O QUE OS OLHOS VEEM O CORAÇÃO SENTE

José Eduardo sempre azarou as mulheres do escritório e nunca se preocupou com as casadas. Até o dia em que uma delas contou para o marido

 

Ilustração Giovanni Tabolacci

 

MEU NOME É José Eduardo, mas todos me chamam de Zé. Trabalho em um canal de televisão por assinatura em São Paulo que faz parte de um tradicional conglomerado americano de comunicação com empresas em diversas áreas. Sou diretor de publicidade, tenho 39 anos e estou divorciado. No nosso escritório, no bairro da Vila Olímpia, temos cerca de 100 funcionários das áreas de programação, marketing, publicidade, administração, operações, entre outras. Enfim, um ambiente com muita gente jovem e bonita, a maioria falando em inglês com os contatos dos nossos patrões gringos.

Outro dia, chegando à empresa, passei pela área de marketing e vi uma mulher maravilhosa, de uns 30 anos, loiríssima, sentada na cadeira de assistente do diretor. Na hora, desviei meu caminho e fui me apresentar. O nome dela é Karen e ela estava começando como assistente do Ricardo, diretor de marketing. Dei minhas boas-vindas e ela, muito simpática, despachada e cativante, agradeceu e me deu um sorriso maravilhoso, daqueles que a gente sente um arrepio na coluna.

No mesmo dia, comentei com o Ricardo a excelente aquisição para o departamento e para a empresa. É de gente assim que precisamos! Ricardo, que me conhece bem, riu e foi logo avisando: “Cara, ela é casada com um cara da área de asset de um bancão americano, grande parceiro da holding dona dos nossos canais, e tem jeito de ser muito séria. Eles moravam em Nova York, ele acabou de ser transferido para São Paulo e foi um diretor do banco que indicou a Karen para o nosso presidente. Você sabe como o grupo é pentelho e rígido com essa história de assédio, então, meu caro, CUIDADO! É encrenca”.

Beleza. Aos poucos, fui me aproximando, almoçando com o pessoal, procurando sempre me sentar ao lado dela e começamos a trocar confidências sobre as nossas vidas. Ela me contou que conheceu o Paulo, seu marido, em um badalado bar em Nova York quando estava fazendo um curso de aperfeiçoamento de inglês. Começaram a namorar e em pouco tempo foram morar juntos. Não são casados no papel, mas é como se fossem. Não têm filhos, moram nos Jardins e levam uma vida bem movimentada e agitada, apesar de ainda terem poucos amigos em São Paulo.

Um dia, fomos almoçar só nós dois. Ela me contou que o Paulo estava em Nova York até o fim da semana. Na hora perguntei se ela queria tomar um drinque em um badalado bar. Afinal, ela estava sozinha e conhecia pouca gente na cidade. Ela falou que já tinha ouvido falar do lugar e que estava louca para conhecer. O prédio dela é bem perto do bar. Passei para pegá-la às 21 horas e fomos para lá. O ambiente é bem moderno, um som ótimo, com gente bonita e descolada.

Ela adorou. Tomamos champanhe, logo estávamos trocando olhares e vi que ia me dar bem. Como ela não conhecia ninguém e estava bem à vontade, lá pelas tantas parti para cima e dei um beijo que ela retribuiu com muito tesão. Ficamos mais um tempo trocando carinhos e fomos para a minha casa. Cara, que coisa! Que corpo! A mulher era um vulcão em plena atividade. Transamos a noite toda com muita vontade. Foi demais! Naquela semana, saímos todas as noites do escritório para a minha casa. Era champanhe e sexo a noite inteira.

O Paulo chegou. Demos um tempo, até que um dia ela passou na minha mesa antes do almoço e perguntou, com uma cara sacana, se eu não queria almoçar no Hilton. Topei na hora, liguei e fiz uma reserva para um day-use. Seguimos direto para o quarto, quase transando no elevador, tal era o tesão dela. Depois da transa, ela deitou no meu peito e de um jeitinho muito sacana falou:

– Zé, contei do nosso caso para o Paulo…

Dei um pulo da cama.

– O QUÊ?!?!?!?

Ela riu e falou:

– Calma. Como eu falei, o Paulo e eu temos uma vida sexual muito ativa, aberta, e estamos sempre a fim de novas experiências. Outro dia a gente estava vendo um filme de sacanagem em que o marido chega em casa, vê a mulher com o amante e fica observando e se masturbando sem que eles percebam. Na hora aquilo deu um tesão na gente e o Paulo falou que tínhamos que experimentar isso um dia. Eu transando com outro e ele olhando. Ontem pintou um clima e eu contei da gente. Ele se empolgou e quer marcar logo. O que você acha?

Porra! Você pirou? Não vai dar. Eu transando com a mulher dele, o cara vendo e descascando uma! Vou lá saber se ele tá batendo uma para ela ou para mim? NO WAY! Falei que nem pensar. Descemos e voltamos para o escritório.

Depois desse lance, ela foi se afastando, não respondia meus e-mails, disfarçava quando me via. Enfim, nosso caso já era. Tudo bem… Curtimos muito e vamos para outra. Um dia, chego ao trabalho e minha assistente dispara: “Zé, o Marcos, presidente, quer falar com você”. Fui até a sala dele e, com um ar muito sério, ele avisou. “Zé, recebi uma reclamação do diretor do banco, nosso maior cliente”, disse ele, para a minha preocupação. “Ele reclamou que você está assediando a mulher dele, a Karen.”

A casa caiu!