O TEMPLO SAGRADO DO ROCK

Palco dos primeiros shows de bandas como Ramones, Stooges e Talking Heads, o CBGB, lendário clube roqueiro de Nova York, vai virar filme.

 

Por Piti Vieira

 

A banda de punk rock Rancid, em 2003

Para quem não conhece a história do principal berço do punk rock americano, o filme CBGB promete remontar a trajetória desse clube localizado no bairro do Bowery, em Nova York, que recebeu em seu palquinho Iggy Pop, Ramones, Patti Smith, Velvet Underground, New York Dolls, Blondie, Talking Heads, The Police e dezenas de outras bandas e artistas que mais tarde se tornariam consagrados. O longa acompanha a história de Hilly Kristal (interpretado por Alan Rickman, o Snape da saga Harry Potter), idealizador e proprietário do clube fundado em 1973. Fã de country e bluegrass, ele sonhava em ter um espaço voltado para esse tipo de música, tanto que batizou seu estabelecimento de Country, Bluegrass e Blues (CBGB). Ao enfrentar dificuldades com os músicos do estilo, decidiu voltar-se para outros gêneros de rock. A única exigência do proprietário era a de que eles apenas tocassem músicas próprias. O local foi fechado em 2006, após uma disputa envolvendo o aluguel. O filme será lançado no dia 11 de outubro nos Estados Unidos. No Brasil, ainda não há previsão de estreia. Conheça algumas curiosidades sobre o lendário bar.

 

  • Na década de 1970, o Bowery era considerado um bairro decadente da ilha de Manhattan, povoado por mendigos e prostitutas. Hoje é um local hipervalorizado.
  • Estima-se que mais de 50 mil bandas tenham se apresentado no local.
  • No início da década de 80, a cena que manteve o clube vivo foi a de hardcore underground, com bandas como Bad Brains e Agnostic Front.
  • Já no final dos anos 80 a casa deixou de realizar shows de hardcore, o que fez com que se abrisse espaço para bandas de rock alternativo como Sonic Youth e Living Colour.
  • Após o fechamento do CBGB, Hilly Kristal pretendia levar o bar para Las Vegas, mas ele veio a falecer no dia 28 de agosto de 2007.
  • O museu de arte Metropolitan, em Nova York, exibiu uma mostra este ano chamada Punk: chaos to couture. A grande estrela da exibição não era uma peça da estilista inglesa responsável pela moda punk, Vivienne Westwood, mas a réplica do banheiro do CBGB, lugar nojento onde as bandas costumavam escrever seus nomes nas paredes.
  • Desde o ano passado um festival de cinco dias toma vários lugares de Manhattan e Brooklyn. Este ano, o CBGB Music & Film Festival acontece de 9 a 13 de outubro, com 700 artistas tocando em mais de 175 locações.
  • Os brasileiros Supla e Ratos de Porão também tocaram no CBGB.

 

 

Reconhece essa Guitarra?

O diretor de arte e designer multimídia italiano Federico Mauro fotografou as guitarras e os violões de músicos famosos. Você sabe de quem elas são?

Resposta: 1.Kurt Cobain; 2.Chuck Berry; 3. John Lennon; 4. Bruce Springsten. Confira mais em www.federicomauro.eu

 

A Nova Ordem de Peter Hook

No dia 4 de outubro, Peter Hook, ex-integrante das bandas Joy Division e New Order, traz ao palco do Cine Joia, em São Paulo, clássicos que marcaram uma geração. O show faz parte da turnê mundial que apresenta ao vivo os dois primeiros discos do New Order: Movement e Power, corruptions & lies. A coluna conversou com o lendário baixista.

Como você se sente tocan-do estes discos pela primeira vez em tantos anos?
Fantástico! Nós fizemos mais de 180 shows ao redor do mundo com o material do Joy Division, mas com Movement e PC&L só nos apresentamos quatro vezes até agora. Então, no momento, ainda é muito emocionante e muito fresco. Há tantas músicas boas que ficaram escondidas por muitos e muitos anos, o que, para mim, é muito triste.

Como foi a transição para a frente do palco (Hook agora canta e toca baixo em apenas algumas músicas)?
Para ser honesto, quando comecei o projeto, em 2010, eu ficava muito nervoso. Mas com o passar dos anos passou a ser natural.

Por que não cantar e tocar baixo ao mesmo tempo?
A resposta curta para essa pergunta é que eu acho difícil fazer isso. Conheço muitos músicos que têm o mesmo problema. Você tem que lembrar que durante a maior parte da minha carreira eu era apenas o baixista e não tinha que me preocupar em cantar. Eu ainda toco baixo, mas tenho que trabalhar em torno dos vocais. Tive muita sorte porque o meu filho Jack, que tem 24 anos, é um baixista fantástico também, então ele toca baixo comigo. Eu acho que funciona bem assim. Além disso, é bom lembrar que um monte das músicas no New Order tem duas linhas de baixo tocando simultaneamente.

De onde surgiu o seu estilo de tocar baixo, segurando o instrumento na altura dos joelhos?
Sempre fui um grande fã do Clash e o Paul Simonon é um dos meus heróis e uma das minhas maiores influências na música. Achei que ele parecia muito “cool” usando aquela alça longa do baixo e decidi copiar. Isso acabou se tornando uma das minhas marcas.

Você planeja escrever um livro sobre o New Order?
Na verdade, eu já comecei a escrever sobre o New Order, que será o meu terceiro livro (ele já escreveu sobre o Joy Division e o Haçienda, club do qual os músicos do New Order eram sócios e que foi responsável pela ascensão da música eletrônica em Manchester, cidade onde eles moravam). O livro será lançado em 2014.

É possível você voltar a tocar com o New Order (ele se desligou do grupo em 2006 após desentendimentos e não aceitou a ideia da volta da banda, que continua na ativa)?
Infelizmente, isso nunca vai acontecer. Muitas coisas foram ditas desde que nos separamos. Desejo que chegue o dia em que seremos capazes de, pelo menos, nos falarmos. A relação entre mim e Bernard (Sumner, vocalista do grupo) estava completamente desgastada já em nossos últimos shows juntos. É uma pena, mas, às vezes, a vida é assim.