TECNOLOGIA DO SEXO

As pessoas, num futuro que já bate à porta, vão se conhecer apenas através das redes sociais e todo fuque-fuque vai rolar por controle remoto

 

Por Reinaldo Moraes

 

Durex, no Brasil, foi sinônimo de fita adesiva durante anos, mas na Inglaterra é marca de camisinha, como muita gente sabe. Na verdade, é praticamente um sinônimo da galochinha peniana, do mesmo jeito que Modess foi para absorventes e Gillette, para lâminas de barbear. O que eu não sabia é que Durex, marca registrada em 1929 por uma fábrica inglesa, é um acrônimo de Durability, Reliability, and Excellence – durabilidade, confiabilidade e excelência, qualidades que todos nós gostaríamos de atribuir, por justo mérito, àquela parte do nosso corpo que recheia a camisinha Durex na hora do bundalelê.

Gozado que a sigla, em português, daria Ducex, com esse “sex” embutido, bastante apropriado, no caso, muito embora, em se tratando do próprio pênis, o que a tigrada quer mesmo é que o mardito fique durex o maior tempo possível. E aqui vai um slogan que dou de graça ao fabricante da famosa camisinha inglesa: “Dura lex sed lex, na piroca só Durex”. Mas é improvável que eles topem, até porque são firmas diferentes que fabricam a camisinha (Reckitt Benckiser) e a fita adesiva (3M do Brasil). Além disso, a confusão entre produtos tão diversos com o mesmo nome acabaria levando alguém a fazer embrulhos atados com camisinhas e a impermeabilizar o mandrová com incômodas laçadas de fita adesiva. Não ia dar muito certo.

Não sei quem introduziu a primeira camisinha lubrificada, muito menos em quem foi introduzida, mas acho que essa foi uma das últimas grandes novidades tecnológicas em matéria de preservativos,
à parte a camisinha feminina, que, no meu entender, não colou, e os novos materiais, muito mais finos que o látex tradicional, destinados a aumentar a sensibilidade do bilau encapado. De fato, a camisinha lubrificada foi uma grande ideia, que deve ter trazido alívio a não poucas xanas tímidas e rabicós estreantes pelo mundo afora. E adentro, claro. Mas e agora? Qual é o próximo passo tecnológico? A camisinha não vai mais se modernizar?

A resposta, que vai deixar os marmanjos de orelhas e cabeça (a sem orelhas) em pé, é um sonoro e alvissareiro sim. Pra começar, no ano passado, a Bill and Melinda Gates Foundation, instituição beneficente movida pela grana do fundador da Microsoft, lançou um desafio às mentes safadas pero inventivas do mundo todo ao oferecer 100 mil verdinhas a quem viesse com boas ideias para tornar a camisinha mais prazerosa e fácil de usar. A ideia, claro, é estimular o uso do preservativo, ajudando assim a combater as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada. Muitos dos projetos apresentados eram total maluquice.

Um deles, por exemplo, se propunha a dotar o pênis de um campo de força, como o que protegia a nave Enterprise do ataque de inimigos interestelares, no seriado Star Trek. No caso, o campo de força impediria vírus e bactérias de entrarem nos dutos e tecidos do pau, ao mesmo tempo que barraria a saída de espermatozoides. Só me pergunto se o tal campo de força peniano não acabaria por rejeitar a própria periquita e sua dona. E onde ficariam as baterias pra ativar o campo de força? No saco? Ai, ai…

Outro Professor Pardal veio como uma pistola-estilingue que dispara uma camisinha contra a cabeça do pau duro, recobrindo o dito membro com a membrana protetora numa fração de segundo. A ideia aqui é vestir a camisinha o mais rápido possível, antes que a paudurice esmoreça. Até onde entendi, é a pessoa a ser penetrada quem deve disparar o tiro protetor contra a piroca do bem amado, a qual deve ser encaixada dentro de um compartimento da tal pistola. Ni jodendo, como diria don Pepe Legal.

Os projetos aprovados vão quase todos na linha dos novos materiais, a exemplo da ideia apresentada por uma empresa de tecnologia médica que vai desenvolver camisinhas feitas de colágeno extraído dos tendões da vaca. Diz Mark McGlothin, o inventor da camisinha vacarina, que o colágeno se assemelha muito à mucosa da vagina, transmitindo todo o calor da bacurinha ao seu hóspede temporário. Muuuu!

As duas maiores novidades em matéria de sexo seguro, porém, já em fase adiantada de testes, envolvem a velha fábrica inglesa da Durex. Uma delas é ainda uma camisinha, só que dotada de um gel interno na ponta capaz de dilatar as artérias e aumentar o fluxo de sangue para o pênis, resultando em uma ereção a toda prova. A fórmula do gel é da Futura Medical, mas é a fábrica da Durex quem vai lançar o produto. A outra invenção, saída dos laboratórios da Reckitt Benckiser, detentora, como já disse, da marca Durex, é a que vai criar mais polêmica. Trata-se da roupa de baixo vibratória acionada à distância por um aplicativo baixado no smartphone. O negócio se chama“Fundawear” e se trata de calcinha, sutiã e cueca dotados de sensores vibratórios. Pelo que pude ver no vídeo de apresentação da Fodawear – ops! Fundawear –, você vai precisar de dois smartphones, um para acionar os sensores que bolinarão os seios e as pudendas da sua gata à distância (e ela o setor porta-pica da sua cueca) e outro para trocar imagens em tempo real, como no Skype ou no Facetime.

Se você ainda não conhece o bagulho, busque na internet. Vemos que a garota fica de calcinha e sutiã o tempo todo, e o cara de cueca. Mas acho que logo vão inventar sensores que permitam maior grau de nudez. Em todo caso, o recado tecnológico parece claro: a depender dos cientistas hightech, o sexo presencial está com os dias contados. O coiso na coisa, a pele contra a pele, dedos e línguas em ação, a intensa troca de fluidos eróticos, tudo isso vai ser coisa de bicho do mato ou de gente paupérrima. As pessoas conectadas, num futuro que já bate (e chucha e futuca e bota a cabecinha) à porta, vão se conhecer apenas através das redes sociais, e todo fuque-fuque vai rolar por controle remoto, no estilo da “Fodawear”. Quanto à procriação, ficará a cargo de técnicos de máscara e luvas cirúrgicas, em laboratórios assépticos. Eles é que vão apresentar os espermatozoides aos óvulos. Não acho impossível que um troço desses venha a se tornar realidade. Ou seja, meu velho, a partir de daqui a pouco, quem colocou colocou, quem não colocou vai ter que baixar um aplicativo de bolinação à distância – e não vai mais colocar. Não no lugar de sempre, pelo menos. E só não me alongo mais nessa excitante disquisição futurista porque a minha cueca começou a vibrar aqui de um jeito muito estr-tr-tr-tr-tranho… ffffffff!… Eita porra!