YANNA LAVIGNE

A Tamar, da novela global Salve Jorge, mostra em primeira mão o corpão de sex symbol que sua personagem esconde na televisão

 

Fotos André Nicolau
Por Nirlando Beirão

 

 

NÃO SE DEIXEM ENGANAR PELA DÓCIL e caseira Tamar, a personagem que Yanna Lavigne encarna em Salve Jorge! Fazer a turca Tamar, meigamente submissa ao maridão Demir (Tiago Abravanel), exige de Yanna um considerável esforço dramatúrgico de forma a neutralizar o calor de sensualidade que exala naturalmente dela e a escamotear, em fartura de véus e vestidinhos, esse corpão de sex symbol que a natureza lhe deu e vocês aqui têm o privilégio de desfrutar, antes de todo mundo.

“No fundo, é melhor assim, minha carreira está apenas começando e já sou testada num papel que não tem nada a ver com o que eu sou”, diz Yanna sobre Tamar. O que ela está sugerindo é que a televisão adora um estereótipo e que, mais dia, menos dia, ninguém há de imaginar Yanna em outro papel senão o de mulherão arrasa-corações, da estirpe de uma Sonia Braga ou de uma Juliana Paes. “Um dia, irão rever meu currículo e descobrir que eu sou capaz de me encontrar em outros personagens como essa Tamar”, antecipa ela.

Sonia e Juliana… olha aí uma ilustrativa coincidência. Yanna é filha de uma baiana de Ilhéus. Dá para arriscar que a Gabriela de Jorge Amado, vivida por Sonia e por Juliana, também foi feita sob medida para Yanna. “Escreve isso que eu gosto”, brinca. Na verdade, Yanna Lavigne é um explosivo mix: baiana por parte de mãe, paulistana de nascimento, sansei pelo lado paterno. Avó e avô nasceram no Japão e emigraram para o Brasil antes da guerra. Tiveram que trabalhar duro, embora o avô fosse um refinado poeta. Yanna se sente “culturalmente uma brasileira” e está certa de que “o sangue baiano grita mais forte”, tanto que não troca o arroz com feijão por um sushi ou sashimi, mas o fato é que herdou o que há de melhor de cada etnia. Yanna é uma multinacional da beleza, um primor de mestiçagem, baiana com shoyu e wasabi, gueixa com pimenta e dendê.

Logo que se mudou para o Japão com pai e mãe, aos 14 anos, percebeu essa vantagem do duplo vínculo. O pai queria tomar contato com suas raízes históricas. Yanna encarou o desafio de terminar por lá o curso médio e aprendeu japonês na marra. Mas outro desafio – bem mais sedutor – já a esperava. Virou modelo. Sua beleza exótica intrigava os japoneses. Disputou e ganhou o concurso de Miss Komaki. Komaki é um bairro de Nagoia, onde a família se fixou. Dali, Yanna seria catapultada para um polpudo contrato com uma agência de modelos de Tóquio. Mudou-se para a capital, passou a morar sozinha.

A agência tinha ótimos planos para a carreira dela, mas, logo depois de os pais voltarem ao Brasil, Yanna rompeu o contrato e voltou também. Ler mangás foi o único hábito que ela conservou do Japão. Logo receberia o convite para estudar na Oficina de Atores da Record, no Rio. Entrou para a Faculdade de Artes Cênicas da UniverCidade e decidiu apostar nas vantagens de uma formação acadêmica. Não é fácil a agenda de quem faz novela no horário nobre, mas, bem ou mal, Yanna continua levando a faculdade muito a sério.

Fez uma ponta em Avenida Brasil. Era uma periguete que entrava na loja do Diógenes para seduzir o filho dele, Roni. Quer dizer: tentar seduzir, já que o Roni não jogava nesse time. O personagem de Yanna nem nome tinha na novela e ela ficou no ar cinco minutos. Cinco minutos no horário nobre, milhões de pessoas coladas ao vídeo. Foi o suficiente para ela. Está na cara que Yanna é um bicho de televisão. Adora fazer e aceita prazerosamente as consequências. Assédio, por exemplo? “Se vier, vai ser bem-vindo”, diz. “É sinal de reconhecimento.”

Yanna é dona de uma espontaneidade desconcertante. Namoradeira assumida desde os 16 anos, diz que nunca consegue ficar sozinha. Um momento: fazendo as contas, se a primeira vez foi aos 16, ela estava no Japão, então… “Nada disso”, corta ela. “Foi um brasileiro. Os japoneses são muito fechados. Ótimos no trabalho, muito cordiais…” Mas, em questões que envolvem corpo e alma, aí Yanna é totalmente gaijin, cem por cento burajiru.

 

Créditos:

Edição Ariani Carneiro
Styling Juliano Pessoa e Zuel Ferreira
Beleza Erica Monteiro

Produção de moda Patrícia Grossi
Assistente de foto Fabrício Pimentel
Assistente de produção Bruno Pimentel
Assistente de beleza Matheus Pasticchi
Tratamento de imagem André Nicolau

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