo) para tocar no disco e ele escreveu em seu blog qualquer coisa como ‘David Bowie me pediu para tocar no seu álbum, mas estou muito ocupado’. Só que ninguém acreditou”, disse o produtor.

O certo é que nada se soube e a surpresa foi geral. Aos 66 anos, David Bowie voltou a dar cartas na indústria da música e ainda consegue ser notícia apenas quando quer, algo que todos julgavam impossível de se fazer em pleno 2013.

 

Palinha

O DJ e produtor holandês Armin van Buuren traz para o Espaço das Américas, em São Paulo, no dia 1º de março, a comemoração pela 600a edição de seu podcast semanal, A State of Trance, transmitido mundialmente e que já alcançou 25 milhões de ouvintes. Conheça mais sobre suas preferências musicais.

Música favorita deste ano: The fusion, do Omnia (banda holandesa que faz música folclórica pagã celta).
Três músicas que mudaram a sua vida: Netherworld, do LSG, In the air tonight, do Phil Collins, e A huge ever growing pulsating brain, do The Orb.
Artista novo favorito: Andrew Rayel (produtor e DJ de trance da República da Moldávia). n Colaboração dos sonhos: Chris Martin
(vocalista do Coldplay).
Melhor show a que já assistiu: Coldplay no Barclay Center, em Nova York.
Equipamento musical ou instrumento favorito: piano.
Disco preferido que comprou: São dois: Adventures beyond the ultraworld, do The Orb, e Zoolook, do Jean Michel Jarre.
Melhor cidade para se tocar: Ibiza.
Coisa mais estranha que já recebeu de um fã: Uma espada. n Toque de celular: A sua música We are here to make some noise.

 

AGENDA

Os melhores shows de fevereiro

• A segunda edição do Música em Trancoso (festival internacional de música clássica, jazz e MPB, gratuito) acontece do dia 23 de fevereiro a 2 de março.

• Elton John se apresenta em São Paulo no dia 27 de fevereiro, no Jockey Club; em Porto Alegre no dia 5 de março, no estádio Zequinha; em Brasília no dia 8 de março, no Centro Internacional de Convenções; e em Belo Horizonte no dia 9 de março, no Estádio do Mineirão.