OLHA A SURPRESINHA!

Roberto sempre gostou de mulheres altas e corpulentas. Até o dia em que foi ao motel e caiu na piscina com uma delas

 

Por Tom Cardoso
Ilustração Zé Otávio

 

EU GOSTO DE MULHERES ALTAS. Sempre gostei. E elas costumam gostar de mim – com 1,93 m, magro e definido –, nunca tive problemas em conquistá-las. Mulher para mim tem que ter porte. Jamais entendi o tesão que o meu primo Walter, mais ou menos da minha altura, tem por mulheres do tipo mignon. Diz que é bom pra colocar no colo. Mas em compensação dá um trabalho pra comer de quatro – em pé, então, nem pensar. Mulher boa é aquela que encaixa em você, mais ou menos da sua altura. Mulher corpulenta, grande, gostosa, malhada.

E a Valéria era assim. Naquela noite, não foi difícil notá-la no meio da pista de dança. Era uma morenaça. Maior que a Claudia Raia. E mais bonita também. O rosto era meio exótico. Saca a Angelina Jolie com aquele beição? Saca a Cleo Pires? Mas a Valéria era única. Não se parecia com nenhuma mulher daquela boate. Na verdade lembrava um pouco a Sofia, minha ex-namorada. Só de corpo. Sofia fazia muay thai e tinha o corpo esculpido em anos de malhação. Outro dia ouvi um médico no programa da Luciana Gimenez dizendo que o estilo da mulher de hoje é definido como “mulher-rã”, por causa das coxas cada vez mais musculosas. A Sofia fazia cerca de cinco séries com 40 repetições por dia – fora as vezes que ela agachava sobre mim. Baita mulher-rã.

Mas Sofia não chegava aos pés da mulher que eu encontrara aquela noite, cercada de amigas. Quando me aproximei de Valéria, no meio da pista de dança, ao som de Viva la vida, do Coldplay, pude ver de perto o quanto ela era fascinante. Era perfeita. Pelo menos para o meu padrão de beleza. Não gosto de mulher com cara de bonequinha. A Ana Paula Arósio, por exemplo, nunca me chamou a atenção. Mulher tem que ter traços fortes. Tem que ter p-e-r-s-o-n-a-l-i-d-a-d-e. E Valéria tinha de sobra. O rosto de contornos duros e angulosos, o pescoço meio grosso, os braços e coxas, também. E uma bunda… A bunda era coisa de cinema. Essa coisa de dizer que só mulher baixinha tem rabo… Tudo era grande em Valéria. Pirei.

Cheguei perto dela, mas não dei bandeira. Mulher também não gosta de homem fácil. Passa desespero, insegurança. Fiquei ali ciscando, dançando e de vez em quando a encarava. Todas as vezes que eu olhei, ela correspondeu. Não sorriu, mas imaginei que ela usava a mesma tática que a minha. Fiquei ali por uns dez minutos, só a rodeando, mas sem mostrar ansiedade. Nesse meio-tempo chegou a Tatiana com uma amiga. A Tatiana era uma gostosa que eu estava tentando levar para a cama fazia tempo. Uma loira deliciosa, um tesão de mulher. Ela percebeu logo que eu estava em outra. Mulher saca essas coisas. Conversamos um pouco e ela resolveu ir para o andar de cima com a amiga. Era o que eu mais queria. Estava apaixonado pela Valéria. Sem trocar um oi. A tal história da química.

A Valéria estava dançando sozinha. Ninguém por perto. Achei que era o momento de atacar. Se mulher não gosta de homem apressado, também não gosta de homem bundão. É preciso estudar o terreno e saber o melhor momento de ir para cima. Eu fui. O som estava muito alto e gritei, com a boca colada no seu ouvido:

– Qual seu nome, gata?
– Valéria. E o seu, querido?
– Roberto.

O tom de voz dela era meio meloso. Mulher quando quer dar fica assim. Decidi que tinha que ser direto. Curto e grosso.

– Você é maravilhosa, sabia?

Assim que ela ouviu o meu elogio, virou-se de frente para mim e me encarou. Fiquei de pau duro na hora. Ela grudou sua boca na minha. Sem a menor cerimônia. Nos beijamos. Ficamos nos esfregando um tempão. Ela tinha uns peitões. Duros. Deveria ser silicone. Mas eu nem liguei. Ficava apertando a bunda dela, grande e dura como uma pedra. Uma delícia! Quase gozei nas calças. Uma hora a gente se desgrudou um pouco, ela foi conversar com uma amiga, e eu dei uma olhada no ambiente. Olhei para cima, para o segundo andar, e vi a Tatiana e a amiga dela olhando para mim, rachando o bico. Deviam estar bêbadas.

Eu não aguentava mais. Meu pau estava latejando e eu precisava sair dali. E levar a Valéria comigo, claro. Dançamos mais um pouco e decidi ser direto mais uma vez:

– Eu quero te comer.
– Eu também…

Peguei a Raposo Tavares. Estava com tanto tesão, tão ansioso por sexo, que parei no primeiro motel da estrada. Pedi o quarto “suíte presidencial”, 600 paus a diária. A piscina estava quentinha. Abri o teto solar – fazia uma noite linda. Era o meu dia de sorte. Fiquei com medo de gozar logo e disse que ia tomar um banho primeiro – que ela podia ficar à vontade, pedir o que quisesse. De preferência o melhor champanhe do cardápio. Quando saí do banho, a Valéria estava dentro da piscina. Pude perceber o quanto ela era alta. A piscina era funda, o que não impedia que o seu rosto e boa parte do pescoço ficassem pra fora. Um avião de mulher.

Quis fazer bonito. Saí correndo e mergulhei de cabeça na piscina. Queria mostrar serviço – chupá-la debaixo d’água. Mas algo me impediu. Era um corpo estranho. Menor do que um braço, mas bem maior do que um dedo. Era um pau, enorme, que balançava entre as rígidas coxas de Valéria. Com o impulso do salto, de olhos fechados (eu uso lente de contato) cheguei a encostar minha boca no troço. Lancei-me à superfície desesperado, com os olhos arregalados, perplexo:

– O que é isso, Valéria?
– Ué, não gosta, Roberto?

Não me lembro mais como eu consegui colocar minha roupa tão rápido, pegar o carro, pagar a conta e acelerar pela Raposo Tavares como alguém que foge de um sequestro. Mulher-rã nunca mais. Só perereca.