LUIZA VALDETARO, VAI TE LEVAR AS NUVENS

Com cara e corpo de anjo, a atriz da novela global Joia Rara mostra que tem o dom de seduzir qualquer mortal

 

Fotos Gustavo Arrais

Edição Ariani Carneiro  |  Styling Fabrício Miranda (Capa Mgt)  |  Beleza Marcos Padilha e Ale toledo

 

Cara de anjo, alma de guerreira. Quando decidiu sair muito cedo da casa dos pais e perseguir seus próprios sonhos, ela nunca haveria de imaginar que, hoje, aos 28 anos, estaria vivendo, com a Hilda Hauser, da novela Joia rara, aquele clássico ficção-que-imita-a-vida. Hilda, assim como Luiza Valdetaro, ao fixar seus devastadores olhos verdes no futuro, não se intimida em seguir o caminho da independência e da coragem. Dá trabalho, mas é da índole dela – das duas – não desistir facilmente.
Até mesmo com a ideia de casamento – ela conta – teve de aprender a conviver. Tarefas da mãe também podem exigir uma bravura adicional. De mais a mais, o que se sussurra do ambiente da tevê é que, no natural entrechoques de egos, haja mais rasteiras e cotoveladas do que ombros amigos e mãos estendidas. Será? Luiza desmente: não é nada disso. Pelo menos no caso dela. “Eu escolhi as artes cênicas, mas de certa forma elas também me escolheram”, acredita.
Consegue fazer do trabalho na tevê como que uma brincadeira de espelhos. A Manu, de América, era a cara dela: ousada, atrevida, com gosto de pimenta. Antonia, de Cordel encantado, é a imagem invertida: submissa, sofredora, insossa. Nesta Hilda atual, Luiza vê, sim, coisas suas; e dela, inveja outras, a começar pelos figurinos extraordinários. “Sou vaidosa, sou consumista”, confessa. Síndrome de quem começou a vida na moda? “Eu era modelo de comerciais, não tinha altura para desfilar”, diz. A artista que existia dentro dela só viria a despertar, quem diria, na atmosfera em geral árida da faculdade (Luiza é atriz diplomada pela UniRio).A Hilda de Joia rara decidiu ser cantora. Luiza está se preparando. Ao percorrer este ensaio, dá vontade de dizer: pois é, ao nosso anjo travesso só faltava cantar.

Status  De Celebridade (2003) para cá, você tem emendado uma novela atrás da outra. Como conciliar trabalho e as outras vidas: mãe, mulher, figura pública?
Luiza Valdetaro Simples: fazer com que seu dia tenha 27 horas! Toda mulher que é mãe, que trabalha fora e ainda tem seus compromissos pessoais sabe que tem de ser assim. Força de vontade, empenho, garra também ajudam. E, claro, amor.

Você é meio camaleoa. Sai da sofrida Gerusa Bastos, de Gabriela, para a ambiciosa Hilda Hauser, de Joia rara. Alterna ingenuidade com malícia. Você é assim ou é só no trabalho?
Atuar é minha paixão. Gosto de me renovar, sempre fui estudiosa e dedicada. Faço questão de dar o máximo em cada cena. Todo personagem me desafia. Gosto de ir a fundo nele, entender sua complexidade, os anseios, as dúvidas.

A impressão é que a tevê não oferece ao ator tempo e condições para um trabalho em profundidade como se vê, por exemplo, no cinema e no teatro. Que tudo é muito na base da improvisação.
Não é verdade. Cada meio tem um tempo específico.  O que dura duas horas num filme são meses de pesquisa e de filmagem. Mas a preparação é essencial sempre. Numa peça, assim como na tevê, é necessário estar afinada com o roteiro, com o contexto, com a história.

Qual é o segredo de sua beleza?
Desde nova cuido do rosto. Imagina: tive problemas de espinha na adolescência. Estou sempre de olho nas novidades da tecnologia dos cosméticos, com a ajuda da minha dermatologista. Não tenho o hábito de passar creme ou óleo. Estou com este item na lista de “hábitos a serem incorporados”. Prometo me empenhar nisso (risos).

Não precisa.
Ah, e faço crossfit há mais de três anos, treino bastante puxado. Quando estou de férias, vou à academia cinco vezes por semana. Três vezes, quando a rotina aperta. E faço equitação duas vezes por semana. Mas aí não é exercício, é terapia. Adoro!

Como uma mulher tão bonita e com tanta visibilidade faz para administrar o assédio masculino?
A relação do público comigo sempre foi muito respeitosa e de muito carinho. Não só das mulheres, mas também dos homens. Não me lembro de nenhuma situação desagradável, que tenha passado do ponto. Mas fico grata com os elogios.

Se você tivesse de ensinar técnica de sedução para uma mulher, como seria? E, na outra mão, qual é o truque de sedução que um homem deveria usar para conquistar uma mulher como você?
Parto do princípio de que não existe técnica perfeita. Nada melhor do que ser natural, se respeitar, valorizar, ter pensamentos e opiniões formadas sobre os mais diversos assuntos – e, quando ainda não se tem, ser interessado, sempre buscar conhecimento.

O que lhe atrai num homem?
Inteligência.

Além disso, o que uma mulher espera encontrar num companheiro?
Sempre me identifico com quem é bem-humorado.

Fora a tevê, quais são os seus sonhos profissionais? E os pessoais? Você se sente uma atriz para toda a vida?
Eu sonho seguir trilhando essa trajetória, com personagens bacanas, na tevê, no teatro e no cinema. Eu, pessoalmente, tenho menos a pedir do que a agradecer.

 

Nirlando Beirão

 

Produção executiva Marina Felício
Produção de moda Fernando Batista
Assistentes de foto Hugo Dourado e Sergio Conrado
Tratamento de imagem Fernando Arrais

Agradecimentos Avalanche Filmes (cenário)  |  Le Couvent des Minimes (óleo corporal Eau Aimable)