DE VOLTA PARA O PRESENTE

O empresário Facundo Guerra fala sobre o retorno do Bar Riviera, sua parceria com o chef Alex Atala

 

Por Bruno Weis

 

Facundo Guerra

Facundo Guerra, 39 anos, é um homem apaixonado. Primeiro por sua filha Pina, de um ano. Depois, pelo centro de São Paulo, onde construiu todos os seus negócios – o clube Vegas, já fechado, os bares Volt e Z Carniceria, a casa de shows Cine Joia e o clube Yacht. A mais nova paixão do empresário, bem perto dali, está prestes a nascer. É o Bar Riviera, um marco da boemia paulistana das décadas de 1960 e 70, que reabre as portas em julho. Sob o comando de Guerra e de seu sócio Alex Atala, considerado o melhor chef do Brasil, o Riviera fica em uma das esquinas mais icônicas da metrópole, a da avenida Paulista com a rua da Consolação. Em sua nova fase, o estabelecimento volta remodelado e ampliado: terá bar no térreo e clube de jazz no andar de cima, na “mais complexa obra que já toquei”, como definiu Guerra ao conversar com Status entre tapumes, tijolos e blocos de cimento da obra que vai transformar em realidade o projeto assinado pelo arquiteto Marcio Kogan. “Tudo aqui é sob medida e a cozinha é de alta performance, um verdadeiro Fórmula 1”, aponta Guerra, provavelmente o único empresário da noite no Brasil abstêmio e que é doutor em ciência política. Leia aqui os melhores trechos da entrevista:

O novo letreiro em neon do bar, anunciando sua reabertura

Como você e Alex Atala viraram sócios?
Foi pelo Instagram. Começamos curtindo um as fotos do outro. Aí um dia fui comer no D.O.M. e conversamos, ele falou que tínhamos que fazer alguma coisa juntos. Depois definimos que ele tocará as comidas e o Jean Ponce, barman do D.O.M., um profissional tão inventivo quanto o próprio Alex, vai cuidar do bar, resgatando inclusive coquetéis clássicos como meia de seda e bombeirinho. E eu devo me dedicar sobretudo ao clube de jazz ao vivo, que é algo que sinto que falta em São Paulo.

Por que um clube de jazz?
Ao contrário de cidades como Nova York ou Londres, São Paulo ainda conta com poucos lugares que oferecem jazz ao vivo de maneira despretensiosa. Aqui inclusive os músicos ficarão no nível do público e quem quiser ficar só no bar embaixo não precisa pagar o couvert artístico. O clube terá sua própria banda, composta por integrantes da Tradicional Jazz Band e noites com curadorias e propostas específicas, com espaço para música instrumental, nova MPB, produção mais autoral e jazz clássico.

Você e Alex Atala são dois nomes de peso, cada um em sua área. Como a fama de ambos interfere no projeto do novo bar?
O Riviera é maior que nós dois e não vamos embarcar em uma egotrip, perdendo o respeito pela história do lugar. Nosso objetivo também é ganhar dinheiro, claro, mas sem trair a memória do Riviera.

O Riviera é um ícone da boemia paulistana dos anos 1960 e 70. O novo bar é um espaço de nostalgia?
Não, até porque odeio nostalgia. O projeto se inspira no passado do lugar, pretende honrar sua tradição de juntar boêmios e pessoas intelectualmente inquietas ao redor de boa comida a preço acessível. Mas é um bar da São Paulo de hoje. Vamos criar um ambiente simples, até porque não há motivo para competir com a paisagem que vemos ali (aponta para a vista por detrás da enorme janela que ocupa praticamente toda uma das laterais do andar de cima: a avenida Paulista).