TCHAU, BRASIL!

O mensaleiro Henrique Pizzolato não foi o primeiro a escapar da justiça. Ele apenas seguiu os passos de outros ilustres criminosos que debocharam dos brasileiros

 

Por Monica Iozzi

 

Henrique Pizzolato foi réu no processo do mensalão. Acabado o julgamento, o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil foi condenado a 12 anos e sete meses de reclusão. Assim que o STF deu o veredito, o homem deu um jeitinho de escapulir. Segundo a Polícia Federal, Pizzolato iniciou sua rota de fuga por Ponta Porã (MS). Em seguida, atravessou a fronteira clandestinamente, chegando à cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. Sim, ele teve tamanha coragem! Ou não, né?! É possível fazer a travessia a pé, já que as duas cidades são separadas apenas por uma avenida. De lá partiu para Assunção e de Assunção para o mundo! Mais precisamente para a Itália.

Mesmo destino escolhido por outro fugitivo ilustre: Salvatore Cacciola, lembra dele? No ano 2000, o banqueiro com nome de estilista e pinta de mafioso foi condenado em primeira instância por crimes contra o sistema financeiro, o “Escândalo do Banco Marka”. Cacciola ficou foragido na Itália por seis anos. Só foi capturado pela Interpol em 2008, ao deixar a Itália para dar uma espairecida no principado de Mônaco. PHINO!!!

Ambos os rapazes acima são ítalo- brasileiros e têm dupla cidadania, o que facilita e muito a vida do cabra que pretende passar a viver muquiado por aí.

Raízes comprovadas em outro país… Isso me faz lembrar também do nosso fujão número 3: Roger Abdelmassih. O ex-médico, especialista em reprodução humana, costumava estuprar suas pacientes enquanto estavam sob efeito de sedativos. Em 2010 ele foi condenado a 278 anos de prisão, dos quais não cumpriu um dia sequer. Abdelmassih fugiu para o Líbano e deve continuar por lá, já que é filho de libaneses e o país não tem tratado de extradição com o Brasil.

Estes são apenas alguns exemplos entre as centenas de brasileiros que são hoje procurados pela Justiça mundo afora. Por coincidência, nestes três casos os foragidos receberam uma ajudinha extra, a dupla cidadania. Poxa, que falta de sorte a nossa…

Não! Que falta de sorte o quê, gente! Falta de competência, isso sim. Esses casos aí são muito específicos, são exceções. Recebendo ou não asilo do país escolhido como esconderijo, sempre será dificílimo trazer o sujeito de volta. Anos podem se passar até que a situação seja resolvida. “Lamentar a fuga e botar o nome do procurado na lista da Interpol”, parece que isso já virou rotina no Brasil.

O problema principal começa antes, bem antes. Por que é tão fácil ser um foragido no Brasil? Ah, essa é fácil! Nossas fronteiras não são vigiadas, a polícia é despreparada ou corrupta… OK. Mas, fuçando um pouco mais em todas essas histórias, alguns dados interessantes começam a surgir.

O estuprador Roger Abdelmassih só conseguiu fugir graças a um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Salvatore Cacciola contou com a mesma benevolência, mas, desta vez, o responsável pelo disparate foi o ministro Marco Aurélio de Mello. O STF se defende dizendo que agiu segundo a Constituição e que, após as fugas, os habeas corpus foram revogados. E daí, queridos? Como diria minha avó, agora Inês é morta! Nesse caso então já é morta, enterrada e em avançadíssimo estado de decomposição!!!

Curiosidade 1: A Justiça do Rio de Janeiro concedeu, no ano passado, um indulto a Salvatore Cacciola. Ou seja, a sua pena foi extinta e hoje ele pode viver como um cidadão com a ficha limpa.

Curiosidade 2: “Precisamos compreender a angústia de quem está condenado. É ínsito (natural) à pessoa tentar escapar, principalmente conhecendo as condições desumanas das nossas penitenciárias.” Foi o que disse o ministro do STF Marco Aurélio Mello sobre a fuga de Henrique Pizzolato.