É ISSO MESMO

Ex-pedreiro, o empresário Alex Poisé é o nome por trás da marca de streetwear Sumemo, a mais nova queridinha entre os fashionistas

 

ELE JÁ FOI HOSTESS DE CASA NOTURNA, roadie de banda, promoter de festas e tradutor. Também consertou extintores de incêndio, limpou barcos e trabalhou como pedreiro. Hoje, aos 44 anos, Alexandre Bionde Miranda – ou melhor, Alex Poisé – não esconde uma leve risada quando pensa onde chegou: é ele o nome por trás da Sumemo (contração usada por skatistas e outras tribos de rua para “é isso mesmo”), badalada marca de streetwear que vem conquistando desde o skatista anônimo até artistas e celebridades, como o estilista Dudu Bertholini, a apresentadora Ana Hickmann e o modelo Pablo Morais. “Nunca tive a intenção de entrar para a moda. Mas, agora que aconteceu, vou até o fim”, diz o empresário, que também palpita (e bastante) no desenho da linha masculina. Já a coleção feminina foi entregue à estilista Lila Colzani, criadora da marca Colcci e sua mais nova contratação. “O mercado brasileiro não é o bastante para a nossa marca. Queremos vender em lojas fora do País, mas também entendo que cada coisa tem sua hora”, diz o paulistano à Status.

Enquanto o momento da expansão internacional não chega, Poisé e sua equipe vão trabalhando para ampliar os pontos de venda no País. Hoje, as peças da Sumemo – como camisetas, bermudas, cuecas, bonés e até cadernos – podem ser encontradas em mais de 120 lojas multimarcas pelo Brasil, além da loja online. No ano passado, foram quase 70 mil itens vendidos, algo como 193 por dia. É um número considerável para uma empresa que nasceu há apenas seis anos, quase sem querer. “Eu mesmo estampava umas camisetas e distribuía para DJs e artistas que se apresentavam nas casas onde eu trabalhava como hostess. Sempre tinha umas peças no carro e assim foi indo”, conta o empresário. A propaganda dos amigos, muitos deles famosos (como o cantor Chorão, morto no mês passado), funcionou e, em pouco tempo, a marca já estava na cabeça de skatistas País afora. “No início, muita gente riu. Hoje riem de raiva (risos)”, comenta Poisé.

Mas a guinada da marca mesmo veio em 2011, quando Poisé foi convidado pelo jornalista e empresário André Hidalgo a desfilar na Casa de Criadores. “As peças descoladas, aliadas à imagem forte do Poisé, dão uma ideia de moda ‘clublinho’, sem dúvida um ótimo marketing”, diz Hidalgo. Com a ajuda dos estilistas Dudu Bertholini e Fabio Kawallys, as peças da Sumemo chegaram às passarelas da Casa de Criadores ainda carregadas no preto, sua marca registrada, mas, desta vez, com um apelo mais fashion. A partir dali, o que já era muito bem conhecido entre os skatistas passou a conquistar um público mais amplo, de roqueiros a patricinhas, passando por uma faixa de interesse que vai da apresentadora Julia Petit à ex-panicat Dani Bolina. “Hoje em dia, moda é estilo, é atitude. E a Sumemo é assim, uma marca que nasceu de uma visão pessoal e com uma forte ligação com a cultura da rua. Grandes marcas começaram assim”, diz Dudu Bertholini. Depois de três participações na Casa de Criadores, Poisé decidiu produzir seu primeiro desfile independente, em dezembro do ano passado (fotos ao lado). Avesso a “modelinhos de rosto pálido”, o dono da Sumemo preferiu colocar no palco apenas gente “da sua galera”. “A Sumemo é meio a minha cara. Nada mais natural, portanto, do que colocar como modelos pessoas que eu conheço e curtem a marca”, diz o empresário.

Mesmo com suas estampas de caveiras, de muito preto e da cara de mau, o dono da Sumemo garante que sua marca tem tudo para entrar no circuito das principais grifes do País. A seguir, trechos da entrevista:

Status – Você vê a Sumemo desfilando na SPFW?
Alex Poisé – Sim, por que não? Mas, quando eu entrar, vai ser pau dentro. Um lance de atitude mesmo.

– Como assim?
– Não vou ser mais um. Minas de cara pálida andando pra cima e pra baixo não têm a ver com a marca. Além disso, ao contrário de muitas grifes, sempre tivemos a preocupação de levar para a passarela peças que podem ser encontradas nas lojas.

– Todo esses rostos conhecidos que desfilaram para você em dezembro, como Ana Hickmann, Pablo Morais, Dani Bolina… Eles receberam cachê?
– Não, ninguém. É daí que vem a veracidade. A Sumemo é meio a minha cara. E gosto de colocar na passarela pessoas que eu conheço. Ali teve de tudo: modelo, tatuador, skatista, artista, vagabundo. Tento passar uma verdade.