O MUNDO É AMERICANO

Bastou Barack Obama sentar na cadeira presidencial para aquela promessa de mudança se dissipar. Os Estados Unidos continuam obcecados pela ideia de comandar nosso planetinha.

 

Por Monica Iozzi

 

Não sei quanto a vocês, mas eu não costumo levar muito a sério pessoas que têm uma opinião formada sobre tudo. Talvez esse seja um dos principais motivos que me levaram a gostar mais do “Obama promessa” do que do Obama presidente.

É o efeito Casa Branca. Assim que o sujeito entra no Salão Oval parece ser abduzido por algum ser estelar que lhe apresenta todo o funcionamento do universo, A VERDADE ABSOLUTA!

Mesmo que o cenário venha mudando, na prática os EUA vêm liderando o mundo há séculos. Como diria Hugo Chávez (que Deus o tenha): “Abaixo o império norte-americano!”. Será que esse era mesmo só o jeitinho excêntrico de um chefe de Estado de esquerda falar?

Se a economia deles dá sinais de que não vai bem, todo o planeta já entra em alerta vermelho. Quem fala inglês sabe que vai conseguir se virar até se for pro Camboja. Mais de 90% das pessoas conhecidas mundialmente são de lá. Cortar o cabelo no Beleza das Estrelas parece meio caído, já no Stars’s Beauty é um luxo! Milhões de pessoas passam pela vida sem nunca ter visto um único filme produzido fora de Hollywood. Claro que nenhuma dessas informações foi baseada em dados científicos, mas vai por mim.

Mas essa aí, minha gente, é só a parte mais bonitinha do negócio. Entre 1783 e 1991, os EUA participaram de quase 80 guerras, alcançando a média de um conflito a cada três anos. Até 2002 os americanos tinham acordos militares com cerca de 130 países e mantinham 700 bases militares fora de seu território (M.Coldfelter, Warfare and armed conflicts, Mc Farland, Londres, 2002). Não consegui encontrar dados mais recentes, mas a situação não deve estar tão diferente hoje, né?

Independentemente da precisão dos números, é nítido que os EUA continuam obcecados pela ideia de comandar todo o nosso planetinha. E não adianta mudar o governo. O presidente pode ser republicano, democrata, preto, branco, amarelo ou rosa-chá. Eles vão continuar fazendo isso. E pior: vão continuar fazendo isso sem ter que necessariamente desrespeitar o direito internacional e sem ter que dar maiores explicações a ninguém. O caso da nossa presidente, por exemplo.

Dilma (que, aliás, estava chiquérrima e quase charmosa em seu tailleur azul- turquesa) foi até à ONU e chutou o pau da barraca! Falou sobre a espionagem da qual o Brasil foi vítima, fez cara de brava, cobrou explicações e um pedido de desculpas formal do governo americano. Conseguiu o que a pobrezinha? Apenas uma frase de Obama: “Começamos a rever a maneira como coletamos inteligência, para equilibrar de forma apropriada as preocupações legítimas de segurança de nossos cidadãos e aliados com as preocupações de privacidade que todos compartilhamos.”

E ainda falando sobre espionagem durante uma visita à Suécia, Barack Obama disse que seu serviço secreto monitora outros países para “entender melhor o mundo”. Não podia ter sido mais vago, liso e desrespeitoso.

Agora, observe novamente essa última afirmação do presidente americano, amigo leitor. Eu me diverti a valer substituindo a palavra entender por vários outros verbos. Tente você também! Dominar, subjugar, manipular, controlar, abocanhar, amedrontar, explorar…