OS SEGREDOS DO REI DAS TOP MODELS

Antes de morrer, John Casablancas, fundador da lendária Elite Models, deixou cartas secretas para seu amigo e confidente Ricardo Bellino, que agora serão reveladas em livro

 

Por Endrigo Chiri

 

Quando tinha apenas 20 anos, o carioca Ricardo Bellino (abaixo) decidiu que seria sócio da filial brasileira da agência Elite Models e foi várias vezes aos Estados Unidos convencer John Casablancas – responsável por descobrir e agenciar top models como Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Linda Evangelista, Adriana Lima, Alessandra Ambrósio e Gisele Bündchen – de que aquilo era uma boa ideia. Conseguiu. E a parceria nos negócios deu origem a uma amizade para a vida toda. Juntos, prosperaram em todos os projetos que criaram e Bellino ainda se aventurou nas letras – é autor de seis livros sobre negócios. Mas para celebrar a vida de seu querido mentor, ele está se arriscando pela primeira vez num livro de ficção. Na véspera da morte do fundador da Elite Models, em julho de 2013, Bellino recebeu um e-mail redigido por John que o levou ao novo trabalho. Ele tem até maio para entregar o manuscrito de Dragonfly unveiled: John Casablancas’s secret societ para a editora espanhola Planeta, mas adiantou à Status um pouco dessa história, o que inclui a sociedade secreta que John tocava nos anos 70.

Status – O que o John dizia no e-mail?
Bellino – Além das instruções para a organização do funeral, tinha um PS no fim me pedindo para procurar pela Desirée, em Barcelona, e que ela iria me perguntar a senha, que era Dragonfly (o título escolhido para o livro). Quando cheguei lá, ela me falou: “John havia me dito que você viria me encontrar”.

– Mas você conhecia a mulher? Ou a história dela com o John?
– Eu sabia da existência dela. Ele havia me contado a história da relação com essa mulher, que inclusive está na biografia oficial dele (Bellino assina a orelha de Vida modelo, lançado em 2008). É uma francesa que foi morar em Sitges, uma cidade perto da capital da Catalunha, e foi com ela que John teve sua primeira experiência sexual e amorosa.

– O que mais ela te contou?
– A história toda, que era uma espécie de guardiã dos segredos e fantasias do John e, para minha surpresa, me entregou um pacote cheio de cartas que ele enviou para ela ao longo da vida. E me disse: “Ele não disse o que era para fazer com isso, só para te entregar quando chegasse a hora”. A Desirée e o John não mantiveram mais contato físico, mas ela era uma espécie de alter ego dele, tanto que ele começou a escrever essas cartas ainda muito jovem. Elas retratam uma trajetória de 55 anos.

– Como decidiu transformar essas memórias em livro?
– O John sabia que existia no imaginário coletivo das pessoas a fantasia de conhecer o que era a vida dele nos bastidores, mas sempre foi muito cauteloso, receoso de constranger a esposa e a família. Inclusive, quando saiu sua biografia oficial, ele me disse: “Essa aqui é um pouco clichê, quase um álbum de fotografias, mas sei que, na verdade, o que as pessoas querem ler não está aqui”. Aí, quando eu cheguei no Brasil, conversei com a Aline, viúva do John, sobre essa história e minha vontade de transformar as cartas em livro. Ela falou: “Se ele te deixou esse presente, você tem que fazer o que ele queria, que é contar essa história”.

– Por que escolheu o caminho da ficção para contar a história?
– Quanto mais o livro propõe ao leitor a noção de que ele é uma ficção baseada em fatos reais, mais acende a chama de que na verdade é uma biografia disfarçada de ficção. E o John sempre gostou muito dessa dualidade. Todos os exercícios de criatividade que fazíamos para os projetos tinham esse componente.

– Você vai contar sobre as festas anuais da sociedade secreta que o John tinha?
– A primeira que ele fez nesse estilo foi dentro do trem Orient Express, durante viagem de Paris a Veneza. A ideia era que pessoas incríveis se encontrassem num ambiente fora do convencional para uma festa, mas não tinha a formalidade das festas promovidas no filme De Olhos Bem Fechados, por exemplo. Obviamente esses encontros eram pautados pelo glamour, mas o objetivo final era sexo. Ele fez encontros dessa sociedade secreta em iates extraordinários que circulavam pelas ilhas gregas, ou na casa espetacular que tinha em Ibiza. Como o John sempre foi contra drogas, e elas eram absolutamente proibidas, ele preparava um drinque especial que se chamava Dragonfly. Era uma maneira de as pessoas se desconectarem do real e entrarem em outra dimensão.

VERSÃO ORIGINAL

Três livros que renderam ótimos filmes são lançados no Brasil

Doze Anos de Escravidão, de Solomon Northup (Cia. das Letras; 180 págs.; R$ 22,50)


O livro escrito de próprio punho e lançado em 1853 encantou o diretor de cinema Steve McQueen, que encontrou um roteiro pronto na narrativa crua e humana dos 12 anos de escravidão que Solomon Northup, um negro livre do norte dos EUA, foi obrigado a suportar. Quando reconquistou sua liberdade, Northup escreveu um livro, lutou pelo abolicionismo e agora virou filme.

A Caçada ao Lobo de Wall Street, de Jordan Belfort (Planeta; 464 págs.; R$ 54,90)


O ator Leonardo Di Caprio deixou bem claro no filme de Martin Scorsese o que Jordan Belfort foi capaz de causar em Wall Street. Como Jordan resolveu o problema e não ficou 30 anos preso? É o que o próprio conta na segunda parte de sua autobiografia, lançada agora no Brasil junto com a reedição da primeira parte. Leia antes que vire filme.

Grace – A Princesa de Mônaco, de Jeffrey Robinson (LeYa/Casa da Palavra; 416 págs.; R$ 34,90)


Amigo da família real de Mônaco por muitos anos, Jeffrey Robinson recebeu uma única exigência do príncipe Rainier quando começou a escrever a biografia da Princesa Grace: “Diga a verdade”. Deu certo. O livro logo foi aclamado por crítica e público, está a caminho dos cinemas e acaba de ganhar edição brasileira revisada e atualizada.

 

QUANDO É MÊS DE FUTEBOL

Se a três meses do pontapé inicial ainda está difícil entrar no clima de Copa do Mundo, o poeta Carlos Drummond de Andrade pode te ajudar a reencontrar a beleza do futebol. Quando é dia de futebol (Cia. das Letras; 200 págs.; R$ 34,50) reúne textos publicados nos jornais Correio da Manhã e Jornal do Brasil sobre nove Copas do Mundo e seus boleiros de destaque, como Pelé e Garrincha. A começar pela da Suíça em 1954, até chegar na do México, em 1986, um ano antes da morte do poeta mineiro. Organizado pelos netos Luis Mauricio e Pedro Augusto Graña Drummond, cada texto revela a visão leve, inteligente e pitoresca de Drummond sobre as muitas facetas da paixão que vai mobilizar o País mais uma vez em junho.

 

A KATE DO MARIO PARA TODOS

O que antes era exclusividade de 1.500 afortunados agora pode pousar na mesa de centro de todo admirador de uma das mulheres mais belas do mundo. O livro de edição limitada – lançado em 2010 pelo fotógrafo peruano Mario Testino para homenagear seu melhor achado, a top inglesa Kate Moss – ganha reedição democrática da Taschen. O que já chegou a custar US$ 2.000 agora vale US$ 39,90. A versão é menor e mais simples, mas traz exatamente o mesmo conteúdo da original: mais de 100 fotos, algumas inéditas até então. Uma Kate que só Mario conheceu e registrou ao longo dos 20 anos de umas das amizades mais frutíferas do mundo da moda.

 

SOPA DE LETRINHAS 

Os lançamentos mais interessantes do mês

Terra sem lei (Editora Arqueiro; 288 págs.; R$ 29,90)

Sob o pseudônimo de John Sandford, o jornalista e vencedor do Prêmio Pulitzer John Camp lança no Brasil o livro que traz o terceiro caso do detetive Virgil Flowers.

Não se preocupe comigo (Editora Sextante; 240 págs.; R$ 24,90)

Com a ajuda do jornalista Bruno Levinson, o compositor Marcelo Yuka, ex-baterista da banda O Rappa, revisita em sua biografia as alegrias e angústias de sua vida, em especial os nove tiros que o deixaram paraplégico.