A HORA DO LAMBE – LAMBE

Novas sorveterias artesanais abrem as portas em São Paulo, na melhor novidade deste verão

 

por Bruno Weis

 

O que pode ser melhor do que tomar sorvete em um dia quente? Tomar um ótimo sorvete em um dia quente. O que está cada vez mais fácil, pelo menos em São Paulo, visto que, nas últimas semanas, várias sorveterias artesanais abriram suas portas na cidade.A maioria delas apostando em receitas exclusivas, produção pequena e sabores inusitados. Selecionamos aqui alguns destaques desta onde gelada para você escolher onde vai se refrescar primeiro.

 

Sucesso Imediato

 

A cada dois anos Thomas Zander e Fernanda Bastos mudam de vida. Primeiro, largaram tudo e foram morar em Paris. Depois, tiveram sua primeira filha. Agora resolveram abrir a Frida & Mina, uma sorveteria artesanal que, pelo enorme sucesso em apenas três meses de funcionamento, comprova que as iniciativas da dupla são muito bem-vindas. Instalada em um sobrado de esquina em Pinheiros, a sorveteria vem gerando filas na rua e uma paradoxal insatisfação dos clientes. “É que não abrimos aos domingos, e temos levado muita bronca por isso”, ri Fernanda. A decisão faz parte da filosofia da casa de entrar no mercado com calma. É verdade que o sucesso quase instantâneo fez os planos mudarem um pouco, conta Thomaz, o sorveteiro autodidata que assina receitas como morango com balsâmico e cerveja com chocolate. Tudo sem corante ou conservante. “Nossa paleta de cores é pálida e muita gente falou que assim não venderíamos nada”, relembra o sorveteiro, entre o feliz pela aposta ter dado certo e o preocupado em atender à expectativa gerada.

O preço da bola é R$ 7. www.fridaemina.com.br

 

Oferece água filtrada de graça a seus clientes.

Os sorvetes sem corantes.

 

Sorvete arte

O gosto do café é suave. Daí surge o limão, límpido e aromático. O equilíbrio na receita deste improvável sorvete comprova o talento da chef sorveteira Marcia Garbin, que volta a São Paulo depois de anos vivendo na Toscana, Itália. Ela retorna premiada e equipada. Premiada com o primeiro lugar no festival de sorvetes de Florença de 2013, exatamente por seu “caffè-lime”; equipada com o exclusivo carrinho de sorvetes feito por artesãos sicilianos, uma verdadeira peça de arte vintage. Por enquanto, Marcia e seu “carrello” circulam por eventos gastronômicos e festas oferecendo criações como sorvete de prosecco, limão com manjericão, chocolate branco, abacate, flor de laranjeira com damasco. Em janeiro, ela planeja abrir sua própria loja, a Gelato Boutique. “Cada sorvete é uma pequena obra de arte e fico muito feliz de ver os brasileiros valorizando nosso trabalho”, diz ela. www.gelatoboutique.com.br

 

Mais duas novidades…

À antiga Itália

Uma homenagem à “dolce vita” dos anos 1950 é o que move a nova sorveteria Casa Elli, aberta há poucas semanas no Itaim. Uma imponente porta de madeira maciça introduz à atmosfera da Itália de outrora, quando a cultura do “gelato” artesanal nascia para conquistar o mundo. Ali, sorvetes 100% orgânicos – muitos deles sem leite, como os de fruta são produzidos diariamente. Para quem tem alergia ou intolerância à lactose ou glúten, a casa oferece a “granita siciliana”, uma sobremesa feita apenas com água, frutas frescas e açúcar. Os preços variam de R$ 10 a R$ 18. casaelli.com

 

Direto de Londres

Inaugurada em novembro nos Jardins, a Gelateria DriDri promete ser a dona dos sorvetes mais leves da cidade. Criada há três anos em Londres (onde tem três unidades), a loja chega à capital paulista pelas mãos dos empresários Dimitri Mussard, herdeiro da grife francesa Hermès, e Nicolas de Virieu. Das clássicas receitas como chocolate, pistache e baunilha (com ingredientes importados da Itália) aos sabores brasileiros, feitos com frutas da estação, todos contam com índice de gordura de 6%, muito abaixo dos tradicionais 25% dos sorvetes comuns. Os 20 sabores expostos têm preços que variam de R$ 9 a R$ 14.

 

…e dois clássicos

Sabores inusitados

Premiada por anos a fio por ter o melhor sorvete do Rio de Janeiro, a sorveteria Mil Frutas é pioneira na aposta em produtos artesanais e sabores inusitados, como figo verde com mascarpone, pé de moleque ou nozes com ovos moles. Os de fruta, claro, são os carros-chefes da marca, fundada há 25 anos por Renata Saboya no Jardim Botânico e que hoje tem12 lojas em dois Estados, Rio de Janeiro, e São Paulo, e no Distrito Federal. milfrutas.com.br

 

Amazônia gelada

Há 50 anos, falou-se em sorvete na Amazônia, falou-se em Cairu. A sorveteria de Belém do Pará, atração turística para visitantes e moradores da cidade, nasceu quando Armando Laiun começou a produzir picolés em seu bar. Hoje, entre as 65 opções, destaque absoluto para as receitas feitas com frutas regionais e castanhas, como castanha-do-pará, cupuaçu, bacuri, graviola e mangaba. Só na capital paraense a Cairu conta com 12 lojas, além de outros pontos de venda em Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. facebook.com/cairuoficial

 

 

Para comer com os olhos

Três bons livros sobre comida recém-lançados

 

Gostos do Brasil

A chef Ana Luiza Trajano, do restaurante Brasil a Gosto, assina Cardápios do Brasil. Mais do que um livro de receitas (tem 47 delas) e relato de viagem, é praticamente uma enciclopédia sobre as culinárias regionais. A obra conta com glossário fotográfico de ingredientes típicos do País e um capítulo sobre a produção de 22 tipos de alimentos.
Editora Senac São Paulo. Preço: R$ 249,90

Iguaria do Pacífico

Um dos pioneiros em apresentar o ceviche ao público brasileiro, o chef Dagoberto Torres, do Suri,  é um dos autores de Ceviche – do Pacífico para o mundo, ao lado da jornalista Patrícia Moll. O livro explica a origem e dá receitas deste prato feito do cozimento de peixes e frutos do mar em suco de limão ou de outras frutas cítricas. Editora Senac São Paulo. Preço: R$ 64,90

A origem dos nomes 

História e gastronomia andam juntas em Quem colocou o filé no Wellington?, lançamento da
Editora Melhoramentos. Escrita pelo chef e apresentador de tevê inglês James Winter, o livro explica, com fotos, curiosidades e receitas, a origem e o batizado de pratos e drinques, incluindo os brasileiros feijoada e acarajé. Preço: R$ 59