DANÇANDO NA RUA

A Decentralized Dance Party (DDP) é uma festa que acontece pelas ruas de cidades dos EUA e do Canadá, de graça, com a missão de livrar os habitantes da monotonia da vida noturna das boates

 

Por Piti Vieira

 

Parece ser mais uma encenação do meme “Harlem Shake”. Mas não é nada disso. É mais uma DDP

Os canadenses Ryan Stomberg, de 27 anos, e Gary Lachance (que parece ter 30 anos, mas não confirma sua idade, dizendo que tem “18 anos até morrer”) queriam acabar com a mesmice da vida noturna de Vancouver. Resolveram, então, criar uma festa, realizada pelas ruas da cidade, em que ninguém paga para entrar, com um bando de malucos fantasiados carregando uma centena de rádios portáteis, estilo boombox, muito populares nos anos 80, todos transmitindo sucessos fáceis de cantar e dançar, misturados com músicas eletrônicas mais recentes. São as Decentralized Dance Party (DDP), festas que começam em um ponto de encontro marcado pelas mídias sociais e, em seguida, perambulam por uma área pré-estabelecida pelos organizadores da bagunça.

Ryan Stomberg (à esq.) e Gary Lachance com a Nintendo Power Glove, luva que funcionava como joystick, lançada nos anos 80, que tornou-se um símbolo das DDP

Todas as festas contam com a ajuda da “Força Tarefa de Elite Banana”, cuja missão é manter a festa animada. “Se você tiver qualquer problema, encontre um Banana. Eles são treinados para resolver qualquer problema”, diz Lachance ao microfone, várias vezes, durante as festas

Lachance leva um iPod na mão, ligado a um transmissor FM que carrega na mochila, e distribui às pessoas rádios portáteis sintonizados na mesma frequência do transmissor. Depois é só dar o play e praças, estações de metrô, shoppings e até balsas viram pistas de dança. Cada festa tem um tema e é financiada por sites de crowdfunding. Desde 2010, a DDP viaja pela América do Norte e, segundo os criadores, mais de 200 mil pessoas já experimentaram essa diversão em cidades como São Francisco, Austin e Nova York, entre outras cidades. O sucesso é tamanho que está em curso uma campanha de financiamento para o projeto The Global Party Pandemic, que pretende realizar uma edição simultânea em pelo menos 50 países. Nesse dia, equipes locais da DDP tomarão as ruas e farão a maior festa de todos os tempos. “Precisamos de US$ 25 mil para fazer dar certo”, diz Lachance. “Essa é a minha paixão. Quero fazer isso para o resto da minha vida.”

Em 2012, a DDP recebeu patrocínio da Rayovac: baterias para todas as suas festas

 

DESCENTRALIZE-SE

Aprenda a fazer a sua própria Decentralized Dance Party

(A) Um iPod com uma playlist que coloque as pessoas para dançar por horas, sem repetir uma música (a não ser a pedidos).

(B) Um transmissor FM, com uma antena de 25 watts (com essa potência a antena atingirá alguns quilômetros desde que não haja muitos obstáculos entre ela
e os receptores), sintonizado em uma frequência vaga.

(C) Microfone para orientar e falar com a galera.

(D) Um mixer para ligar o transmissor, o microfone e o iPod, e uma bateria de 12 volts para dar conta de toda a operação.

(E) Muitos rádios portáteis, estilo boombox, para sintonizar na mesma frequência do transmissor.

(F) Muitos seguidores nas redes sociais ou, pelo menos, 50 amigos que jurem comparecer ao seu evento para ele não micar.

(G) Um mapa com as ruas a serem percorridas e os lugares onde a festa ficará parada por alguns minutos. É muito importante não atrapalhar o trânsito, os pedestres, os moradores e, principalmente, respeitar a propriedade alheia, as leis de cada cidade e não desobedecer à polícia, caso ela resolva aparecer.