JULIANA IMAI

Filha de Portugueses e japoneses, ela alterna como ninguém doses iguais de sensualidade ora quente, ora zen. mas esqueça o rótulo “exótico”. O que melhor define a beleza hipnotizante da modelo paranaense é o mesmo traço cosmopolita que a fez conquistar o mundo.

 

Foto André Schiliró

Edição Ariani Carneiro

Edição de Moda Dudu Faria

Beleza Marco Pires (Capa Mgt)

 

Juliana Imai lembra aqueles escritores japoneses clássicos – Kawagata, Akutagawa, Tanizaki – para quem as pausas podem ocasionalmente valer tanto quanto as palavras, o silêncio sendo um atributo tão valorizado quanto o enunciado. Tem o dom de revezar o hot com o zen.

Status quis saber, por exemplo, qual seria a avaliação dela, de zero a dez, sobre seu próprio grau de sensualidade. É uma pergunta legítima, não acham? Afinal, a moça vira e mexe está numa campanha de lingerie e foi graças ao corpão que Deus lhe deu e que a natureza aprimorou que ela chegou a desfilar, em 2007, naquela que é a grife da sensualidade por excelência, a Victoria’s Secret.

De mais a mais, ao folhear este ensaio, com alta voltagem hormonal, não dá para não se perguntar de onde é que vem tal poder de sedução. Juliana Imai prefere que os outros – a começar por você, leitor – respondam por ela.

No caso de Juliana, o blend está na cara – do lado da mãe, japoneses, do lado do pai, portugueses –, mas o maior triunfo da carreira de quem um dia saiu de Cruzeiro do Oeste, Paraná, aos 13 anos, para ser top no firmamento da moda foi exatamente ter escapulido da arriscada armadilha do “exótico”, de um nicho que poderia, sim, no início ajudar, mas que, com o tempo, corria o risco de aprisionar.

Então, fica combinado o seguinte: o sucesso de Juliana vai além dos rótulos e das etiquetas. O padrão dela é completamente cosmopolita quando ela empresta o rosto para Sephora, Guess, Dolce&Gabbana ou Richard Chai, ex-Marc by Marc Jacobs, hoje o mais internacional dos estilistas americanos.

Vinte e oito anos, signo de peixes, Juliana confirma as predisposições do zodíaco quando se trata de driblar, fora das passarelas, o mais que natural assédio masculino – no Brasil, lá na América, na Europa. Quando acontece, ela nem percebe; ou quando percebe, ignora. O que também tem a ver com traços da sua hereditariedade. Um dos personagens típicos do teatro kabuki é o kuroko. Ele entra em cena, mas, sempre calado, vestido de negro, é como se não estivesse ali. Mas Juliana Imai, nem se quisesse, conseguiria se fazer invisível. Ela não é só uma mulher, ela é um estardalhaço.

 

Status A descendência japonesa sugere uma pessoa serena, discreta. O estereótipo da morena é de uma pessoa extrovertida, expansiva. Entre um modelo e outro, onde é que Juliana Imai se situa?

– Juliana Imai Tenho um pouquinho de tudo isso. Aliás, como toda mulher brasileira.

Qual é seu estado civil predileto: casada, comprometida ou solteirinha da silva?

– Feliz.

Qual é atualmente o estado de seu coração?

– Amando.

É bom ser desejada?

– Pelo homem certo, é, sim.

Esse homem ideal, qual é?

– Tem de ser inteligente, tranquilo, sensível, de bom coração.

Como é que você administra a ponte aérea SP-NY?

– Não tenho nenhum problema com isso. Eu gosto de viajar, é da minha natureza. Viajo o ano todo, a trabalho, para vários países diferentes e nunca me sinto cansada.

Qual é o seu sonho? Cinema? Tevê? Ou casar e ficar bem quietinha em casa?

– Sonho?… Bem, na carreira e na minha vida pessoal já me sinto tão realizada que meu sonho seria outro: ver um Brasil sem corrupção, sem impostos absurdos, com bons hospitais e com um respeito maior e mais cuidado com as minorias.

Quais são seus hobbies, seus caprichos? Sai à noite? Janta fora? É baladeira?
– Gosto de meditar, pratico krav maga, ioga. Amo a natureza e a tranquilidade, também gosto de jantares em casa, com amigos. Amo cozinhar. Restaurantes eu tenho meus favoritos: o Zuma, em Miami, o Cipriani, em Nova York, e também Daniel Bouloud, Morimoto e Nobu. Em Paris, o Café Marly, L’Atelier de Joël Robuchon, l’Étolie e L’Avenue. Em São Paulo, o D.O.M., Fasano e Rodeio.

Nirlando Beirão

 

Produção executiva Marina Felício
Assistentes de foto Tiago Rocha e Tony Dias