CAROLINA MAGALHÃES

A blogueira e apresentadora revela nas próximas páginas por que é a integrante mais apimentada da família que manda na Bahia

 

Fotos André Schiliró

Edição Ariani Carneiro

Styling Marcio Vicentini 

Beleza Jayme Vasconcellos (Capa Mgt)

 

Pulseira Van Joias

Carolina Magalhães é da terceira geração do clã político mais influente e poderoso da Bahia. Ela é neta do ex-governador e ex-senador Antônio Carlos Magalhães e filha do deputado Luís Eduardo Magalhães, que chegou a presidente da Câmara Federal em 1995 e morreu jovem, aos 43 anos, vítima de um enfarte. Carolina tinha, então, 19 e a perda brutal de um pai tão doce e afetivo transtornou-lhe a vida. “Percebi que nunca mais seria a mesma”, diz ela. Decidiu trocar o ninho familiar pelos desafios do mundo. Deixou a Bahia, mas, a julgar pelo sotaque que sutilmente guardou, mesmo morando no Rio, agora em São Paulo, não lhe deu totalmente as costas.

Olhando para trás, ela percebe que sair da zona de conforto foi o melhor jeito de afirmar sua personalidade de mulher e de profissional. “Tenho orgulho de ter conquistado meu espaço com minhas próprias pernas”, diz Carol. Ela é, sim, um dos vários herdeiros de um império de comunicações que tem como núcleo a TV Bahia. “Mas tudo o que ganho de lá nem vejo, eu guardo.” Paga as contas com seu trabalho.
Na TV Record, foi desbravadora e aventureira (em quadro do Hoje em dia), e fez par com Ana Hickman em Tudo é possível. Arriscou num teste para o filme Paraísos artificiais, de Marcos Prado, ganhou o papel, passou um mês filmando no Recife. No teatro, participou da criação coletiva de Um trem para Brecht, uma criativa colagem de textos do autor alemão.

No fim do ano passado, envolveu-se numa polêmica involuntária ao exibir no Instagram a sua “barriga negativa” – expressão dela. Houve quem deixasse de prestar atenção no delicioso tribal tatuado ao lado para maliciar: só pode ser anorexia. Aquilo teve o condão de mostrar que Carol não é nada política, no sentido conciliador do termo. Soltou as feras. “Será que o único prazer é jogar a amargura nos outros?”, ela tuitou. Aqui neste ensaio suculento, podemos julgar por nós mesmos.

Status Televisão, teatro, apresentação de eventos, editoriais de moda. Você se desdobra. Mas qual é a sua mídia do coração?
Carol Magalhães Hoje ganho minha vida graças à internet. Tenho um blog, o carolmagalhaes.com, que, de três meses para cá, cresceu, tem uma audiência incrível, tem patrocínio e publiposts pagos.
É sobre fitness, não é?
– Mais do que isso: começou com a curiosidade das meninas – ‘o que ela faz para manter aquele corpo?’ Mas se ampliou para bem-estar, saúde, postura de vida. Dá muito trabalho, tenho de montar os looks, escrever os textos, mas é gratificante passar às pessoas um pouco do que aprendi.
– Televisão, então, nunca mais?
– Não, não é isso. Cada experiência tem seu tempo e sua história. Comecei por acaso. A Marlene Mattos, ainda na Globo, viu uma foto minha e me convidou para fazer o programa Jovens tardes. Eu tinha 23 anos, era só uma temporada. Insegura, ainda assim aceitei.
– Ser parte de uma família como a sua ajudou ou atrapalhou sua carreira profissional?
– Olha, ser neta do ACM e morar na Bahia não era nada fácil, sabe? Com ele era amor ou ódio. Sofria muito na escola, eu que nunca me interessei pela política. O sobrenome pesava, posso dizer que tive uma infância conturbada. Com meu pai era diferente. Era adorado. Foi um articulador, que fez da política a arte da sedução.
– Muita gente critica a sua barriga negativa, dizem que é uma apologia à magreza. Como você lida com isso?
– Eu sou tranquila, segura em relação ao meu corpo. Pessoas públicas estão sujeitas a críticas construtivas e pejorativas. As pejorativas entram por um ouvido e saem pelo outro. Não dá para estressar com isso. E, enquanto falarem que é negativa, fico tranquila. O problema é se começarem a falar que a barriga é positiva.
– Você está solteira. Ser bonita e independente inibe os homens?
– Um pouco, sim. Há sempre aqueles caras de pau, que vão chegando. Mas meus relacionamentos começam em situações que não exigem beleza e atração física: numa mesa de jantar, numa roda de amigos…
– Seu blog tem a ver com o corpo sarado. Como é lidar – aqui neste ensaio – com o corpo sensual?
– É divertido brincar com a fantasia dos outros. Escolher a roupa, fazer um gênero. Comecei meio sem graça, mas aos poucos fui me soltando. E me soltei.

Nirlando Beirão

Produção Executiva Marina Felício
Produção de Moda Flamínio Vicentini
Produção de Locação Fernanda Brianti
Assistentes de Foto Tiago Rocha e Tony Dias

 

Agradecimento: Vip Náutica
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