DO SEU JEITO

O gin tônica ganha cada vez mais adeptos com destilados especiais e um convite à criatividade: Cada um pode criar sua versão do drinque

 

Por Bruno Weis

Fotos  Rafael Hupsel 

 

Se o gin é o destilado do momento, o verão que chega ao fim consagrou seu coquetel mais refrescante, o gin tônica. O drinque vem se tornando popular graças à variedade de gins importados e artesanais que perfumam o mercado e, não menos importante, a um trunfo particular: se há uma receita que permite variações, toques pessoais e boa dose de criatividade, é a do gin tônica. Mergulhamos nesse universo para apresentar suas melhores novidades, incluindo uma entrevista com Renato “Tato” Giovannoni (acima), o mais elogiado barman argentino do momento e criador de um novo gin artesanal, que assina uma receita exclusiva de Gin Tônica para esta edição de Status.

 

 Ele quer invadir sua praia

Tato Giovannoni, 40 anos, é o dono de um dos bares mais comentados de Buenos Aires: o Floreria Atlantico, no bairro do Retiro, aberto há um ano e que fica escondido dentro de uma floricultura. Agora, Tato está de malas prontas para morar no Rio, onde planeja abrir um bar em breve. De passagem por São Paulo, ele conversou com Status:

– Conte-nos um pouco de sua trajetória.
– Sou filho de dono de bar e restaurante e aos 12 anos já estava lavando pratos e aprendendo com os mais velhos. Depois fui para a capital estudar e passei por vários bares. Ajudei a criar os bares do Hotel Faena, um dos melhores da cidade.
– Buenos Aires vive um “boom” de bares de coquetéis?
– Sem dúvida. Temos uma herança forte dos anos 20 do século passado e voltamos a valorizar nossa cultura, tradição e ingredientes locais. O Floreria Atlantico se inspira nos imigrantes que vieram à Argentina no começo do século passado. A ideia é contar, por meio dos drinques, a história do nosso país.
– Como vai ser seu bar no Rio?
– Queremos homenagear a miscigenação brasileira. Penso em um bar aberto, solar. Vamos trabalhar com ingredientes locais, que são sempre os melhores, mas com técnicas modernas e um acabamento novo. Antes disso, vamos ter um pop-up bar até a Copa do Mundo no bairro de Botafogo.

 

Sempre com pepino

Se você está navegando pela onda dos gins, é impossível ficar alheio ao escocês Hendricks, talvez o maior representante da categoria “New Western Gin”, linha mais inventiva do destilado, nascida nos Estados Unidos (veja mais na pág. ao lado). A fórmula da bebida inclui a infusão de 11 espécies botânicas, além dos dois principais ingredientes: pétalas de rosa e pepino. “Além disso, utilizamos dois destiladores diferentes para compor a bebida”, diz Tomás Vieira, gerente da marca no Brasil, que recomenda sempre utilizar fatias de pepino no gin tônica. www.hendricksgin.com

 

Degustando a história

Clover Club e Tom Collins

Quer conhecer mais sobre gin? Então seu destino em São Paulo é o Bar., aberto há um ano no bairro dos Jardins, que abriga até o fim deste mês o House of Gin, projeto em parceria com a Tanqueray, tradicional marca inglesa do destilado. Ali, a carta de drinques funciona como uma linha do tempo, partindo do gin tônica criado em 1830 (ano no qual o comerciante Charles Tanqueray montou sua destilaria) até os coquetéis modernos, passando pelos clássicos Tom Collins e Clover Club (acima), entre outros. “O gin é o destilado fundador da coquetelaria”, diz Fabricio Marques, embaixador da marca (foto abaixo). Outra atração do bar é a carta de gin tônica, na qual o cliente pode criar sua receita misturando especiarias, frutas e bitters (essências artesanais). “Gin tônica é como pizza, cada um gosta de um sabor”, define Marques. Veja abaixo algumas das opções da casa e se inspire para criar sua própria receita. barbar.com.br

Bar.; e Fabricio Marques, embaixador da Tanqueray no Brasil

Tipos de gin

Criado há mais de 500 anos na Holanda para fins medicinais, o gin hoje se divide em pelo menos cinco estilos:

London Dry
O tipo mais conhecido, seco e com forte presença de zimbro, ingrediente básico da bebida, é perfeito para Dry Martini.
Plymouth
Versão produzida exclusivamente na cidade inglesa de Plymouth, é menos seco do que o London Dry, mas deve ser usado nas mesmas receitas que ele.
Old Tom
Um pouco mais doce do que o London Dry, foi batizado por ser o mais indicado para a produção de um coquetel Tom Collins.
Holandês (ou Genever)
Estilo bem diferente dos demais, tem cor escura e sabor mais forte, lembra um uísque “botânico”. Costuma ser bebido puro ou com gelo.
New Western
Guarda-chuva para todos os novos gins feitos com infusões originais além do zimbro. Perfeito para gin tônica e outros coquetéis