FAROFA FINA

Descolado, temático ou despretensioso. O tradicional piquenique ganha força em parques e praças das grandes cidades.

 

Na foto,Julia Hohagen (sentada à esq.) e seus amigos levam até vitrola nos piqueniques organizados no parque da Aclimação, em São Paulo

Toalha xadrez estendida na grama. Cesta de vime parcialmente aberta. Vinhos, espumantes. Pães, patês, frutas e doces. Entre um brinde e outro, um petisco aqui e outro ali, um grupo de amigos confortavelmente acomodados fala sobre amenidades e desfruta o dolce far niente. Tradicionalmente europeias, cenas como esta são cada vez mais comuns em parques e praças de metrópoles brasileiras, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Motivadas pelo clima, influenciadas pelo estilo de vida estrangeiro ou simplesmente interessadas em ocupar o espaço público, pessoas se reúnem em encontros ao ar livre para relaxar e ter um contato mais próximo com a natureza ou (por que não?) com o concreto de suas cidades. É dessa forma que, aos poucos, o piquenique vem se tornando mania entre os jovens e virando uma arma contra o abandono dos espaços comuns nos grandes centros. “A ideia é ocupar e revitalizar áreas degradadas”, diz Cecilia Lotufo, à frente do projeto Movimento Boa Praça, que já fez mais de 40 reuniões em praças de São Paulo, nos quais qualquer pessoa pode levar seu prato, ficar e curtir. “Graças a parcerias, já conseguimos reformar dois dos locais onde atuamos na zona oeste da cidade”. O costume de estender a toalha no concreto só não é maior porque muita gente tem preconceito contra piqueniques em praças. Sem falar no receio de a prática ser rechaçada pelos vizinhos. Antes de organizar seu aniversário em uma praça de São Paulo, a diretora de cinema Vivian Acatauassu, 27 anos, levou cópias de leis municipais que resguardam o uso desses locais pelos cidadãos. Mas não foi preciso usá-las. “Os moradores do entorno nos receberam muito bem”, diz Vivian, que defende uma “invasão” saudável desses espaços. “Se as pessoas fazem piqueniques em Paris, por que não fazem aqui? Não temos a Torre Eiffel, mas temos ótimas praças, que são nossas e podemos usar”. Antes de fazer seu primeiro piquenique, Vivian visitou 12 locações até se decidir pela ideal. Providenciou cestas com frutas e coolers com gelo para armazenar a bebida levada pelos cerca de 50 convidados. Adorou a experiência.

Selecionamos outros exemplos de ocupação consciente e igualmente prazerosa de espaços públicos e listamos dicas de onde, quando e como desfrutar ao máximo sua tarde ao sol com amigos em torno de um piquenique.

Só na Vitrolinha

O piquenique brasileiro pede pães, sucos, patês, geleias, frutas da estação e doces caseiros. Diversão é outro item obrigatório. “Para dar uma animada, levamos bola de futebol, skate ou peteca”, diz a radialista Julia Hohagen, 31 anos. Além disso, sempre tem música. “Levamos iPod com caixinhas ou uma vitrola a pilha”, diz ela. No último piquenique de sua turma, no Parque da Aclimação, na região central de São Paulo, cada um levou um disco de vinil. E a festinha do grupo teve trilha sonora eclética: de Caetano Veloso e Gilberto Gil a David Bowie e Bad Company.

 

Encontros Temáticos

A estudante Carolina Carpegiani (deitada à esq.), na Lagoa Rodrigo de freitas, no Rio de Janeiro. Nesta foto, todos estão vestidos com roupas que remetem aos anos 50

Em tempos de redes sociais e relações virtuais, o piquenique funciona, de certa forma, como um resgate do passado. “Na balada, ninguém conversa muito”, diz a estudante Carolina Carpegiani, 21 anos. “Gosto de ver as pessoas de dia e saber que elas não vão se perder na pista de dança.” Há dois anos, Carolina organiza piqueniques temáticos para cerca de 20 pessoas em locações charmosas na zona sul do Rio de Janeiro, como o Parque Lage e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Já fez reuniões inspiradas nos anos 50, com figurino de época, e no universo hip-hop, com convidados vestidos de rappers americanos e cenário montado com piscina de bolinha e baleia inflável – tudo para reproduzir o clima dos videoclipes desse estilo musical. “É divertido poder ousar nas roupas”, afirma.

 

Amizade Consolidada

As atrizes e amigas Maria casadevall (à dir.) e Cléo de páris ficaram amigas depois de um piquenique

A Roosevelt também é frequentada pelas atrizes Cléo De Páris, 41 anos, e Maria Casadevall, 25, no ar na novela global Amor à vida, que adoram bater papo e ouvir Maysa no iPod. Aliás, as duas se tornaram grandes amigas após um piquenique na praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis, no fim do ano passado. “Foi um dia muito agradável, que consolidou a nossa relação”, diz Cléo.

 

Respiro no Centro

À dir., a Relações-Públicas Polly Mariah (de vestido florido) e as amigas na praça Roosevelt

Um dos lugares que viraram ponto de encontro dos adeptos do piquenique é a praça Franklin Roosevelt, no centro de São Paulo. Desde sua reinauguração, no ano passado, o espaço passou a abrigar as mais diversas tribos e a atrair multidões em busca de um respiro em meio ao caos da metrópole. A relações-públicas Polly Mariah, 29 anos, é uma delas. “Fiz um piquenique com um grupo de amigos logo que a praça foi aberta ao público”, diz. “Gostei tanto que marquei um evento do tipo no dia do meu aniversário, meses depois”, completa.

 

Inspiração Europeia

A publicitária Flávia Marangoni (à esq.), no parque villa-lobos, em São Paulo, com o seu cachorro max e um grupo de amigos.

Há três anos, a publicitária Flávia Marangoni, 38 anos, tem o costume de se reunir com um grupo de amigos nos parques Ibirapuera e Villa-Lobos (no destaque), em São Paulo, para festejar alguma data, ou apenas desligar por umas horas. No início do verão, a turma armou no Villa-Lobos um piquenique digno de Europa. Aliás, a inspiração de Flávia e dos amigos nesse tipo de evento é mesmo o Exterior. A publicitária, que já morou em Nova York, costumava fazer piqueniques no Central Park em dias ensolarados. Além disso, um dos participantes é francês, radicado em São Paulo. “No Hemisfério Norte, os dias quentes são aguardados com ansiedade pelas pessoas”, diz o publicitário Olivier Capoulade, 37 anos. No piquenique, teve ovas de salmão, trazidas de Paris por Olivier, e alcachofras, feitas por Flávia, além de outras iguarias – tudo devidamente acomodado nas tradicionais cestas. Nas reuniões da turma não pode faltar vinho espumante.

 

Sete Passos para um Piquenique de Sucesso

 

Onde fazer o seu Piquenique

São Paulo

Parque da Aclimação
Aclimação
•Praça Coronel Custódio Fernandes (Pôr do Sol )
Alto de Pinheiros
• Praça Franklin Roosevelt
Consolação
• Praça Buenos Aires
Higienópolis

• Praça Conde de Barcelos
Pinheiros
• Parque do Povo
Itaim Bibi
• Parque Villa-Lobos
Alto de Pinheiros
• Parque do Ibirapuera
Vila Mariana
• Parque Olavo Egydio Setubal (Carmo)
Itaquera

• Praça Vinícius de Moraes
Morumbi
• Parque Alberto Löfgren (Horto Florestal)
Tremembé

 

Rio de Janeiro

• Parque Lage
Jardim Botânico
• Parque Nacional da Tijuca
Alto da Boa Vista
• Aterro do Flamengo
Flamengo
• Lagoa Rodrigo de Freitas