AGATHA MOREIRA

Jovem, linda e talentosa. O que mais a atriz da novela Em Família tem? Sex appeal de sobra

 

Fotos André Nicolau

Edição Ariani Carneiro | Stylist Breno Votto  | Beleza Carla Biriba (Bliss Me Makeup)  |  Produção executiva Marina Felício

 

STATUS 35 - CAPA

Top (acervo do produtor) | calcinha Animale | casaco Hugo Boss | meias Mr. Cat

 

Ser modelo seria a trajetória natural de quem, como ela, tem essa silhueta de escultura grega. “Mas sempre comi demais”, diz Agatha Moreira. “Tentava uma saladinha, mas acabava no McDonald’s.” De mais a mais, o glamour do ofício das passarelas e dos editoriais de moda é ilusório, cobra um preço alto em viagens, aeroportos, intermináveis jornadas de trabalho, gente mal educada, relações frias, impessoais. “Lá de longe, eu gemia de saudade da família, do Rio, dos amigos.”

Aquilo que Agatha chama de “o último perrengue, de arrancar os cabelos”, três meses em Miami, três meses em Nova York, pelo menos tinha uma razão de ser: juntar um dinheirinho para bancar o sonho enfim revelado. Muito por acaso, Agatha abriu uma porta no teatro. Ficou maravilhada. “Como é que não tinham me apresentado isso antes?” – entusiasmou-se. Decidiu estudar a sério. Não faz nem dois anos. Hoje, depois de uma fulminante passagem por Malhação, ela delicia o horário nobre da Globo como a Gisele de Em família, a filha do turbulento casal Ricardo (Herson Capri) e Branca (Ângela Vieira). É, aos 22 anos, um talento precoce. “Amo o que faço, mas ainda tenho muito o que aprender”, disfarça.

Agatha é do tipo que se joga. Antes de entrar no turbilhão da novela, deu uma de mochilão-cabeça com Pedro Nicoli, seu namorado cineasta. Giro pelas cidades históricas de Minas – Ouro Preto, Mariana, Tiradentes –, revezando-se entre mergulhos na arquitetura colonial e nas cachoeiras geladas. Tomar banho quase nua naquelas serras mineiras, ela aprendeu, é como abraçar toda a natureza. Mas foi o final do passeio que trouxe a ela um sentimento próximo do transe: o museu a céu aberto de Inhotim. “É monumental, de tirar o fôlego”, diz Agatha, com o sorriso aberto e iluminado que sai de uma boca desenhada por Michelangelo. “Tenho vontade de voltar lá todo fim de semana. Sou assim, excessiva, sem meias medidas.”

Status – O que mudou em sua vida depois de sair de Malhação para uma novela do horário nobre?

Agatha Moreira Tudo. Rigorosamente tudo. Uma revolução na minha vida. Nem moro mais no mesmo lugar, não convivo mais com as mesmas pessoas. Não é escolha minha, são as circunstâncias. Não consigo mais sentar num restaurante sem que alguém se aproxime e peça para tirar uma foto. Ainda estou me adaptando. Ter fã é uma coisa engraçada.

Engraçada?

Logo eu? Como é que é isso? Tem certeza? Eu vivo me perguntando, me beliscando. No fundo, é divertido. Surpreende mais do que incomoda.

É bom ir se acostumando, né?

Na época da Malhação, eu chegava ao Projac para gravar e sempre havia aquela galerinha lá na porta, os fiéis da Malhação. Agora, chego ao Projac e descubro que já tenho uma galera só minha, os meus fãs! Um dia desses, cheguei, oi, oi, tudo bem? Duas horas depois, ao sair, tinha um bolo esperando por mim, brigadeiro, parabéns, festa. Era 19 de janeiro, meu aniversário.

Capricorniana… cabeça dura… perfeccionista.

Capricorniana light. Cabeça dura, sim. Perfeccionista, então, você não faz ideia. Eu chego a me irritar comigo mesma. Você precisa ver o jeito com que eu arrumo meu quarto!

Bem, pelo menos neste ensaio de Status você chegou à perfeição.

O erotismo é um prazer e um desafio. Desde adolescente, naquela fase em que a gente não sabe o que fazer, indecisão total, eu sou assim: só se eu gostar muito é que vou. Senão, prefiro não fazer. Isso vale para o trabalho e para a vida também.

Para o amor?

Eu não tenho vergonha alguma de me apaixonar. Se sou incondicionalmente apaixonada pela vida, por que não haveria de me apaixonar irresistivelmente por alguém?

Qual é a receita de homem por quem uma mulher como você é capaz de se apaixonar?

Boto a inteligência em primeiro lugar. Inteligência, para mim, inclui conhecimento, mas também humor, curiosidade, senso crítico. Ser bom caráter também é fundamental. E que o homem saiba amar. Nem precisa ser bonito, mas tem de conhecer essa arte do amor. Alguns homens conhecem, outros custam a aprender – muitos nem chegam lá. Homens demoram demais a amadurecer. Se, além disso, ele souber escrever, aí já é golpe baixo. Qualquer mulher se apaixona.

E, pelo que você já viveu nesses 22 precoces anos, o que uma mulher tem de ter para seduzir um homem?

Inteligência, claro – volto ao mesmo ponto. E tem de ser independente. Chega de a mulher ser peso, financeiro, emocional, para o homem. Mas uma coisa importante: as mulheres estão competindo demais com os homens, não gosto. Têm de se complementar, não de competir. Ser bom caráter vale para todo mundo, independentemente do gênero. E, assim como o homem, a mulher tem de saber amar e ser amada, sem limites, com entrega total. E, no nosso caso, um toquezinho de vaidade vai bem, não vai?

 

Nirlando Beirão

 

Agradecimento Le Couvent des Minimes (óleo corporal Eau Aimable)